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“Azeite, Mangas e Corte”, por Armando Fernandes

Na passada quarta-feira almocei no Dom Vinho (não tardará a guindar-se a referência gastronómica da Região) na companhia do meu excelente amigo que é o Engenheiro José Abreu alma-mater da Escola Profissional de Abrantes sedeada em Mouriscas.

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O Zé Abreu possuía e possui acerada visão da cidade, a inveja e a tacanhez levaram a ele aceitar aliciante convite de trabalho onde se distinguiu – a formação profissional e engenharia social – exercendo funções salientes nessas áreas na República de Moçambique.

Não nos víamos há largos meses, por esse motivo após as fraternais efusões principiámos a varejar palavras, por esse facto soube do êxito do azeite Cabeça das Nogueiras na Nação moçambicana, o qual ali foi introduzido pelo seu filho Miguel profissional traquejado na área dos azeites. O referido coadjuvante de comeres de todas as espécies, formidável elemento simbólico de religiões, sem esquecer a Mãe oliveira signo da paz, está a paulatinamente ganhar quota de mercado dada a sua invulgar qualidade. Deu-me alegria, a mesma que obtive quando há semanas vi num enorme armazém de vinhos nos arredores de Boston, o cartaxense vinho tinto Bridão reserva.

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Sendo azeite produto emblemático no território de Abrantes enunciei elementos sistémicos referentes ao azeite a potenciar uma indústria cultural, o Engenheiro Abreu concordou, mas vieram ao de cima reticências porque para tal suceder tinha de existir vontade, meios, estudo e visão. A tal visão relativa ao território capaz de elevar a Herdade da Murteira a relevante activo cultural e económico.

Porque não somos de carpir sobre as oportunidades perdidas, preferimos lembrar a deliciosa expressão gustativa das mangas moçambicanas, não esmiucei quais as melhores regiões produtoras, mentalmente, recordei as apreciadas na ilha quando por lá andei a trabalhar num projecto patrocinado pelo FMI, mas comercialmente ameaçadas contundentemente pelas mangas do Novo Mundo.

O azeite abrantino carrega fama desde há pelo menos oito séculos, importa reforça-la, no que tange a outros produtos de referência proceder de igual modo, as matérias-primas alimentares são primaciais na afirmação das regiões debaixo de todos os aspectos. No final da refeição não pedimos mangas, segundo os nutricionistas não devemos comer fruta nesse momento. Acredito na opinião de tais especialistas, no entanto, a generalidade das pessoas não prescinde da fruta nesse momento do ágape, os exemplos de indigestões estão associados a fruta muito polpuda e comida sofregamente. Um Papa passou desta para melhor devido a tal efeito. No caso dele foram melões os causadores do ataque fatal.

Finalizámos tecendo louvores às tigeladas de estirpe local, não sem termos lembrado que alguns rapazes da nossa idade sempre atreitos à inveja, vivendo uma meia-vida dentro do círculo da mediocridade dourada justificam vigoroso e soberbo corte de mangas.

 

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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