“Bazuca de dinheiro”, por Vasco Damas

Se fizermos sempre o mesmo não devemos esperar resultados diferentes. O conceito é antigo mas a atração pelo erro tem aproximadamente a mesma idade. Observado de fora, parece ser viciante. Viver o presente sem preocupações com o futuro ou, com outro rigor, gastar no presente sem preocupações com quem pagará a fatura no futuro.

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Vem isto a propósito da bazuca de dinheiro que estará a chegar mais uma vez ao nosso país e aos riscos associados se não houver controlo, ou se ele estiver ao nível de todas as outras vezes em que desperdiçámos as oportunidades e dificultámos o nosso futuro.

Talvez seja abusivo e errado escrever na primeira pessoa do plural porque, de facto, apenas “meia dúzia” desperdiçou as oportunidades para que todos ficássemos com o futuro mais difícil. E até aqui é possível corrigir para sermos mais rigorosos. Terá havido “meia dúzia” que desperdiçou as oportunidades de todos mas não as terá desperdiçado em proveito próprio.

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E este acaba por ser o verdadeiro dilema que o país enfrenta mais uma vez. Saber se estamos à altura de nova oportunidade para corrigir desequilíbrios estruturais que afastem as nuvens negras que continuam a pairar no horizonte ou, se pelo contrário, continuaremos a não saber a diferença entre gastar e investir.

É óbvio que os apoios sociais, reflexo direto da pandemia que continuamos a viver, terá que ser olhada como uma das prioridades, mas as outras terão que passar pelo estímulo ao investimento e à criação de emprego.

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Se insistirmos nas receitas do passado e voltarmos a gastar o dinheiro em bens não transacionáveis, comprometemos a possibilidade de recuperação e o resultado não será muito diferente, com a agravante de ficarmos com uma dívida maior para pagar.

Mesmo sabendo que parte desta “bazuca” entrará em Portugal a fundo perdido, é no mínimo hipócrita querer organizar um mundial de futebol antes de resolver os problemas das pessoas e da economia nacional.

Quase me atrevia a afirmar que este é um problema cultural, onde não conseguimos resistir ao chamamento da ostentação para continuarmos a querer mostrar que somos aquilo que infelizmente ainda não somos mas que podíamos ser, se tivéssemos a humildade para aprender com os erros que insistimos em repetir.

O passado diz-nos que temos experiência a errar e o futuro insinua que podemos não ter mais oportunidades para acertar. Apesar dos sinais não me darem confiança, faço votos que o presente traga lucidez para não hipotecarmos definitivamente o nosso futuro.

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