“Cartão vermelho à política cultural de Abrantes”, por Massimo Esposito

A política cultural levada ao cabo por esta administração em Abrantes cometeu suicídio em dois atos em poucos dias. Sim! A cultura das artes plásticas local deste concelho morreu nesta semana. Já se sabia das “manias” de elitismo da nossa Presidente e de como “Não” considera os artistas da terra, mas nesta semana, todas as pequenas esperanças que podiam haver, morreram.

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O 1º “enforcamento” foi a colocação das “ torres ” na rotunda do quartel. Uma obra faraónica e desajustada, seja artisticamente ou paisagisticamente. Não tenho nada contra o artista Charters de Almeida, mas não sei exatamente quantas centenas de milhares de Euros custou (e que eu também subsidiei) mas quando o município diz que não tem dinheiro para pagar um porto de honra numa exposição de 40 abrantinos ou para ajudar jovens artistas da terra nos seus projetos e gasta fortunas em obras tão discutíveis, pessoalmente penso que se favorece uma arte de elite, fechada e sem comunicação para os cidadãos. E quem faz parte desta elite entende menos de arte que eu próprio.

E a arte é comunicação!

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E não pense a Dr.ª Maria do Céu que os turistas serão chamados por esta obra, lembro que sou estrangeiro e com certeza não foram estes “chamarizes” a fazer-me radicar aqui mas sim um urbanismo à medida de homem e uma tradição de relacionamentos humanos “sem manias”.

O 2º “enforcamento”, isto ainda mais gritante apesar de ser mais furtivo, mas talvez mais preocupante, é a cedência da galeria MUNICIPAL a uma entidade privada.

O próprio “apelido”, Municipal, diz que a galeria é do município e mais ainda dos munícipes, seja como frequentadores ou como expositores. Mas desde o dia 4 de Junho de 2016 esta já não é a realidade. A Dr.ª Maria do Céu entregou à MGFR, detentora da Coleção Figueiredo Ribeiro, por dez anos a gestão deste espaço.

O que é em resumo este acordo? A MGFR, proprietária de 1300 e mais obras de arte “contemporânea” tem a possibilidade de as expor à sua discrição, com a própria agenda pelo período de um decénio, e comercializá-las na nossa pequena cidade, e isso seria bom, mas a Câmara (que diz de não ter dinheiro) deve investir ainda mais verbas em obras para assegurar um título de GALERIA a estas instalações.

E aqui há dois problemas que surgem; A) os artistas locais são excluídos da programação (se não por pequenos eventos para tapar os olhos e bocas) porque claramente a MGFR quer vender as suas obras. B) A Câmara Municipal abstrai-se por dez anos de gerir as artes plásticas locais, falhando redondamente as suas obrigações, claramente declaradas pelo pouco interveniente vereador da cultura Luís Dias que disse “faz com que nos libertemos de algumas complicações em termos de programação”.

Ooooh meu amigo Luís!, desde a criação da galeria nunca houve problemas de programação, fazia-se uma reunião, escolhiam-se os pedidos e tomavam-se decisões… Mas desde que a Dr.ª Maria do Céu decidiu mudar de PARADIGMA é que os problemas surgiram, porque se devem tomar decisões, e nós sabemos quem as toma, não é Sr. Luís? E também quando declara “nós nunca assumimos que a Galeria de Arte não tem sido um êxito” gostava de ter a informação de quantas pessoas frequentaram diariamente a galeria nos últimos dois anos.

Gostei de falar com o Sr. Figueiredo Ribeiro, pessoa humilde e franca e espero que possamos ter uma “provável” colaboração mas com certeza não conhece a realidade da nossa cidade, nem ele nem os seus colaboradores, e deverão fazer um grande esforço para ter os Abrantinos nas suas instalações, porque há anos que a galeria não é frequentada por nós, (sim eu também não a frequento regularmente pelo fraco interesse que me desperta a agenda) e não creia a Dr.ª Maria do Céu, como declarou na inauguração, que os turistas venham a correr a ver esta coleção. O amor à arte desenvolve-se das raízes para os galhos, mas esta políticas só têm galhos, é só para alguns e por isto, como operador cultural do Médio Tejo passo cartão vermelho à política cultural desta administração!

Sei que terei de pagar por estas palavras, mas ainda me considero um cidadão livre num pais onde se pode expressar a própria opinião… espero.

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1 COMENTÁRIO

  1. Uma cidade cada vez mais deserta, que só sabe apoiar ideias desnaturadas, e ainda mencionando outra coisa muito importante, a ponte sobre o Tejo… não poder andar com carrinhos de bébes ou cadeiras de rodas, porque colocaram os postes rente À estrada e não rente ao muro, não havendo espaço para passar muita gente incapacitada ou até de bicicleta pelos passeios… podem gastar 300.000 em monumentos ferrugentos, e não conseguem gastar 1% disso para recolocar os postes? E depois admiram-se da cidade estar cada vez mais deserta!! Eu que adoro Abrantes, e vivi lá muito tempo, já não meto os pés na cidade, mas em redores, mesmo porque está a ser cada vez mais privatizada e governada por interesses absurdos!!!

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