Terça-feira, Março 2, 2021
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Bons Sons | Um amor de verão com mimos especiais para os artistas (c/ fotogaleria)

Os últimos Bons Sons ouvem-se este domingo, dia 12, completando de mais de 100 horas em Cem Soldos vividas no ambiente que torna o festival genuíno. Até à data, milhares de pessoas voltaram a ser recebidas como gente da terra e, neste amor de verão, também se oferecem prendas. No caso dos artistas, além das memórias dos palcos, levam para casa as ofertas personalizadas pelos habitantes da aldeia. Falámos com as coordenadoras destes “mimos”, revelamos o que vão receber os Dead Combo, que atuam na noite das despedidas, e partilhamos alguns momentos de sábado.

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O mote dos “amores de verão” surgiu este ano, mas o “namoro” entre os cem soldenses e os músicos do país começou em 2017 quando os habitantes que gravaram os vídeos promocionais nas janelas das suas casas foram desafiados a oferecer algo que marcasse os músicos uma vez desligados os holofotes do Bons Sons. Surgiram então os sacos com a imagem do festival que “embrulharam” os presentes escolhidos ou criados a pensar em cada um.

A iniciativa podia ter sido pontual, mas o Bons Sons aparenta ser, não um amor de verão, mas um amor de verões com novas prendas incluídas. À semelhança do ano passado, os “embrulhos” foram criados no espaço Oficina das Avós pelos avós e netos que formam o Grupo de Costura Criativa de Cem Soldos. Nesta nona edição, os sacos foram personalizados com as frases de amor dos artistas que também podem ser encontradas nas ruas da aldeia durante o festival.

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Uma das frases de amor dos artistas espalhadas pelas ruas da aldeia. Foto: mediotejo.net

A tarefa de organizar estes mimos foi entregue a Inês Mourão, Sofia Santos e Cátia Mourão que tiveram como maior “desafio” a escolha dos habitantes da aldeia “mais recetivos” à ideia de prepararem algo especial e entregar as ofertas. Conjugaram-se gostos pelos artistas, disponibilidade – escassa por estes lados nesta altura do ano em que todos estão envolvidos na preparação do festival – e foi formado o grupo que envolve pessoas dos 17 aos 60 anos.

Falámos com a Inês e a Sofia que, juntamente com Cátia, têm tratado das ofertas para os artistas no último mês e meio. O trabalho envolve a preparação de cada saco, assim como a definição dos momentos e locais onde os sacos são entregues aos músicos. No último caso, o palco chegou a ser ponderado, mas acabou por dar lugar aos camarins uma vez que muitos cem soldenses preferem os holofotes do Bons Sons… entre os elementos do público.

O envolvimento das três jovens de 21 anos no Bons Sons também está associada à coordenação merchandising e da Loja Bons Sons, onde, por estes dias, se encontra um pouco de tudo associado ao festival, incluindo as famosas tichas. As lagartichas em tecido, imagem de marca, incluem a lista de artigos comuns em todos os sacos e são acompanhadas por um flyer e uma caneca de metal que a maioria dos artistas recebe depois dos concertos. Os Djs são exceção devido à hora tardia em que sobem ao palco Aguardela.

Interior do saco. Foto: mediotejo.net

Organizar esta vertente diferenciadora associada à faceta local do Bons Sons foi mais complicada no início quando tinham de conciliar a tarefa assumida este ano com os estudos. O trabalho revelou-se mais complexo do que tinham pensado, mas a chegada das férias e a experiência que foram adquirindo entretanto acabaram por trazer a confiança que demonstram quando falam da expetativa sobre a reação dos artistas.

É elevada, admitem, e terá o resultado esperado uma vez que por se tratar de uma “uma atenção diferente” e “eles [os artistas] acabam sempre por gostar”, inclusivamente, “porque não estão à espera”. Desde a passada quarta-feira, dia zero do programa que arrancou com a habitual Festa de Receção ao Campista, mais de quatro dezenas de músicos e bandas já foram “surpreendidos”.

Alguns sacos para oferecer aos artistas na loja Bons Sons. Foto: mediotejo.net

Este domingo, quem recebe os mimos deste amor de verão são a orquestra de foles e o grupo Douradas Espigas que atuam no palco MPAGDP, Monday e Luís Severo no palco Giacometti, Rodrigo Amado Motion Trio e Moonshiners no palco Amália, Susana Domingos Gaspar no Auditório Agostinho da Silva, Peltzer e Linda Martini no palco Zeca Afonso, Dead Combo e Lena D’Água com Primeira Dama e a Banda Xita no palco Lopes-Graça e Foque e Godot no palco Aguardela.

Com tanta azáfama é possível viver o Bons Sons como festivaleiras? Respondem que é impossível fazê-lo a 100%, seja em que edição for, pois sendo da aldeia fazem “sempre parte do trabalho quase desde que começou”. Uma experiência positiva que lhes permite ter “os dois pontos de vista e nós gostamos disso também”, mesmo que isso implique só ir a casa para jantar e dormir. Riem-se quando dizem que os dias “acabam por se passar bem e, no fim, compensa todo o trabalho que se tem feito”.

A ideia de ir a casa apenas para jantar depois do dia passado na rua faz lembrar as alturas em que nos mais novos saiam para brincar e apenas regressavam depois das chamadas repetidas das mães ou das avós para se sentarem à mesa. Inês, Sofia e Cátia conseguem partilhar a última refeição do dia com a família, mas há outras pessoas de Cem Soldos envolvidas na organização do festival que, de casa, apenas conhecem a cama nos últimos tempos.

Saco dos Dead Combo. Foto: mediotejo.net

É o caso de Filipe Cartaxo que teve a oportunidade de escolher um dos seus grupos musicais de eleição, os Dead Combo, para oferecer o mimo Bons Sons. Foi pensando na oferta personalizada no pouco tempo que sobrou entre as tarefas com os voluntários do campo de trabalho, que coordena desde 2015, e cujo número de participantes (entre os 12 e os 25 anos) tem crescido. Ele, com 22, realça que a equipa deste ano, com uma média de idades de 14 anos, “foi muito maior, muito mais nova, muito gira e com mais malta de fora”.

No ano passado acompanhou alguns momentos em que as ofertas foram feitas. Este ano é ele quem entrega o saco depois do encontro dos Dead Combo com o público, marcado para as 21h00, terminar. A prenda não é entregue em nome individual pois, na maioria dos casos, a escolha daquele pormenor pensado para quem passa por Cem Soldos para atuar foi falada em família.

Filipe Cartaxo e o saco que vai oferecer aos Dead Combo. Foto: mediotejo.net

Os habitantes são escolhidos individualmente e depois dá-se a notícia em casa. Muitos encaram-na como um “desafio”, diz, acrescentando que “não pode ser uma coisa ridícula ou inútil, deve ser algo que marque, que eles [os artistas] possam agarrar, meter num sítio e dizer «isto foi no Bons Sons», vai ficar aqui como recordação”. No caso dos Dead Combo, a oferta vai envolta na frase “Esse olhar que era só teu”, tema do álbum Lisboa Mulata.

Filipe revela que dentro do saco estará uma garrafa de bebida – para ajudar a música de Pedro Gonçalves e Tó Trips a fluir – e “uma guitarra em ponto pequeno assinada por mim, pelos meus pais”. A escolha deve-se à associação que faz da banda formada em 2003 com “a música instrumental” e os autógrafos da família tornam a peça genuína. Uma “coisa nossa” que acredita ser “espetacular” para os músicos que no futuro se vão lembrar de ter sido criada “por um habitante de um festival onde foram tocar” e, acrescentamos nós, foram mimados.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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