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Domingo, Novembro 28, 2021

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“Carta de amor ao Conservatório de Música de Mação”, por Vera Dias António

Gosto muito de música. Gosto mesmo. Acho que tudo na vida seria mais fácil e bonito se tivéssemos, permanentemente, música como pano de fundo. Não confundam com conhecimento pois, além de não saber tocar um instrumento que seja, canto muito mal e raramente associo uma música a um grupo. De ouvido musical, zero. De conhecimento, outro tanto, pouco mais que nada.

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Mas gosto de música no geral. E acho que tudo se faz melhor com música, que ouço em variadas situações. Uns dias mais calma, outros mais solta, quase sempre a mesma, em repeat, quando escrevo. Um estilo de música para cada estado de espírito.

Admiro quem sabe tocar, quem sabe cantar, tudo à volta deste mundo e destes dons com os quais não fui minimamente dotada. A minha admiração atinge aquele grau de espanto que temos com o inatingível.

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Sempre gostei de ouvir os grupos de cantares locais, tenho uma paixão por toda a história, de mais de século e meio da Banda de Mação. A música é sinónimo de tanta coisa, mas acima de tudo é união, não é!?

Já tinha os meus dois filhos mais velhos quando abriu, em Mação, um Pólo do Conservatório de Tomar, o Firmação, Conservatório de Música de Mação. E foi, também para mim, este calhau musical que vos escreve, um dia feliz, pois percebi abrir-se ali uma porta de múltiplas possibilidades para quem nela quisesse entrar.

E achei, tal como o pai, que os meus filhos deveriam saber tocar pelo menos um instrumento musical. O mais velho ainda tentou o projeto Pequenos Violinos, mas acho que cada um é mesmo para o que nasce. Não era algo que mexesse, que desse com ele. E não insistimos. Quando os irmãos dizem que têm provas até ele brinca que tem que treinar “os ferrinhos”.

Os dois rapazes do meio frequentam o Conservatório através de uma modalidade que Mação tem, o Ensino Articulado pelo que, no horário escolar é encaixado o ensino de 3 áreas do Conservatório: Formação Musical, Coro e Instrumento. Um aprende guitarra há 4 anos e outro começou este ano letivo que termina a aprender piano. E digo-vos, é um gosto imenso vê-los a crescer junto com o saber que ali lhes é passado. Um progresso quase diário que me espante. E encanta! Creio que a mais nova lhes seguirá os passos.

A par dos meus filhos vejo tantos miúdos que por ali passaram, que ali estão, que ali complementam o seu saber que, como o pai dizia outro dia aos miúdos, ninguém lhes consegue tirar, é algo que passa a ser deles, parte deles. E é um privilégio, deixem que vos diga.

A par deste Ensino há aulas regulares no Conservatório em que qualquer criança, jovem ou adulto pode aprender um instrumento, dar voz, ou dedos, ou sopro, ou cordas a um sonho adormecido.

Em maio, no mês passado, o FirMação, Conservatório de Música de Mação fez 12 anos. Estávamos em 2009 quando a Câmara Municipal de Mação fez um protocolo com a Canto Firme, Conservatório de Artes de Tomar e passámos a ter este espaço em Mação, onde aprendem música crianças e jovens daqui e de concelhos vizinhos. Não sei quanto custou e custa à Câmara apoiar este espaço, tanto que os custos dos pais não são nada de extraordinário, mas creio que cada cêntimo é muito bem gasto.

Creio que alguns vão aprender um instrumento e aproveitar a sua formação para momentos mais familiares, mais privados, algo mais reservado, mas é um outro saber que têm para estar e partilhar com os seus.

Acredito que outros traçarão a partir dali o seu futuro profissional. E é extraordinário que, tendo nascido no interior, neste nosso interior onde tantos dizem faltar quase tudo, acho mesmo extraordinário que tenham esta oportunidade. Em Mação. E que a agarrem. E que ela os agarre e dê eco a um dom que lhes foi permitido descobrir. Formar. Trabalhar. Ver crescer.

Os professores que ali fui conhecendo são de exceção. Esforçados. Dedicados. Como já era, sempre foi, a Canto Firme de Tomar. Como é há 12 anos o FirMação. Acredito que muita gente não imagine o trabalho que ali é feito e que vamos tendo a sorte de conhecer em concertos pontuais, mas que a Pandemia veio travar. Temos saudades de ver salas cheias, muitos sorrisos e música no ar.

Gosto muito de música. Gosto mesmo. Acho que tudo na vida seria mais fácil e bonito se tivéssemos, permanentemente, música como pano de fundo. E em Mação, ali junto ao Jardim Municipal, no antigo matadouro, há um espaço onde cada sala representa uma oportunidade de aprendizagem de tantos instrumentos para quem ali quiser entrar e abraçar a música. Fazer parte dela. Para que passe a fazer parte de si!

O Firmação fez doze anos. E merece os parabéns por cada ano, por cada aluno, por cada professor, por cada aula, por todo o trabalho que ali se desenvolve! E que não é fácil num país em que, se por um lado se puxa pela cultura, por outro lhe são cortados fundos, possibilidades, numa tentativa quase permanente de a abafar. Numa luta desigual, imperfeita, em que só se continua de cabeça levantada muito à custa de amor, coração, dedicação e apoios locais.

O Firmação fez doze anos. Que venha, pelo menos, mais meia dúzia!

*Imagem de 2019.

Nasceu em Mação em 1978. Estudou em Abrantes, Lisboa, Bruxelas e voltou a Mação, para trabalhar. Licenciada em Sociologia trabalhou sempre na área da Comunicação, primeiro a social, depois a autárquica.
Resgatar memórias e dar-lhes uma quase eternidade é o seu exercício preferido. Considera que a recolha de memórias passadas das gentes de Mação e o apoio na construção das memórias futuras dos quatro filhos é a melhor definição de equilíbrio, o presente da vida.
Acredita, acima de tudo, que nada sabemos de ninguém até ter uma boa, mas mesmo boa, conversa. Porque o que parece, às vezes, não é. Falta-lhe conteúdo. Apresentará neste espaço quem são as gentes de Mação, sem filtros nem preconceitos, só histórias e essência, o verbo Ser das pessoas.

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1 COMENTÁRIO

  1. Este testemunho vem confirmar uma aposta séria da Canto Firme e da Câmara de Mação. É destas palavras que alunos professores e responsáveis precisam para continuar a trabalhar em prol de um país mais culto e feliz. Bem haja

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