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Sábado, Outubro 16, 2021

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“Carta de amor à Mariana e ao seu livro”, por Vera Dias António

Escrevo-nos a 25 de abril de 2021 e, se calhar, esta crónica começou mesmo há 47 anos, quando Portugal se tornou outra coisa, um País diferente, livre.

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Escrevo-nos a um domingo, mas esta história começou ontem, sábado.

Escrevo-vos após o almoço, mas foi de manhã que pensei que era nisto que vos iria falar. 

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Neste domingo em que comemoramos a Liberdade em Portugal fui, de manhã, fazer umas compras e encontrei uma vizinha que me veio perguntar se fui ontem ao lançamento do livro “daquela menina de Cardigos”, que se enganou na hora e não foi, com pena.

E foi aqui que se deu o clique. Porque aquela menina, a Mariana, que ontem lançou um livro em Mação é, na verdade um dos 5 filhos de um casal que há precisamente um ano deixou o Brasil procurando em Portugal uma outra vida para os filhos. E, em Portugal, tiveram a graça de vir ter a Cardigos, no concelho de Mação. 

Pelo que percebi não lhes foi fácil, mas depois, em Cardigos encontraram trabalho, do que viver, onde viver. E vivem. E estão. E esta menina, que há cerca de um ano partiu da sua terra e do seu País é, agora, “aquela menina de Cardigos”. E foi nisto que me pus a pensar. Na grande capacidade que temos de acolher, de apoiar, de receber. 

A Mariana, que nasceu há 16 anos em Ilhabela, litoral norte de S. Paulo – Brasil, e que é agora “aquela menina de Cardigos” sempre gostou de escrever e, creio, perde-se ou encontra-se nas dificuldades da vida, num refúgio chamado escrita, onde é livre, como somos hoje em Portugal.

A Mariana estuda, primeiro de forma presencial na nossa Escola, agora pratica ensino doméstico, junto com os irmãos. Adivinho que com o apoio da mãe. Já o pai, que tem no desenho um dom e que lhe ilustra o livro, encontrou na fábrica de Velas Condestável, em Cardigos, trabalho e sustento para a família. Esta fábrica que muito orgulha Mação, começou no avô António e tem, agora, no neto André a certeza de futuro. O André apresentou, orgulhoso, o livro da Mariana. A fábrica da família do André, onde trabalha o pai da Mariana, apoiou a edição do livro. De igual forma, o apoio da Junta de Cardigos e da Câmara Municipal de Mação, possibilitaram que o livro da Mariana nos pudesse chegar às mãos, a minha casa, este sábado, véspera do 25 de abril. O meu livro vem com dedicatória aos meus 4 filhos, pela mão da Mariana, que lhes escreveu o desejo de que partam dali ao mundo da imaginação. 

Junto com o livro, quem o adquiriu ontem no lançamento em Mação ganhou ainda uma vela da Fábrica Condestável, de Cardigos. Maravilhoso! A minha filha Rita, que me acompanhou, não mais largou a vela e dizia no carro, quando voltámos a casa, que é para acender quando estiver escuro e ela tiver medo. Não sabe a Rita, ainda, que os livros são também eles bonitas velas que nos iluminam.

A Mariana, “aquela menina de Cardigos”, que nasceu há 16 anos em Ilhabela escreveu um livro, e já sabe que é o primeiro de três, porque idealizou uma trilogia à volta d’ “A Lenda dos Liontári”. A primeira parte intitula-se “Em Busca do Medalhão”.

Não sei quase nada sobre a Mariana que ontem nos trouxe, tímida e muito comovida, o seu livro, mas espero mesmo que continue a sentir-se amada e bem-recebida entre nós. 

Também sei ainda pouco sobre o livro, mas já o espreitei, já embarquei em busca do medalhão. E descobri, já, um livro que nos fala de família, de amor, que nos traz excelente retrato e crítica social, pelo olhar de uma menina perspicaz. E, mais, que leva a um mundo de fantasia, seres fantásticos e esperança.

Não sei onde fica esta cidade que a Mariana idealizou, a não ser que existiu há milhares de anos, envolvida em veludo verde natural e que, bem, tinha por nome Colina Verde. 

Se calhar esta cidade ficou no Brasil. 

Se calhar encontrou-a em Cardigos, não tivessem as duas uma praça central. 

Ou se calhar são todas as cidades do mundo onde uma qualquer família “Liontári”, pobre, mas envolvida em amor e valores bem definidos, tem nos seus filhos um bem maior, filhos predestinados a algo extraordinário.

Os irmãos do livro, vou descobri-los nesta tarde de chuva com cheiro a terra e liberdade. 

A Mariana, continuaremos a descobrir por aqui, com a promessa do segundo livro para o ano que vem. 

Sê bem-vinda a Mação, Mariana. Portugal é hoje um país que pode e sabe acolher e a prova é seres, já, “aquela menina de Cardigos”.

O livro da Mariana está a venda por aí, partam com ela em busca do medalhão em qualquer plataforma de venda de livros. 

Nasceu em Mação em 1978. Estudou em Abrantes, Lisboa, Bruxelas e voltou a Mação, para trabalhar. Licenciada em Sociologia trabalhou sempre na área da Comunicação, primeiro a social, depois a autárquica.
Resgatar memórias e dar-lhes uma quase eternidade é o seu exercício preferido. Considera que a recolha de memórias passadas das gentes de Mação e o apoio na construção das memórias futuras dos quatro filhos é a melhor definição de equilíbrio, o presente da vida.
Acredita, acima de tudo, que nada sabemos de ninguém até ter uma boa, mas mesmo boa, conversa. Porque o que parece, às vezes, não é. Falta-lhe conteúdo. Apresentará neste espaço quem são as gentes de Mação, sem filtros nem preconceitos, só histórias e essência, o verbo Ser das pessoas.

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