Câmara de Vila Nova da Barquinha critica cheias “fora de tempo”

A intervenção será desenvolvida nos concelhos de Santarém, Cartaxo e Azambuja, com o objetivo de “garantir a funcionalidade hidráulica dos diques”, ou seja, precisou a agência, “assegurar a sua função primordial de amortecimento e controlo do impacte das cheias nas povoações de Valada, Reguengo de Valada e na parte sul do Porto de Muge”. Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, criticou hoje a ocorrência de prejuízos provocados por cheias “fora de tempo” no rio Tejo e reclamou um debate urgente sobre a gestão dos caudais.

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“As cheias que estão outra vez à nossa porta derivam de questões meramente economicistas por parte das hidroelétricas, portuguesas e espanholas, e impõe-se um debate sério sobre estas cheias fora de tempo e a questão da gestão dos caudais do Tejo”, disse à agência Lusa Fernando Freire (PS).

Segundo a Proteção Civil, o agravamento súbito dos caudais libertados pelas barragens espanholas vai provocar, a partir do final da tarde de hoje, o galgamento de margens e a ocorrência de episódios de cheia na bacia do Tejo em Portugal.

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“Importa, de uma vez por todas, quantificar um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos da Bacia Hidrológica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na Convenção de Albufeira, bem como a execução de ações concretas para repor o sistema fluvial natural e o seu ambiente”, vincou.

As barragens portuguesas do Cabril e de Castelo do Bode estavam esta manhã com a sua capacidade de armazenamento a 100% e 97%, respetivamente. As barragens espanholas de Cedilho e Alcântara, por sua vez, estavam hoje com 93% e 94% da sua capacidade total de armazenamento.

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“Não faz sentido ver o rio Tejo sem água no outono e inverno e só agora as barragens libertarem este volume de água por estarem no limite da capacidade de armazenamento”, defendeu o autarca, tendo observado que as águas “estão a subir rapidamente” e que a proteção civil municipal “está no terreno a monitorizar e a avisar os proprietários para removerem todos os equipamentos” que se encontram em zonas ribeirinhas.

“Em causa estão pessoas, bens e todo um investimento municipal e do erário público em equipamentos turísticos junto ao Tejo”, destacou, tendo afirmado que se prevê a inundação de bares ribeirinhos, do cais de Tancos, e que as visitas ao Castelo de Almourol foram canceladas ao início da tarde por motivos de segurança.

“Este alerta súbito de cheia no Tejo coloca em evidência a necessidade de debater e tomar medidas concretas em relação à gestão dos caudais, que se pretendem regulares e ambientalmente sustentáveis”, defendeu Fernando Freire.

“Não podemos ter uma visão meramente economicista da gestão das águas do rio sem o interesse conjugado com o das populações ribeirinhas”, notou ainda, acrescentando estar “expectante” sobre as conclusões do relatório da Comissão Parlamentar do Ambiente (CPA) sobre esta matéria.

“O relatório da CPA vai ser conhecido no final do mês de junho e tenho alguma expectativa sobre o conteúdo do mesmo na questão dos caudais, sendo certo que o município de Vila Nova da Barquinha vai assumir desde já esta questão e vai promover em julho uma conferência, com especialistas nacionais, sobre a sustentabilidade do rio Tejo e políticas de desenvolvimento, preparatória do Congresso Tejo III”, avançou.

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A Proteção Civil de Santarém anunciou às 12:00 o agravamento súbito e significativo dos caudais libertados pelas barragens espanholas tendo alertado para o galgamento de margens e a ocorrência de episódios de cheia na bacia do Tejo, com impacto e submersão de zonas ribeirinhas da Golegã, cais de Tancos, em Vila Nova da Barquinha, zona baixa de Constância e em Reguengo do Alviela.

Também os Bombeiros Municipais de Santarém lançaram um aviso, referindo que na madrugada de terça-feira é previsível a submersão da Estrada Nacional 365 em Palhais, entre a ribeira de Santarém e Alcanhões e entre a ponte do Alviela e o Pombalinho, “isolando a povoação de Reguengo do Alviela”. Prevê-se ainda a submersão do Caminho Municipal 1348, entre a ribeira de Santarém e Vale Figueira.

 

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