- Publicidade -
Terça-feira, Dezembro 7, 2021
- Publicidade -

“Cartel do fogo”, por Vasco Damas

Na sequência do serviço público prestado por uma das televisões privadas relativamente ao maior flagelo que tem assolado o nosso país nos últimos anos, recupero parcialmente dois textos que escrevi em 2013 e em 2016.

- Publicidade -

“Qualquer português com um mínimo de sensibilidade, não pode ficar indiferente à sucessão de notícias dramáticas que temos tido conhecimento. A somar ao recorde de área de floresta ardida temos a inestimável perda de vidas humanas.

Algo estará mal, porque não tenho memória de um número tão alarmante de mortes entre os bombeiros deste país. Assisto incrédulo ao facto… e ao silêncio dos responsáveis em torno deste facto.

- Publicidade -

Não dá vontade de perguntar o que está por trás de tudo isto?

Serão os interesses por trás da “privatização” de recursos no combate aos incêndios?

Será por causa do desvio de verbas da formação aos bombeiros?

Será por causa da desadequação de meios no combate aos incêndios?

Será devido aos superiores interesses privados, que têm originado uma sucessão de ‘erros’ no investimento em recursos materiais, que no passado recente, se deu inclusivamente ao luxo de canalizar verbas para se investir em submarinos, negligenciando os meios de combate aos incêndios?

O apuramento de responsabilidades não devolverá a vida aos que entretanto morreram…mas pode evitar que se continuem a perder vidas.”

Este pequeno texto parece não ter perdido atualidade, porque passados 3 anos tudo parece igual. Mas na realidade, apenas parece, porque nem tudo está igual. Entretanto, arderam milhares de hectares de floresta e por isso o património nacional ‘encolheu’ e o país ficou mais pobre.

Mas ao que parece, nem todos ficaram mais pobres com o ‘negócio do fogo’. Pelo que se sabe, as empresas privadas que assinaram contratos com os governos portugueses para o combate aos incêndios, que ainda há pouco tempo tinham que alugar os seus meios aéreos a empresas estrangeiras, agora têm enormes frotas de helicópteros, hangares, pavilhões e, inclusivamente, aeródromos próprios.

A falta de transparência e a falta de conhecimento público destes contratos deixa dúvidas, suspeitas e transforma os responsáveis por estas decisões em cúmplices nestes crimes.

E aqui não cola o argumento de que Portugal não tem dinheiro… porque facilmente se encontram soluções mais económicas com resultados mais vantajosos.

Se é assim, quem é que ganha quando Portugal está a arder?

Parece-me claro que o jornalismo de investigação que assinou o trabalho ‘Cartel do Fogo’ deu grande parte das respostas às perguntas que eu coloquei em 2013 e, mais tarde, em 2016. Parece-me inquestionável a responsabilidade de todos quantos têm passado pelo governo e pelo ministério que tutela este problema.

Mas há uma responsabilidade camuflada que se esconde atrás de cada um de nós. Principalmente de todos aqueles que têm oportunidade de fazer ouvir a sua voz. Apetece-me citar Martin Luther King, ”o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. E aqui faço uma adaptação livre. O que me preocupa não é o silêncio dos bons, mas o seu grito fazendo a apologia dos maus.

Não sei se me faço entender?

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

  1. O texto de Vasco Damas abalou a minha consciência e não pude resistir a escrever este meu comentário.
    Também me pergunto: Quem ganha com a tragédia dos incêndios?
    Sim. Não sejamos ingénuos. Há interesses instalados à volta da catástrofe.
    Receio bem que toda esta indignação, a nossa indignação, esteja a ser orientada para esconder o alvo, ou os alvos, reais.
    Assistimos, há algumas décadas, a uma gravidade crescente dos incêndios que veem ocorrendo. Será isto natural?
    Entendemos, todos, ser um crime idiondo o “botar fogo” intencional, mas quem está por detrás desta realidade?
    Não será esse o crime maior?
    Há já muito tempo que me questiono: Faz sentido ter todo o sistema de combate a incêndios (aviões, viaturas, equipamentos e até as comunicações) na esfera privada?
    Não será esse o maior “erro” do sistema?
    Não deveria ser o Estado a assumir esse papel?
    O fogo, no contexto de incêndio, não pode representar negócio, seja para quem for. Não pode.

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome