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“Banana”, por Armando Fernandes

A primeira vez que vi centenas e centenas de cachos de bananas aconteceu no campo militar do Grafanil nos arredores de Luanda após desembarque do Batalhão a fim de cumprirmos a «comissão» que não pedimos mas que a Pátria exigia e, a Pátria não se discutia, assim proclamavam os cartazes colocados nos quartéis e centros militares.

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Nesses dias de aclimatação ao território onde permaneci 27 meses, vi militares a perguntarem o modo de comerem esses frutos ricos em potássio e vitaminas, cuja origem é a Índia, que se espalhou pelo Mundo tropical nas suas muitas variedades, em numerosas composições culinárias e algumas líquidas.

Há duas classes de bananas, as bananas propriamente ditas, mais pequenas, consumidas cruas e cozidas e em preparações açucaradas e salgadas, de polpa branda e branca, e as bananas plátano de polpa mais rígida e amarela.

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Por razões familiares desde a adolescência que vi e apreciei bananas fritas, grelhadas, assadas e guisadas. Uma das formas que me deram intenso prazer palatal foi a banana assada com toucinho. Experimentem caros leitores. Se os licores de banana têm grande apreço nos universos masculino e feminino estando na origem de esgares agressivos visto engordarem num ápice, o mesmo sucede se a contenção não for respeitada em matéria de fritos e assados, pastelaria e confeitaria.

Pois, pois, no tocante a gelados e sorvetes também as bananas explodem em peso ao mínimo desajuste, quando flambeadas depois das vistosas labaredas mastigam-se prazenteiramente e a balança, balança e o ponteiro sobe. Não se esqueça: calor dilata os corpos.

Esta crónica assemelha-se a um coro lacrimejante a pedir clemência ao nutricionismo. Façam o favor de esquecer, porém não esqueçam o aproximar da época balnear. Isto se a pandemia permitir.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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