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Sábado, Junho 12, 2021

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“Carta de amor ao livro Rua da Ladeira – Beira Baixa – Mação”, por Vera Dias António

Mação viu nascer, por estes dias, um novo livro dedicado a uma das suas ruas, a Rua da Ladeira. Trata-se do livro de memórias “Rua da Ladeira – Beira Baixa – Mação, Memórias de um caspito”.

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O caspito é Vitor Catarino, que ali nasceu e viveu até aos 10 anos, quando rumou à capital. Mas deixem que vos diga que acho extraordinário que Vítor Catarino, tendo saído de Mação ainda miúdo, com 10 anos, tenha conservado, cristalizadas, seguras, sãs, safas, as memórias e histórias da sua infância. Pois foram sempre o seu refugio e maior riqueza.

Este livro parte sempre da Rua da Ladeira e depois percorre as ruas, as casas, as pessoas, os comércios, o progresso que muito marcou Mação nos anos 50. Histórias com pormenores espantosos, deliciosos!

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São capítulo que se complementam e suplementam e que acrescentam sempre tanto uns aos outros e que, no fim, nos deixam vincada na nossa própria memória, a imagem de um Mação anterior à maioria de nós.

É tão fácil gostar de Mação. Somos muito o sítio onde nascemos e este livro será das maiores provas disso mesmo. Pelo que, quando o vi e comecei a ler e entrei nele e fui até um outro Mação com quase 7 décadas, deixei-me ir, num ato de solidão, só eu e o livro, e fui. Quando o terminei senti mesmo que tinha lá estado, porque Vítor Catarino leva-nos pelas suas memórias à sua infância e ao Mação de então de uma forma muito pessoal, como se falasse connosco e nos transportasse por um portal mágico numa viagem ao passado, a outro Mação.

Não poderei descrever o que senti, cada um viverá a sua experiência pessoal quando agarrar este livro.

Não conhecia Vítor Catarino até há cerca de um ano pelo que, quando me telefonou para nos encontrarmos para me falar de um livro de memórias sobre Mação não hesitei. E ainda bem. Há encontros e momentos felizes. O encontro com este livro tem sido um sucessivo de momentos felizes. Já me espantou, já me fez rir muito, já me emocionou. Que é o que esperamos de um livro de memórias.

Este livro fala-nos de um Mação extraordinário, de miúdos que iam descalços para a escola, de quando a luz elétrica chegou às casas e de como apareceram lâmpadas fraquinhas nas salas e nos quartos que ficavam, amiúde, cheias de cagadelas de moscas.

Fala-nos das velhas de Mação, que tocavam adufe e mijavam de pé, vestiam preto e eram o pilar das famílias. Leva-nos à chegada da “caminéte da carreira” ao fim da tarde e de como na Rua da Ladeira mulheres e crianças vinham à porta acenar a quem chegava e ficava no ar um mar de fumo que os caspitos inalavam, felizes, porque cheirava a progresso.

Leva-nos às tradições da Missa do Galo, do Terço da Farinheira e de tanta coisa boa que Mação tem. Traz-nos episódios cómicos com gente da nossa terra, que por aqui viveu há tanto tempo. Traz-nos uma sensação de cápsula do tempo e quase que sentimos quando nos descreve que o cheiro dos “bonicos” dos burros estava sempre associado às festas e às feiras, onde houvesse ajuntamento de gente e de burros, o meio de transporte.

Ou então entramos mesmo num portal mágico que nos leva lá atrás a um outro Mação. Depois, a esta história de vida, Vítor Catarino traz interessantes aspetos, mais ou menos reais da nossa História enquanto povo.

Numa segunda parte o livro perpetua poemas do poeta Maçaense José Serrano Neto, tio do autor, que faleceu novo, vítima de tuberculose. Apresentam-se alguns dos seus versos, e foram tantos, mas apenas os que se recuperaram, pois, a grande obra, a sua grande obra perdeu-se, pois foi seu pedido, à amada esposa, que no seu funeral, tudo fosse dentro do caixão. Os poemas que ficaram, ou foram publicados em jornais, ou resgatados de uma gaveta de casa da sua mãe, já doente.

A Câmara Municipal de Mação apoiou a edição deste livro, à luz de outros que já apoiou ou editou, no âmbito da sua Coleção Memórias que procura exatamente guardar o passado e as memórias de Mação, resgatar a sua história.

Mação cresce-nos e crescemos com ele porque estas memórias passam a ser também nossas e, só por isso, Vítor Catarino merece o nosso agradecimento. Obrigado!

Nasceu em Mação em 1978. Estudou em Abrantes, Lisboa, Bruxelas e voltou a Mação, para trabalhar. Licenciada em Sociologia trabalhou sempre na área da Comunicação, primeiro a social, depois a autárquica.
Resgatar memórias e dar-lhes uma quase eternidade é o seu exercício preferido. Considera que a recolha de memórias passadas das gentes de Mação e o apoio na construção das memórias futuras dos quatro filhos é a melhor definição de equilíbrio, o presente da vida.
Acredita, acima de tudo, que nada sabemos de ninguém até ter uma boa, mas mesmo boa, conversa. Porque o que parece, às vezes, não é. Falta-lhe conteúdo. Apresentará neste espaço quem são as gentes de Mação, sem filtros nem preconceitos, só histórias e essência, o verbo Ser das pessoas.

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