Canoagem: “Kika”, a abrantina que vai em busca da Final nos Jogos Olímpicos

Foto Francisco Oliveira e Sousa

A abrantina Francisca Laia prepara nesta altura a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no Centro de Alto Rendimento em Montemor-o-Velho, e falou ao mediotejo.net sobre o que fará nestes dias que antecedem a prova mais importante da sua carreira.

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A duas semanas de entrar em ação no Rio de Janeiro, nada foge do que é habitual como preparação de uma grande competição. “Os dias são iguais a todos os outros para qualquer prova que preparo. Treinos bi-diários, recuperação e descanso à quinta e domingo. Não há diferenças entre os Jogos Olímpicos e uns Mundiais, por exemplo. Todos pensam que por serem os JO têm uma preparação diferente de todas as outras, mas não é verdade. Para nós, atletas, é mais uma prova, e temos que as preparar todas ao máximo. Para lá chegarmos temos que conseguir fazer todas as outras provas na nossa melhor forma. A preparação é exatamente igual, as rotinas são iguais, a alimentação é a mesma, porque queremos estar sempre na nossa melhor forma, para representar Portugal sempre ao mais alto nível. Esse é sempre o objetivo”, explicou.

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O cenário em que Francisca Laia irá competir, no Rio de Janeiro. Foto: DR

Nem mesmo o facto de ir competir num “barco” onde só treinou por duas vezes, não a desmotiva. “Vou num barco com um design escolhido propositadamente para os Jogos Olímpicos, remei apenas duas vezes nele, porque já foram para o Brasil, mas em termos de modelo é exactamente igual ao que eu remo, penso que as diferenças não vão ser muitas. Não há duas coisas exatamente iguais, por vezes só a mudança de cor interfere, mas penso que não será por aí”.

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Estes são os primeiros Jogos da sua carreira e o facto de serem no Brasil, para Kika, já torna a estreia mais especial. “É a primeira vez que os Jogos vão ser num país de língua portuguesa, o que os torna mais especiais e para mim que são os primeiros ainda mais memoráveis são”. Mesmo a diferença de clima não assusta a abrantina. “Atualmente em Portugal até está mais calor do que lá. Pode fazer alguma diferença, mas não fará A diferença. Estamos a treinar cá com 40 graus, se lá estiverem 26 mesmo com a humidade carateristica, julgo que não será significativo. Também vamos 5 dias antes das provas, para nos habituarmos ao fuso horário e ao clima”.

O novo barco que leva aos Jogos Olímpicos. Foto: DR
O novo “barco” que leva aos Jogos Olímpicos. Foto: DR

Quando a ambições e aspirações, a única coisa que promete é dar o melhor de si. “O objetivo é sempre representar Portugal e tudo o que represento, seja Abrantes, a Universidade de Coimbra ou meu clube, ao mais alto nível. Vou com a intenção de chegar à Final. Vai ser difícil, mas não é impossível e vamos lutar por isso. Todas as pessoas me dizem que vou ganhar uma medalha, mas temos que ser realistas e temos que ver o nível a que estamos a competir. Sei perfeitamente que pela minha idade e por não estar a treinar fisicamente para os 200 metros há muito tempo, as chances de medalha que tenho é praticamente nula. Não é falta de ambição, é apenas ser realista e saber que o nível internacional do K1 200 metros é muito elevado”, e rematou dizendo que o Diploma Olímpico já seria “a cereja no topo do bolo” e que apesar de no seu escalão, mesmo a nível internacional, já ter um currículo invejável, não sente a mínima pressão por isso, pois considera que antes de olharem para ela, há outras atletas presentes com melhores resultados a nível absolutos.

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A pouco mais de quinze dias de entrar em ação, pensa na prova, mas não sente nenhum nervosismo extra por isso. “É normal nós pensarmos porque treinamos para isto e é objetivo maior da época, mas ainda não estou a sentir os nervos. O meu objectivo era estar lá presente, não tenho nada a perder, porque não sinto a pressão de ter de ir para ganhar uma medalha. O meu dever era conseguir o apuramento e consegui. Se as provas saírem como espero que saiam, sei que não vou desiludir, nem ficar desiludida com o meu desempenho. Quero é desfrutar e aproveitar cada metro da prova”, e prossegue, “Felizmente estou num grupo com atletas experientes nestas andanças e isso é sempre uma mais valia em termos de ensinamentos”.

Vai viajar para o Brasil apenas no dia 10 de agosto, cinco dias após o início do evento, o que a vai fazer perder a Cerimónia de Abertura do Jogos. Sendo uma ocasião marcante para quem participa, isso não deixa triste a canoísta de Abrantes. “Apesar de serem os Jogos Olímpicos, volto a dizer que são uma prova como outra qualquer. Certo que é o maior evento multi-desportivo do planeta, mas para quem compete, é mais uma prova. Temos é que estar focados e ter o mínimo de distrações. Não tinha sentido irmos quase um mês mais cedo para o Brasil, quando lá as condições de treino não são as melhores e não nos permitem estar preparados da melhor forma para competir. Eu quero é treinar bem e ter um bom desempenho. Até lá o foco é a prova”, disse sem hesitar.

Francisca Laia terminou a conversa com o mediotejo.net deixando um apelo a quem cá fica a “puxar” por ela. “Apoiem-nos a todos, não só a mim e à canoagem, mas apoiem todos e acompanhem todos os atletas. Estamos num ano em que Portugal está a ter excelentes resultados internacionais em quase todas as modalidades e penso que os Jogos Olímpicos não vão ser diferentes.”

Kika vai ter o seu primeiro dia de competição a 15 de agosto, nas eliminatórias de K1 200 metros. A sua competição decorrerá no Estádio da Lagoa, uma infraestrutura com capacidade para 8 mil pessoas.

Foto Francisco Oliveira e Sousa
Foto: Francisco Oliveira e Sousa

Francisca Dias Laia, nasceu a 31 de maio de 1994 (22 anos), em Abrantes. É solteira e estudante do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. O “bichinho” da canoagem cedo lhe “mordeu”. A primeira prova em que participou tinha apenas 8 anos, muito por culpa do pai, também ele praticante da modalidade desde os dez anos, que a incentivava e ensinava, tendo sido nos primeiros anos o seu treinador. Tudo sempre como atleta do Clube Desportivo “Os Patos” de Rossio ao Sul do Tejo, onde teve a formação canoística de base, com grande destaque a nível distrital e regional.

Logo em 2003, com idade de infantil, sagrou-se Campeã Regional de Velocidade em K1 500 metros, repetindo o êxito no Regional de Fundo e de Promessas no ano seguinte, em K1 5000 metros e 4000 metros respectivamente, entrando a partir dai em “velocidade cruzeiro” rumo ao sucesso.

Desde 2009, com idade de Cadete, que é presença assídua na Seleção Nacional dos vários escalões. Ainda com idade de Cadete, em 2010, vence o Campeonato Nacional de Maratona, o Campeonato Nacional de Esperanças e é Vice-Campeã Nacional de Fundo. Em 2011 e 2012 dominou a velocidade, sagrando-se Campeã Nacional de Velocidade em K1 nos 1000, 500 e 200 metros, voltando a repetir o êxito em 2014 nos 500 e 200 metros. Em 2013, mas em K2, foi Campeã Nacional de 500 e 200 metros.

Francisca Laia
Francisca Laia na partida da prova que lhe deu o “passaporte” para o Rio de Janeiro 2016. Foto: DR

Também a nível internacional já detém resultados de grande relevo. Em 2011, em K1 200 metros, foi Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Juniores Sub-23, na Croácia, lugar que repetiu em 2012, em Portugal, e 8ª classificada no Campeonato do Mundo de Juniores, na Alemanha. Em 2015 foi Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Sprint de Sub-23, na Roménia, Vice-Campeã do Mundo de Sprint Sub-23 em K1 200 metros e Medalha de Ouro em K4 500 metros na Taça do Mundo de Sprint.

Já em 2016 sagrou-se Campeã do Mundo ao vencer os Mundiais Universitários em K1 200 metros e K2 500 metros e conseguiu o 4º lugar na Final de K1 200 metros, na etapa de qualificação europeia para os Jogos Olímpicos, classificação que lhe valeu o “passaporte” para os JO do Rio de Janeiro 2016.

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Francisca Laia. Foto Comité Olímpico Português

Em fevereiro deste ano assinou pelo Sporting Clube de Portugal porque há oportunidades na vida que não se têm duas vezes e a mudança para os “Leões” iria trazer-lhe um conjunto de contrapartidas que não teria se continuasse no clube do concelho de Abrantes. “Foi uma oportunidade de tornar a minha situação na canoagem um pouco mais profissional, viver também um pouco da canoagem e mudar. Crescer um pouco e aproveitar a oportunidade que me estava a ser dada, que incluía uma série de condições e de apoios a todos os níveis, que me têm permitido estar melhor. “Os Patos” foi o clube onde eu aprendi o que é a canoagem, onde cresci e me formei, mas na altura, tal como agora, é um clube limitado e Abrantes não encara a canoagem como profissional e ao nível em que estou precisava de um clube que encarasse a canoagem dessa forma. Em Abrantes praticamente nunca foi feita uma aposta, quer pela Câmara Municipal ou pelo Clube, de tornar as coisas mais profissionais, tal como noutros pontos do país, como Ponte de Lima ou Prado, que têm a intenção de formar atletas para estarem ao mais alto nível.”

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