Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Quarta-feira, Julho 28, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Boa sorte para as negociações com as editoras de manuais escolares!”, por Hália Santos

A conversa não é nova, mas é muito bom que se volte a falar nela. A gratuitidade dos manuais escolares é um assunto que merece toda a atenção. Só quem vive afastado do mundo real é que não percebe o impacto que o início do ano escolar tem na vida de todas as famílias que têm crianças e jovens. Se não todas, praticamente todas. Porque, neste caso, mesmo as famílias ‘remediadas’ sentem bem esta onda de choque provocada no orçamento familiar, que é gerido cada vez mais ao pormenor.

- Publicidade -

Incluir três milhões de euros no orçamento para financiar os manuais escolares das crianças que, no próximo ano letivo, ingressam no 1º ciclo pode parecer coisa pouca. Mas não é. Mesmo que apenas abranja, para já, só esses alunos e alunas, o certo é que a medida traz consigo uma mensagem política muito clara de apoio à Educação. E sem diferenciações. Sem ser só para aqueles que mais precisam. Porque os outros, os que precisarão menos, também precisam de sinais, também precisam de alívio financeiro.

Claro que muita gente veio logo falar da necessidade de também se fornecer às famílias os outros recursos didáticos. Certo, mas, se calhar, será preferível alargar primeiro a gratuitidade dos manuais a outros anos de escolaridade. Para abranger o maior número possível de famílias. Será uma distribuição mais justa de recursos.

- Publicidade -

Para além da questão da gratuitidade, há que pensar seriamente na reutilização dos manuais. Aquilo que, localmente, associações e escolas têm vindo a fazer, no sentido de sensibilizarem as famílias para oferecerem os manuais depois de utilizados, deveria ser estimulado pelo próprio Ministério. Claro que, neste processo, as escolas terão que ser os grandes parceiros, mas certamente que alguém, no grupo de trabalho entretanto organizado, pensará na melhor forma de se fazer esta reutilização. Fundamental será também sensibilizar as crianças e os jovens para a necessidade de preservarem os manuais.

Entretanto, há uma outra conversa que importa ter… A conversa das editoras. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, reafirmou que o Ministério está a negociar com as editoras uma “progressiva redução” do preço dos manuais escolares, de forma faseada, até se chegar à gratuitidade. Isto é o que dizem as notícias. O problema é que não se percebe o que isto quer dizer…

Havendo “progressiva redução” dos preços dos manuais que ainda não vão ser financiados, quem suporta essa desejada descida de preços? O Estado ou as editoras? No Orçamento de Estado não parece que tenha ficado verba para este, chamemos-lhe assim, desconto. E alguém acredita que as editoras, que têm vindo a ser equiparadas a um lóbi, comecem a abdicar das suas margens de lucro para fazer justiça social? Estas mesmas editoras que têm vindo a encontrar – de forma inteligente, diga-se – estratégias para vender mais, como o acesso online e a venda conjunta de manuais e cadernos de exercícios? Alguém acredita? Enfim, só se pode desejar as maiores sortes e os melhores argumentos a quem for negociar com as editoras. A bem de todos os que ainda acreditam na Educação!

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome

- Publicidade -