“Avançamos ou mudamos algo para que tudo fique na mesma?”, por Helena Pinto

Foto: Arlindo Homem

Temos vivido os últimos tempos muito concentrados na pandemia e suas consequências. A situação não era para menos. Se a preocupação baixou em alguns aspectos, começa a crescer noutros, sobretudo no que diz respeito ao emprego, aos rendimentos, ao futuro que para muita gente e muitos/as jovens volta a ter demasiadas nuvens de incerteza.

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Por outro lado, durante semanas, ouvimos dizer que após a pandemia seria forçoso tirar lições e aprender com elas, nada seria como antes, agora sim íamos valorizar as pessoas, o local, a natureza,…

É tempo de falar sobre DESENVOLVIMENTO, sobre a vida das pessoas e sobre as escolhas políticas que temos que fazer agora e nos próximos tempos. Porque, no final do dia, tudo se vai reportar às escolhas políticas que fizermos. E serão elas a expressão das lições que aprendemos ou não, serão elas o espelho de como valorizamos as pessoas, o local, a natureza. Ou dito de outra forma: avançamos ou limitamo-nos a mudar algo para que tudo fique na mesma?

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É tempo de fazer estes debates, de equacionar todos os problemas e de ouvir todas as opiniões. Os sinais não são animadores – os trabalhadores/as em lay-off perdem rendimentos, o desemprego aumenta e os despedimentos surgem, mesmo em empresas que tiveram apoios do Estado, a pobreza entra em muitas casas. Como já tenho dito e escrito tem que se actuar a vários níveis e ao nível local também existe muito para fazer.

Infelizmente a regionalização está cada vez mais longe, agora que o PS com o apoio do PSD decidiu fazer eleger os presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) pelos autarcas, solução de muito duvidosa constitucionalidade e claramente anti-democrática. A regionalização permitiria responder à pandemia e ao período pós-pandemia de uma forma completamente diferente e, não tenho dúvidas, de uma forma mais eficaz, programando a solução dos problemas e a retoma económica a uma escala que proporciona e potencia o aproveitamento dos recursos naturais, a inovação, a complementaridade entre sectores e a proximidade para a criação de emprego nas áreas essenciais ao desenvolvimento da região.

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Resta, assim, localizar ainda mais o nosso pensamento ao nível dos concelhos e da dinâmica inter-municipal que possa ser criada. E para ilustrar esta questão quero fazer referência à abertura de um novo restaurante numa área de serviço, junto à A23 no cruzamento com a A1, que tanto entusiasmou os autarcas do PS no concelho de Torres Novas.

Quero que fique claro que nada me move contra o restaurante em questão. Abre um restaurante na periferia da periferia do concelho e rejubila-se e simultaneamente recusam-se apoios ao comércio local, nomeadamente a possibilidade de encerrar provisoriamente ruas ao tráfego automóvel (coisa que está acontecer um pouco por todo o país) para que pequenos restaurantes no centro da cidade possam resistir ou apoio ao pagamento da renda do pequeno comércio ou ainda distribuição de vales para aquisição de bens.

É a mesma lógica que leva ao deslumbramento com as grandes superfícies. Políticas públicas concretas que visem um desenvolvimento integrado ao nível micro no centro da cidade, mas também nas vilas e nas aldeias, que ajudam a fixar pessoas, a manter emprego e puxam pela dinâmica social e solidária não são encaradas como solução para a situação que vivemos. É pena.

É sobre estas escolhas que temos que falar, todos. E tudo indica que os dois modelos terão que chocar de frente.

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