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“Cabrito”, por Armando Fernandes

Estamos no fim de Março, os meses invernais primaram por serem chuvosos, os pastos tenros cresceram, os cabritinhos da amamentação das cabras principiaram a retouçar ervas tenras, seivosas, ganharam corpo e, atingidos os quatro meses passaram à condição se pitança muito apreciada pela generalidade das pessoas, especialmente assados e estufados.

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Sim, eu sei, quão é a sua carne (um tanto mole e insípida) cozinhada debaixo da cozedura grelhada, no entanto, nessa forma a delicada carne perde sapidez originando um carregar na dose dos temperos apimentados (malagueta, piripiri, molhos picantes) a gerarem desaforos na língua e ardores estomacais.

Os cabritos, tal como os anhos, são emblemáticos no período pascal, é enorme a bibliografia de receituários onde são apresentados preparos culinários alusivos à efeméride porque as três religiões do deserto veneram os ditos animais, dado não serem alvo de interditos alimentares.

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Se o leitor pesquisar verificará que no referente às cozinhas do denominado império colonial português (tema em moda) encontrará receitas onde o cabrito é elemento primacial : por exemplo caldeiradas puxavantes de vinhos e cervejas a espevitarem, ora muito evidentes nas almoçaradas de memórias de faustos do passado.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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