Carta dos Leitores – “Sejamos mais Paladin e menos Trump” -, por Renato Antunes

Fábrica Mendes Gonçalves, que detém a marca Paladin, na Golegã. Foto: Sara Matos/ Global Imagens

A Mendes Gonçalves – empresa ribatejana detentora da famosa marca Paladin – deu hoje uma lição gigante a todos nós e poucos demos por ela. Ao mais leve sinal de contaminação por COVID-19, leia-se 2 casos positivos em 358 colaboradores, encerrou portas e promoveu uma testagem generalizada. Sim, a todas as suas 358 pessoas. Sim, sem olhar a custos ou ao impacto brutal que tal decisão terá na sua facturação. Até porque o regresso à laboração acontecerá apenas quando for seguro para todos.

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Havia uma estratégia definida e foi seguida, sem tremer nem vacilar. Dar prioridade ao que tem realmente prioridade nas vidas de todos nós: a saúde. Fazer tudo o que está ao seu alcance para proteger os seus. Fechar portas ao mais ínfimo sinal de insegurança. Mesmo tal não sendo obrigatório de acordo com as indicações das autoridades de saúde.

Aprendi e ensino na Nova SBE que o negócio de qualquer empresa começa (e acaba) nas suas pessoas e que sem pessoas (motivadas e comprometidas) não há negócio. Aprendi também que qualquer empresa deve envidar todos os esforços para “ir mais além”, para “fazer o que mais ninguém faz”. Será isso a dar-lhe a tão almejada “vantagem competitiva”. Acabo de empregar todas estas aspas porque (1) foram de facto estas as expressões que aprendi e (2) nunca as tinha entendido efectiva e inteiramente até hoje.

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A Paladin e a Mendes Gonçalves, à semelhança de todas as marcas e empresas sem excepção, são o que são graças aos seus colaboradores. A diferença para muitas das outras empresas e marcas é que estas sabem-no e, indo mais além, demonstraram-no quando os seus colaboradores mais precisaram. Isso vale mais do que mil palavras, planos ou estratégias. Isso confere-lhes a tal “vantagem competitiva”, daquelas que perdurará no tempo, pois fizeram algo que é tão óbvio quanto raro e difícil: agir com coragem e não por medo (€).

Donald Trump regressou ao registo de incriminar a China por causar propositadamente uma pandemia global que, antes de se saber sequer se galgaria as suas fronteiras, já tinha tido um impacto enorme nos seus principais indicadores macroeconómicos – veja-se a queda do PIB chinês no 1º trimestre (-6.8%).

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Mais do que maçador ou imbecil, é um discurso que destila ódio sem critério e que, acima de tudo, não está centrado nas (suas) pessoas. Haverão poucos americanos mais interessados em perceber quem ou o que causou a crise do que em ver implementadas medidas que controlem efectivamente a difusão do vírus e que promovam uma recuperação económica absolutamente vital durante os próximos meses e anos.

Um líder que não entende as pessoas como o seu principal activo, quer para potenciar quer para proteger, dificilmente saberá liderar a sério e a longo prazo. É por isso que reitero o meu elogio à administração da Mendes Gonçalves.

Sejamos mais Paladin e menos Trump, por um mundo melhor para todos.

*Nota à laia de declaração de interesse:

[Dizem vocês: é fácil elogiar uma organização da qual que se faz parte; respondo eu: é precisamente por ser um dos 358 colaboradores que se sentiu, e sente, prioridade e não ferramenta que vos asseguro com conhecimento de causa: o nosso mundo precisa de mais Mendes Gonçalves.]

Renato Sousa Antunes

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1 COMENTÁRIO

  1. “Sejamos mais marca GEO e menos marcas e governos hipócritas!” – E, neste âmbito a Fundação Geolíngua está a disposição para apresentar o projeto “Endoeconomia” (ver no Google) aos jornalistas, incluindo o Renato Antunes e, também, a Mendes Gonçalves, empresa ribatejana e detentora da marca Paladin. – Espero que leiam este meu comentário e me contacte.

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