Campanha de crowdfunding para ajudar Arlindo Marques está na reta final

A campanha de angariação de fundos para defesa de Arlindo Consolado Marques termina esta sexta-feira, dia 16 de março, mas ainda não foi alcançado o objetivo de 21 885 euros. Para ajudar a pagar as despesas em tribunal do ‘Guardião do Tejo’, processado pela empresa Celtejo, que pede uma indemnização de 250 mil euros, foi aberto um crowdfunding na plataforma PPL, tendo sido angariado até ao momento um montante de quase 19 mil euros.

Natural de Ortiga, no concelho de Mação, freguesia ribeirinha do Tejo, com o qual conviveu toda a sua vida, Arlindo Marques é ambientalista, membro e secretário da mesa do Conselho Deliberativo do proTEJO, movimento que desencadeou o processo de crowdfundig que começou a 16 de janeiro e termina esta sexta-feira, às 18h00.

Arlindo Consolado Marques, conhecido como ‘Guardião do Tejo’, denuncia a poluição no rio desde 2015, num exercício de cidadania. A sua prática é simples: com uma câmara de vídeo filma o foco de poluição ou de mortandade de peixes e publica o vídeo nas redes sociais. Mas as suas denúncias resultaram numa ação judicial e num pedido de indemnização no valor de 250 mil euros.

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Ao acusar a Celtejo-Empresa de Celulose do Tejo, do Grupo Altri, de responsável pela poluição do rio, a empresa de celulose instaurou no Tribunal de Santarém um processo contra o ambientalista, reclamando uma indemnização de 250 mil euros por “difamação”, alegando ofensas à sua credibilidade e bom nome. O financiamento colaborativo irá, assim, suportar a defesa em tribunal de Arlindo Marques.

A campanha de financiamento, com o mote “Somos Todos Arlindo Marques”, propõe-se reunir 21 885 euros, valor que no site PPL cobre um orçamento com várias despesas inscritas que vão desde as custas processuais ao pagamento dos advogados. A plataforma acrescenta que o valor não utilizado no âmbito do processo será destinado à restauração fluvial do rio Tejo.

A luta de Arlindo pela defesa do Tejo é sentida por muitos cidadãos ribeirinhos. No texto da campanha de apoio, por exemplo, pode ler-se: “Esta ação contra o Arlindo Consolado Marques é uma ação contra todos os cidadãos de Portugal e Espanha que defendem o rio Tejo e contra todos os defensores do ambiente, consistindo num ato de intimidação que tenta condicionar o direito constitucional que todos os cidadãos têm de expressar livremente a sua opinião e o dever constitucional que todos os cidadãos têm de defender o ambiente”. Prevê-se que o processo em tribunal se prolongue por dois anos.

A PPL utiliza a mecânica “tudo ou nada”. Se o montante mínimo não for angariado, o promotor não receberá nada e os fundos serão devolvidos aos apoiantes.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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