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Segunda-feira, Setembro 27, 2021

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Carril | Barry Chattington, o realizador que percebeu com Paul McCartney que não queria ser famoso (c/VIDEO)

Barry Chattington realizou o video “The other side of The Wall’ (o making of do “The Wall”), para os Pink Floyd, e trabalhou com figuras mundiais do mundo do espetáculo como Monty Python ou Paul McCartney, com quem percebeu que não queria ser famoso. Hoje, o realizador e produtor britânico, a última pessoa a filmar Grace Kelly antes do acidente que a vitimou, vive na aldeia do Carril, em Ferreira do Zêzere, e dedica-se a um projeto de sustentabilidade energética. A entrevista é da jornalista Cláudia Gameiro. 

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Na conversa com a jornalista, na pacatez da aldeia do Carril, Barry Chattington diz que o cinema via streaming está-se a tornar extremamente longo e aborrecido. Na Líbia, enquanto gravava um documentário, teve uma kalashnikov apontada ao pescoço. Foi a última pessoa a filmar Grace Kelly antes do acidente que a vitimou. Aprendeu com o amigo Paul McCartney que não queria ser famoso. Aos 74 anos, o realizador britânico Barry Chattington vive em Carril, no concelho de Ferreira do Zêzere, e tem uma vida pacata, dedicando-se a um projeto de sustentabilidade energética, a CCETV. 

É um homem baixo e bem disposto, com um inglês de sotaque pouco carregado e com quem se consegue conversar com facilidade. Pede continuamente desculpa por, ao fim de 15 anos em Portugal, ainda não ter aprendido a língua, apesar de já ter tido aulas. Por terras lusas todos falam inglês e ele foi-se acomodando. 

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Barry Chattington fez o filme “The other side of the Wall” dos Pink Floyd Foto: mediotejo.net

Chattington é um realizador e produtor britânico que, entre os vários projetos que teve na vida, a maioria nos anos 80, se cruzou e ficou amigo do músico Paul McCartney, com quem fez vários filmes documentais. Teve ainda oportunidade de trabalhar com os Pink Floyd, Monty Python e Grace Kelly, integrando também a primeira equipa europeia a ser autorizada a filmar na Arábia Saudita.

No âmbito de uma época de trabalho documental no Médio Oriente, acabou a acompanhar entrevistas a vários líderes políticos, como o antigo presidente e ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, e à então Primeira-Ministra da Índia, Indira Gandhi. 

Nunca fez um grande filme de ficção, embora admita que tem um projeto na gaveta sobre “drag queens” que nunca desenvolveu. Segundo explica ao mediotejo.net, filmes assim precisam de um ano de produção e uma grande dedicação do realizador, podendo resultar num enorme fiasco. Chattington preferiu sempre projetos mais pequenos, originais e documentais.

Começou pela pós-produção, a editar, tendo bastante trabalho ao nível da publicidade e da televisão, antes de se tornar ele próprio realizador. Neste âmbito fez um conjunto de filmes para a indústria musical, nomeadamente para Paul McCartney e os Pink Floyd. Com McCartney chegou a desenvolver uma amizade, admitindo que foi por causa dele que sempre fugiu da fama.

Com Sandra Lean escreveu “David Lean: An Intime Portrait”, um livro sobre o realizador de “Doutor Jivago” Foto: mediotejo.net

“Paul é parte da razão porque nunca quis ser famoso”, reflete. “Ele é famoso desde os 19 anos e não pode ir a lado nenhum”, constata. Já os Pink Floyd passam facilmente despercebidos, porque as suas imagens raramente surgem na comunicação social.

“A princesa Grace do Mónaco não podia ir a lado nenhum, havia sempre centenas de pessoas e paparazzi atrás dela”, recorda. “Quem é famoso, a dada altura já não o quer ser”, comenta, “conheci mulheres lindíssimas que passavam horas a colocar-se menos bonitas para poderem sair à rua”. 

No seu currículo tem ainda uma interessante passagem pelo Médio Oriente, onde filmou uma série de programas para a Kuwait Tv. No final dos anos 80, integrou a primeira equipa europeia autorizada a filmar na Arábia Saudita e esteve numa conferência das Nações Unidas onde compareceram alguns dos maiores líderes da época. Fez uma grande entrevista com Indira Gandhi e outra com Muammar Kadhafi, “um homem estranho”, reflete. Na Líbia, onde também filmou, chegou a ter por duas vezes uma kalashnikov apontada ao pescoço. “Não foi uma situação agradável”.

Sendo um dos jurados dos BAFTA (os prémios ingleses de televisão e cinema), todos os anos recebe largas dezenas de DVDs que, após visualizar, tem que destruir. É por esta particularidade que é conhecido no Carril, terra para onde se mudou há uma década, depois de um período em Cascais, e onde vive uma vida pacata, satisfeito com a amabilidade e respeito da população.

“Toda a gente é muito simpática. Há um respeito pela vida dos outros”, comenta, salientando a ausência do tipo de stress de quem vive nas grandes cidades, o espaço e o silêncio. “Eu gosto de estar aqui”.

Barry Chattington vive no Carril, em Ferreira do Zêzere Foto: mediotejo.net

Tem alguns amigos também estrangeiros entre a comunidade local, mas tem vivido a pandemia sozinho, falando com os filhos pela internet e participando em webinares sobre cinema. Perguntamos-lhe se alguém famoso já passou por estas paragens, mas remata que nunca o admitiria, porque preserva a intimidade dos amigos.

Acabamos a refletir sobre a transformação da indústria do cinema e como Barry, outrora grande frequentador de festivais como o de Cannes, vê as mudanças no setor. O streaming tornou os filmes muito longos e aborrecidos, reflete, perdendo-se a força das histórias. “Não se pensa tanto no público”, constata.

“A minha geração cresceu a ver publicidade”, reflete, filmes de 30 segundos onde os papeis da história estavam bem definidos e permitiam ao espetador perceber de imediato a história. Agora os enredos são esticados por horas e horas, sem que isso acrescente muito mais à história. “Algo está a acontecer” às produções cinematográficas, reflete, numa situação que está a transformar o setor. 

Barry Chattington viveu estes dois anos de pandemia isolado na sua casa no Carril e sem ver os filhos, conforme nos confessa, mas não propriamente sem fazer nada. Chattington faz trabalhos para a CCETV, um canal digital onde se promove a sustentabilidade energética.

Nos tempos do isolamento social, também não esteve propriamente sozinho. A cantora canadiana, apaixonada por Portugal, Tammy Weis, passou pelo Carril, gravando aqui o vídeo do seu “Hold on for Love”, dirigido pelo próprio Barry, um trabalho inspirado no confinamento. Perguntamos-lhes que outras pessoas famosas já passaram por estas paragens e ficaram em sua casa. Ele ri-se e afirma que nunca revelaria tal informação.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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