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Terça-feira, Setembro 28, 2021

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“Casa Noémia”, por Armando Fernandes

Numa parte do edifício vendem-se jornais, exercícios de jogos da Santa Casa, bebidas e algumas comidas, além de ser sala de assistência a encontros de futebol e desencontros verbais sobre quem mereceu ou não ganhar os prélios.

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Na outra parte funciona o restaurante o qual frequento de vez em quando, especialmente na época da lampreia e do sável. Este ano o sável foi mais lampeiro, é frito em postas finas (prefiro postas nédias grelhadas), sendo acompanhado por açorda e salada.

A dona lampreia aparece envolta em arroz, as boas postas emergem no seio do arroz escuro do sangue do ciclóstomo, vinho tinto e vinagre quanto baste, acrescentando-se nicos de cebola e segredos da cozinheira. No ano em curso a lampreia só veio para este restaurante na semana passada, daí no domingo dia 7 e na quarta-feira a seguir a ter apreciado como cânone recomenda. O arroz estava no ponto, longe do espapaçado, os temperos de igual modo, resultando acerto no preparo, logo felicidade palatal. Parabéns à cozinheira.

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A lesta engloba o prato do dia, bem como diversos pratos de peixe e carne, sendo de realçar o de a pedido serem confeccionadas receitas de cunho local.

Dado o restaurante não aceitar fumadores, esfumaço no pátio onde me instalo confortavelmente e, às vezes, troco palavras com a Sra. Dona Fernanda que com o marido, o Sr. Carlos, explora o polivalente estabelecimento.

A Dona Fernanda é minhota de Vieira do Minho, senhora bem-disposta, de resposta pronta e bem-humorada para gáudio dos clientes habituais e, seguramente, eles próprios animadores da troca de palavras eivadas de alacridade decorrentes do quotidiano e das notícias veiculadas através da televisão.

Desta feita deu-me conta do intenso benfiquismo de toda a família, até a empregada, sportinguista, no último prélio teve o cuidado de vestir uma blusa verde e vermelha. Fiquei a saber quão bem o Benfica faz à sua casa dado o júbilo que provoca na generalidade dos frequentadores do café.

Na opinião da Senhora, que antes de se fixar em Rio de Moinhos (Abrantes) esteve emigrada na Suíça, o Benfica devia jogar todos os dias, porque como vence quase (quase) sempre, a clientela ganha entusiasmo, alegria e vontade de festejar. O desejo da Senhora Dona Fernanda é impossível de satisfazer. O Benfica ganhar é desejo compartilhado por milhões e eu subscrevo.

O restaurante fica no Largo Avelar Machado. Não existem problemas de estacionamento. Encerra à terça-feira. Aceita Multibanco.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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