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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Câmara de Alcanena defende punição de “responsáveis por más práticas” ambientais

A Câmara de Alcanena reagiu à notícia de enterramentos de resíduos por uma empresa de curtumes do seu concelho sublinhando que pugna pela punição de “todos os responsáveis por más práticas”.

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“A Câmara Municipal de Alcanena, em articulação com todas as entidades, está determinada a trabalhar e a colaborar para que as Boas Práticas Ambientais sejam uma realidade e que todos os responsáveis por más práticas sejam punidos. Tem sido esse o nosso desígnio”, afirmou a presidente do município, Fernanda Asseiceira (PS), numa resposta escrita à Lusa.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) divulgou na segunda-feira o resultado de uma operação realizada juntamente com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto da Soldadura e Qualidade e a Câmara Municipal de Alcanena, em cumprimento de um mandado de busca e de apreensão não domiciliário, numa indústria de curtumes localizada no concelho de Alcanena, na sequência de uma investigação por crime de poluição.

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No decurso da operação, realizada por “suspeita da prática de deposição de resíduos de curtumes, foram realizadas várias escavações no solo, com recurso a uma retroescavadora, onde foi possível comprovar a existência, em dois terrenos adjacentes à indústria, de indícios de enterro de raspas azuis e verdes, bem como lamas provenientes das lagoas existentes, com eventual contaminação dos lençóis freáticos”, afirmou a ASAE em comunicado.

“Nestas diligências no solo, foi confirmada a deposição incontrolada de resíduos orgânicos (peles), lamas e, ainda, resíduos de construção e demolição (RCD). Com estas aberturas, a maioria das valas acabou por ficar submersa com água, que brotava do solo (aquíferos), com cheiro e coloração, indiciando uma eventual contaminação dos solos”, acrescenta.

Segundo a ASAE, foram efetuadas quatro colheitas de solo e duas de água “para a devida análise laboratorial e consequente elaboração do respetivo parecer, no âmbito do processo-crime em curso”.

A Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC) reagiu à notícia declarando repudiar “com toda a veemência” práticas poluidoras como as identificadas pela ASAE, pedindo que seja especificado se a deposição de resíduos detetada é recente ou se tem décadas.

Gonçalo Santos, secretário-geral da APIC, disse à Lusa que a prática de enterramento de resíduos como a descrita pela ASAE deixou de ser feita “há décadas” e que vê “com estupefação” que possa ter ocorrido recentemente.

A ter acontecido, “as indústrias de curtumes unanimemente condenam de forma veemente práticas que não representam um setor que tem vindo a investir em medidas para acautelar a área ambiental e preza os valores da economia circular”, declarou.

Para Gonçalo Santos, se se comprovar que os enterramentos são recentes, a empresa em causa “tem de ser erradicada”, tal como deve acontecer em qualquer setor em que aconteça este tipo de prevaricação.

“Isto em nada representa a atividade atual do setor”, disse, referindo o cariz fortemente exportador de um setor que está agregado a cadeias de valor, nomeadamente do mercado de luxo, aeronáutico e automóvel, entre outros.

Agência de Notícias de Portugal

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