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Sábado, Julho 24, 2021

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Barquinha quer estudar com tutela aproveitamento turístico de unidades militares

A Câmara de Vila Nova da Barquinha quer estudar com a tutela e chefias da Defesa a possibilidade de aproveitamento turístico das três unidades militares existentes no seu território, disse à Lusa o presidente do município.

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Fernando Freire afirmou reconhecer a sensibilidade da matéria, tendo em conta que as unidades – Brigada de Reação Rápida e os Regimentos de Paraquedistas e de Engenharia n.º 1 – estão ativas e a sua capacidade operacional não pode ser posta em causa.

Contudo, o potencial oferecido pelo turismo militar leva a que queira dialogar com o Ministério da Defesa e as chefias militares no sentido da abertura das unidades à visitação e da preservação da memória, patrimonial, histórica e cultural que representam.

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Esse potencial está patente na Carta Nacional do Turismo Militar que resultou de uma colaboração entre o município, o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Brigada de Reação Rápida.

Para Fernando Freire, é possível abrir as portas das unidades para visitação, nomeadamente dos núcleos museológicos que estas possuem e não estão habitualmente abertos ao público, mas também para outras atividades – como paintball, uso de veículos militares abatidos e paraquedismo desportivo -, “sem pôr em causa a sua capacidade operacional” e até contribuindo para o seu apetrechamento.

O município propõe-se, por exemplo, a estudar a possibilidade de candidatar a fundos comunitários a criação de um túnel de vento, que ficaria disponível para treino dos militares, reduzindo o número de saltos de paraquedas em voo, e para uma componente lúdica.

Vila Nova da Barquinha foi o município apontado pela maioria dos inquiridos no estudo que culminou na Carta Nacional de Turismo Militar como “capital do turismo militar” (seguindo-se Tomar, Lisboa e Elvas), sendo indicado como “região piloto” para a implementação do turismo militar no território nacional.

João Pinto Coelho, docente do IPT que desde 2010 tem trabalhado nesta temática, disse à Lusa que o turismo militar permite usufruir e preservar um vasto património militar existente no país, visando o trabalho académico em parceria com a Universidade de Aveiro e o Centro de Investigação da Academia Militar para tentar “organizar e concertar” uma oferta que se encontra dispersa e dependente de várias tutelas.

Apontando os exemplos da Rota das Linhas de Torres ou do Centro de Interpretação de Aljubarrota, João Pinto Coelho afirmou que a livro “Carta Nacional do Turismo Militar: Do Conceito À Operação – Proposta de Intervenção”, um trabalho iniciado em 2013 e agora concluído, visa contribuir para a criação de produtos que sejam integrados numa rede nacional.

Vila Nova da Barquinha tem sido apontada como laboratório devido à histórica presença de unidades militares no denominado Polígono de Tancos, incluindo a Escola Prática de Engenharia, a Escola de Tropas Aerotransportadas, a Unidade de Aviação Ligeira, da qual faz parte a Brigada de Reação Rápida, e a ligação aos Templários, exemplificada pelo castelo de Almourol.

Insere-se ainda numa região onde estão implantadas outras importantes estruturas militares, como o Campo Militar de Santa Margarida, no município vizinho de Constância, a maior instalação militar da Europa, ou os regimentos de Manutenção (Entroncamento) e de Infantaria 15 (Tomar), refere o estudo.

Fernando Freire destacou os “milhares de pessoas que ao longo dos anos” passaram por estas unidades, que “ficaram marcadas e gostam de regressar”, mas também a atração para estrangeiros que se interessam por estas temáticas.

O estudo agora concluído deixa o desafio à operacionalização, mas abre também portas a um alargamento futuro às estruturas militares deixadas nos países de língua oficial portuguesa.

 

Agência de Notícias de Portugal

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