Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Segunda-feira, Outubro 18, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Caril”, por Armando Fernandes

Os familiarizados com os comeres da Índia, Paquistão e adjacências não desconhecem a importância do caril nos receituários daquelas paragens, também os portugueses que viveram em Macau e Moçambique tiveram oportunidade de perceberem os efeitos desta mistura de especiarias indianas apresentada em pó ou em pasta.

- Publicidade -

Na Índia cada cozinheiro elabora o seu próprio caril, talvez por isso o termo caril prevalece sobre o alimento preparado, que fica condimentado e colorido de amarelo. Os cozinheiros têm a liberdade de prepararem os seus caris, desde que respeitem os usos de cada região, e a casta.

No Ocidente, especialmente após a implantação e imposição comercial da Companhia das Índias a fórmula de preparar a mistura passou a ser fixa, daí a estranheza ddos visitantes quando viajam para aquelas paragens ao lhe servirem caris diferentes dos que lhe servem em muitos restaurantes europeus.

- Publicidade -

Porque a curiosidade é mãe da indagação, da procura e da pesquisa, as fornecedoras desta amarela composição já apresentam outras variedades que não prescindem dos elementos básicos – cardomomo, pimento, pimenta, curcuma, coentro, cominho, cravo-da-Índia, gengibre, noz-moscada e tamarindo.

Além destes elementos a criatividade e o paladar dos cozinheiros adicionam aos seus caris muitas mais especiarias, no antigo Ceilão adicionam-lhe leite de noz de coco e/ou iogurte, na Tailândia pasta de camarões secos. Os caris líquidos, obviamente, não se apresentam em caixas de madeira das coníferas, só secos ou em pó, a cor também varia, desde o branco ao verde, passando pelo amarelo-dourado, o castanho e o vermelho.

Os vegetarianos incluem-no em várias composições, no seio dos carnívoros e «peixeiros» acontece o mesmo, especialmente na carne de aves, e borrego, ao modo dos indianos, dos chineses ou ingleses.

A globalização leva e traz toda a casta de produtos, a maioria dos combatentes na guerra colonial aprenderam a gostar e a soprar os lábios após lautas cariladas no intervalo das inúteis acção de combate, a dupla temperatura (alta) introduziram o hábito de as acompanhar bebendo cerveja. Gelada, pedia-se nos improvisados restaurantes e arremedos de refeitórios.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome