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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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“Carta de amor às férias de verão”, por Vera Dias António

Há um mês estava de férias. Estava em plenas férias de verão. E desde então tenho pensado na importância daqueles dias em família, longe das rotinas, todas e tantas, que nos guiam o resto do ano. As férias, as tradicionais duas semanas de férias de verão são uma vigésima quarta parte do ano, meio mês dos doze. E são normalmente a parte do ano que mais ansiamos.

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As férias que vivemos este ano, os seis cá de casa, foram particularmente interessantes. Já sem bebés de colo. Sim, foram muitos anos com bebés de colo… mas agora, com os miúdos num modo crescido e cheio de humor nisto de se ser gente e a miúda mais independente e um ser já com raciocínio e muita (muita…) vontade própria, são decididamente umas férias diferentes. Confesso que numa ida de barco à praia da ilha olhei um casal com dois filhos quase bebés, um de colo, e suspirei, de forma muito própria, de alívio. Começamos, penso, um novo patamar de férias, nós, enquanto casal, e eles, os filhos, com quem estamos a criar memórias distintas, das que ficam.

Há um mês estava de férias. Estava em plenas férias de verão. E desde então tenho pensado na importância daqueles dias em família, longe das rotinas, todas e tantas, que nos guiam o resto do ano. Foram férias de praia, mas daquela praia de onde saíamos quase às 10 da noite e ainda íamos aos gelados e depois, só depois, pensávamos no jantar. Tão bom!

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Pensei muito, por estes dias, nas minhas férias de miúda, talvez por estar mais certa de que eles já guardam as nossas, como guardo, com tanto carinho, as que vivi com os meus pais e irmã, e tanta gente. Vieram-se à memória as férias no Cacém, na casa da minha madrinha, com as saídas de madrugada para a Costa da Caparica ou para as praias de Sintra, a Praia Grande ou os Parques onde fazíamos grandes petiscos. As férias de manta e de geleira, mais os tupperwares de comida, muita melancia e melão. Essa parte das férias, genuína, que nos fica cravada, mais do que gravada na memória e que continuava no regresso a casa, aos fins-de-semana, nas ribeiras aqui à volta de Mação, no Tejo, nas barragens. Os grupos de amigos dos meus pais, nós, tantos filhos, a manta e a geleira e os tupperwares de comida, muita melancia e melão.

Houve uns tempos, na sequência de um acidente que magoou fortemente a minha irmã, em que disseram aos meus pais que a água da Foz do Arelho era boa para tratar o pé dela e para lá caminhámos vários verões, com poiso certo num anexo de uns senhores, com quarto, cozinha e casa de banho e um divã na cozinha, que era também sala, onde a minha irmã e eu dormíamos. À noite íamos ao café e lembro-me que a melhor noite era quando passava a novela brasileira “A Casa de Irene”.  As coisas que recordamos… Ainda assim, do que mais me lembro, foi do fim-de-semana em que fomos alugar casa, antes das férias, e como havia uma festa à noite acabámos por ficar para domingo e dormimos no carro. Tapámos as janelas com as toalhas, muito nos rimos a arranjar posição confortável para todos no Fiat Uno preto de 3 portas que tínhamos à altura. Acreditem, é nestes momentos improvisados que se fazem as melhores e mais felizes memórias em família. Gostei muito dos anos da Foz do Arelho.

Os anos seguintes, os muitos e bons anos seguintes, foram passado na Nazaré. Os meus pais e dois casais amigos e nós, os filhos. Mais os fins-de-semana em que ainda recebiam amigos e era tanta confusão, quanto alegria gente boa e malhadas improvisadas. Muito riso fácil, piada boa, gargalhadas que ecoavam pelas ruelas na Nazaré e que, acreditem, ainda ecoam na minha memória. Mais o peixe fresco que estava sempre presente ao almoço e as caminhadas na marginal à noite onde se encontrava meio Mação, e que bom que era. Acima de tudo, tempos de evasão da rotina, muito, muito felizes, no início de setembro, depois da festa do bairro, antes do início das aulas. Impossível não sorrir ao recordar. Entretanto nós, os filhos, crescemos, passámos a ir em família, depois os namorados, maridos e os nossos filhos. E passámos às férias com a família que criámos.

Lembro-me das férias com o nosso primeiro filho. Bolas, que até a espreguiçadeira levámos para a praia, não concebíamos deitar aquele ser tão frágil numa toalha na dura areia… depois crescemos, todos. Nós enquanto pais, eles enquanto filhos. E vamos fazendo o nosso caminho, sempre com a ideia naquela vigésima quarta parte do ano em que rumamos a sul e simplesmente estamos. E somos. E criamos memórias descansadas. Memórias boas. Daquelas que, espero, eles também venham a recordar com carinho, como recordo as que me ajudaram a criar. Não é que sejamos mais felizes nas férias de verão, estamos é num modo diferente. Se calhar, somos mesmo!

Nasceu em Mação em 1978. Estudou em Abrantes, Lisboa, Bruxelas e voltou a Mação, para trabalhar. Licenciada em Sociologia trabalhou sempre na área da Comunicação, primeiro a social, depois a autárquica.
Resgatar memórias e dar-lhes uma quase eternidade é o seu exercício preferido. Considera que a recolha de memórias passadas das gentes de Mação e o apoio na construção das memórias futuras dos quatro filhos é a melhor definição de equilíbrio, o presente da vida.
Acredita, acima de tudo, que nada sabemos de ninguém até ter uma boa, mas mesmo boa, conversa. Porque o que parece, às vezes, não é. Falta-lhe conteúdo. Apresentará neste espaço quem são as gentes de Mação, sem filtros nem preconceitos, só histórias e essência, o verbo Ser das pessoas.

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