Canoagem: Termina hoje mais uma época de ‘Os Patos’. E o futuro?

Termina hoje, 3 de setembro de 2016, mais uma época desportiva da secção de canoagem do Clube Desportivo “Os Patos”, onde estiveram envolvidos quase três dezenas de atletas, com idades compreendidas entre os 10 e os 23 anos, além da “prata da casa”, os veteranos. O mediotejo.net esteve a ‘pagaiar’ com o clube de Rossio ao Sul do Tejo, para perceber como se molda o caráter dos homens e das atletas, quais as perspetivas futuras da modalidade em Abrantes, e também como se formam campeões, sendo o caso da atleta olímpica Francisca Laia o de maior visibilidade.

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Foi uma época de intenso trabalho, cujo treinador principal continuou a ser João Laia, tendo como adjuntos, Gonçalo Milho e André Crispim, jovens que estão a terminar o curso de treinadores de Grau I. Ao longo da época e durante o período letivo os treinos eram três a quatro vezes por semana, ao passo que nos períodos das férias escolares, treinaram todos os dias.

Ao fim de mais um ano de trabalho, João Laia considera que os resultados não são comparáveis a anos anteriores, mas mesmo assim foi uma época positiva, principalmente nos escalões mais jovens (infantis, iniciados e cadetes) com a presença em algumas finais nacionais. Na Paracanoagem, o emblema do Rossio ao Sul do Tejo, também conseguiu alguns resultados de grande relevo, com o destaque a ir para Francisco Cruz, que se sagrou Campeão Nacional de Fundo e de Velocidade.

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Quando uma época termina é normal que haja uma análise ao trabalho desenvolvido, mas depois das declarações de Francisca Laia ao mediotejo.net (ver noticia de 1 de setembro de 2016), em que a atleta do Sporting Clube de Portugal e formada em “Os Patos” dizia que não sabia se a canoagem iria continuar nos Patos e em Abrantes, fomos auscultar as opiniões de Hélder Rodrigues, presidente do Clube, e de João Laia, treinador principal da canoagem do clube rossiense e principal cara da modalidade na instituição.

Para o treinador João Laia agora é altura de descansar, repensar o projeto da canoagem e esperar que quem decide, decida. “Terminou mais uma época, agora vou de férias e a canoagem vai parar. Se vai reabrir para mais uma época não depende de mim. Sou treinador há 18 anos, pela secção já passaram muitas pessoas e esta época estive praticamente sozinho. Contei com a ajuda dos dois jovens que continuaram comigo, mas nós os três somos pouco para desenvolver o trabalho que achamos ser possível desenvolver”.

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Questionado se já fez chegar as suas ideias a quem de direito, João Laia é pronto na resposta. “Já transmiti o que penso e o que julgo ser uma boa base de trabalho ao presidente do Clube e a elementos da Câmara Municipal. Agora é esperar para ver. Um dos pontos essenciais é haver mais pessoas envolvidas no processo. Sei que não é fácil arranjar pessoas para outras modalidades em que todos conseguimos ter opinião, quanto mais numa modalidade com a especificidade da canoagem. Eu não sou formado em desporto, pratico canoagem há 42 anos e isso também conta, mas talvez fosse possível trazer para o Clube e para a modalidade, com o esforço de várias entidades, pessoas ligadas à área do desporto.”

Por fim João Laia deixa o lamento, “Por mim a modalidade não acaba, e se acontecer é com muita pena que o vejo acontecer, mas sozinho é muito complicado. Só para se perceber melhor as coisas, para além de treinador sou eu que faço a manutenção aos barcos, afinando-os e reparando-os quando é necessário.”

joao laia foto de josé manuel d'oliveira e sousa
João Laia, treinador de canoagem do Clube Desportivo “Os Patos”. Foto José Manuel d’Oliveira e Sousa

Para Hélder Rodrigues, presidente do Clube Desportivo “Os Patos”, o que ocorre nesta altura com a canoagem do clube é perfeitamente normal e igual a qualquer outra modalidade de um outro qualquer clube.

“Na canoagem, como no futsal, como em qualquer modalidade tem os problemas inerentes a um regime de 100% voluntariado. A canoagem é uma modalidade particular, porque é mais complicado encontrar pessoas com competências técnicas que possam acrescentar algo. O João foi sempre o líder deste processo, nos últimos anos com em colaboração com o José Miguel que por razões pessoais e profissionais não pode colaborar mais recentemente. O que vai acontecer agora é nesta altura de paragem, vamos aproveitar para encontrar uma solução condizente com as condições que temos atualmente, para continuarmos este projeto. Não está em cima da mesa a extinção da modalidade do clube, só se não tivermos mesmo ninguém. O que temos é de redimensionar o projeto. Vamo-nos continuar a focar na competição e na formação, mas se calhar voltar um pouco às origens, com escalões de base e crescendo em função do que for a nossa capacidade, sempre com o João a liderar o processo”.

Para o líder do clube rossiense, também a resolução dos problemas com o açude de Abrantesé um ponto importante para que a modalidade possa continuar no clube, tendo em conta o espelho de água que aquela infraestrutura proporciona, quando insuflado.

“Se a questão do açude se estender durante muito mais tempo tornar-se-à muito difícil. Não sei se é coincidente ou não, mas as maiores dificuldades que o clube atravessou na canoagem foi agora com as obras na ponte e com o açude não estar em funcionamento, o que impossibilita um planeamento correto e certo da época e dos treinos. Os atletas para prepararem algumas provas, atualmente, têm que treinar às 8 horas e 30 minutos que é quando o rio tem menos corrente, e isto é quando dá, porque muitas das vezes nem a essa hora dá para treinar”, contou.

“Para já não temos muitos dados concretos sobre a resolução do açude. Sei que a Câmara Municipal anda a envidar esforços para resolver o problema o quanto antes, mas mais que isso não sei. O que sei é que não se pode repetir o que se passou no passado recente, em que para treinarmos tínhamos que andar com a “casa às costas” para Aldeia do Mato e Belver, porque isso logisticamente e financeiramente é incomportável e insustentável”, constatou Rodrigues.

Quanto a um salto para a profissionalização ou semi-profissionalização do corpo técnico da canoagem no clube, Hélder Rodrigues não tem qualquer dúvida: “também no futsal já colocámos essa hipótese, mas para um clube inserido numa região como a nossa e num concelho como o de Abrantes, quer queiramos quer não, se não for o apoio da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia não têm hipótese de sobreviver, porque as empresas por impossibilidade ou por falta de vontade não apoiam. Então como é que se pode garantir a subsistência de um treinador a meio-tempo ou a tempo inteiro?”, questiona.

A fechar a ‘pagaiada’, o presidente d’ “Os Patos” deixa uma mensagem aos sócios do clube e aos simpatizantes da modalidade. “Estou plenamente convencido que a canoagem não termina nos Patos, fiquem descansados. Agora é como digo, sou presidente do Clube e em termos técnicos, quando é preciso, dou uma ajuda no futsal, de canoagem é que não percebo nada. Farei todos os possíveis, com a ajuda do João com certeza, para encontrar uma solução que nos ajude a ultrapassar esta situação e nos ajude a projetar novamente. Prometo trabalhar nos limites do que é a nossa capacidade para que a canoagem não termine e sei que o João está imbuído do mesmo espírito e que nos vai ajudar a projetar, uma vez mais, esta modalidade que ele tanto gosta e que foi ele o grande responsável por ela ter ganho a dimensão que ele ganhou no nosso concelho e na nossa região”, disse Hélder Rodrigues.

HR
Hélder Rodrigues, Presidente do Clube Desportivo “Os Patos”

 

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