- Publicidade -
Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
- Publicidade -

“CAFAP – Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental”, Vânia Grácio

Hoje é dia de aniversário. Há nove anos surgia em Abrantes, uma nova resposta social que visava a proteção dos direitos das crianças e suas familias.

- Publicidade -

Ao longo deste período de tempo, estudamos, partilhamos, procuramos, investimos. A área da proteção dos direitos da família e das crianças é muitas vezes desvalorizada. A esfera privada da vida de cada um de nós dificulta a intervenção e a falta de recursos, os hábitos e as questões culturais, continuam a bloquear o desenvolvimento do trabalho.

Explicar a um pai que não pode bater no seu filho, que não pode fazer desta maneira só porque lhe apetece e é seu filho, quando isso viola os direitos das crianças, não é fácil. Entrar em casa das pessoas, com uma ordem do Tribunal, para avaliar a forma como cuida dos seus filhos, não é fácil. Gerir os sentimentos sobre aquilo que são também os nossos valores em conflitos com os valores dos outros, não é fácil. Gerir a incompreensão de terceiros, por desconhecerem os procedimentos e a legislação em vigor, não é fácil. Ver uma criança sofrer com uma decisão do Tribunal que vai contra a sua vontade, não é fácil. Tentar fazer milagres com os poucos recursos existentes, não é fácil.

- Publicidade -

Querermos que tudo fosse cor de rosa, quando é tudo negro, não é fácil. Mas é fácil ver o sorriso na cara de uma criança que pode novamente estar com os pais, depois de ter estado acolhida em instituição. É fácil ver a união de uma família depois de termos ajudado a criar um sentimento de pertença e de partilha.

É fácil ver que uma família consegue agora gerir os seus recursos de uma forma adequada, priorizando o que é verdadeiramente importante para o bem estar dos seus. É fácil ver que uma família consegue agora prestar todos os cuidados aos seus filhos, porque pequenas dificuldades foram ultrapassadas. É fácil ver que uma criança está agora integrada na escola e tem sucesso, porque a turma já compreende que tem características especiais, mas que é igual a todas as outras.

É fácil perceber que é agora possível o diálogo entre um casal e os serviços. É fácil ver que um casal divorciado não deixou de ser pai e mãe de duas crianças. É fácil concluir que se unirmos esforços, podemos fazer a diferença na vida de alguém.

Não, não vamos para os jornais, nem fazemos bandeiras de casos concretos. Não, não expomos em praça pública os casos sociais do concelho. Não, não forçamos as pessoas a fazerem o que queremos, mas que nada diz à sua família. Não, não trabalhamos para a visibilidade. Não, não somos assistencialistas, “não damos o peixe, ensinamos a pescar”.

O que fazemos, fazemos com paixão. Fazemos com suor e lágrimas muitas vezes. Com gestão de frustração, com angústia, com satisfação, com orgulho.

Não é fácil. Mas se fosse fácil, não era para nós.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome