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““Bomba Relógio” em Almaraz”, por Hugo Costa

A central nuclear espanhola de Almaraz localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira é uma “bomba relógio”. Recentemente, esta central voltou a ser notícia pela intenção dos espanhóis em construir um aterro nuclear que prolongaria a vida útil da mesma, quando já devia ter encerrado no ano de 2010.

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Portugal é um país que soube no momento certo dizer não à energia nuclear, uma energia que acarreta inúmeros perigos como são exemplos trágicos os casos de Chernobyl ou Fukushima. O nosso país é um exemplo europeu nas energias renováveis. Portugal esteve à frente no seu tempo e soube encontrar formas alternativas de energia. A aposta nas fontes renováveis tendo como base as nossas condições naturais, foi um facto amplamente sublinhado pela imprensa e comunidade cientifica internacional.

Contudo a visão de sustentabilidade energética do nosso país não nos coloca fora dos perigos da energia nuclear através de Almaraz. A construção do novo aterro tem ser travada. O Governo português, e bem, tem criticado esta construção, levando às instâncias europeias a contestação da construção do novo aterro. Os impactos transfronteiriços não foram acautelados por Espanha e o Governo português não foi consultado.

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Hoje, quando o tema do Tejo ganhou espaço mediático, não devemos esquecer o perigo nuclear de uma central construída nas suas margens, um autêntico perigo invisível. A central de Almaraz é a mais antiga em funcionamento em Espanha e representa 9% da produção de energia no país. Além da antiguidade da central, existem vários problemas de segurança detetados pela agência independente espanhola que controla a segurança da energia nuclear. Estas questões não nos devem deixar indiferentes. Não se trata de alarmar, mas sim informar.

A exigência do fim do perigo invisível de Almaraz deve ser um objetivo nacional. O encerramento da central e o não prolongamento artificial do seu período de vida útil é uma urgência. A unanimidade nacional sobres esta matéria demonstra o seu perigo. O combate pelo seu encerramento é um desígnio nacional, antes que seja tarde de mais. As gerações dos nossos netos e bisnetos não nos vão perdoar se não fizermos tudo ao nosso alcance.

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Hugo Costa
Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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