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Domingo, Julho 25, 2021

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“Beldroega”, por Armando Fernandes

Antes de escrever sobre esta planta daninha mas comestível, digo aos leitores que a minha ausência das colunas do Digital Médio-Tejo deve-se as más sequelas de uma operação das quais ainda não estou restabelecido completamente. O júbilo de voltar à escrita supera tudo o resto.

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Sobre a beldroega os especialistas sublinham ser uma planta carnuda e acrescentam o triste epíteto de daninha, ressalvando ser comestível a parte interessante no referente ao objecto desta crónica.

Os pobres camponeses na ânsia de suportarem as arremetidas da fome endémica na maior parte do ano experimentavam, experimentavam, não raro os experimentadores morriam dada a nocividade das plantas objecto de prova, às vezes o exame a essas mesmas plantas era feito utilizando animais domésticos, cujo exemplo mais conhecido é o dos cogumelos.

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Passada no exame a beldroega entro no rol da dieta das pessoas, as invenções culinárias foram sendo aumentadas à medida que as mestras cozinheiras inventavam com a sua perícia novas composições em múltiplas representações seja na categoria de elemento principal de um prato, seja na categoria de acompanhamento.

No tocante a pratos principais lembro os caldos, as tartes, os pastelões e as saladas, no domínio dos acompanhamentos os pratos de peixe, as carnes especialmente as frias, na doçaria a sua expressão é quase nula, um pudim será a dita excepção.

A industrialização alimentar veio dar grande alento a esta planta e outras de igual talante levando a integrá-la num vasto leque de produtos de diversos quilates concedendo-lhe a importância que merece.

Voltando ao universo dos comeres e porque estamos no Estio época propícia aos pratos de desenfastio a beldroega é boa aliada de cebola cortada às rodelas, idem de tomate, orégãos ou tomilho, batatas cozidas frias e feijão-verde também frio.

O exemplo acima referenciado não passa disso mesmo, os calores levam a concedermos plena vazão a verduras para além de verde, uma dieta coreana aconselha a basearmos o nosso dia-a-dia alimentar em seis cores ou seja escolhermos de entre legumes onde as tais cores estejam representadas. É um desafio que deixo aos leitores, o da escolha e correspondente harmonização em aliança com alimentos de origem animal. Bons exercícios e  consequentes comidas esfuziantes à vossa mercê, mãos à obra e talento a condizer caros leitores.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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