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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Autárquicas/Vila de Rei | Um debate a três centrado na desertificação e no ordenamento do território (C/VIDEO)

São quatro os candidatos à Câmara Municipal de Vila de Rei, mas no debate promovido pelo mediotejo.net, desta feita em parceria com a rádio Antena Livre, compareceram apenas três. Cidália Fernandes Manuel do CDS-PP faltou à discussão. Os candidatos a presidentes apresentaram diversas propostas no que toca ao emprego, investimento e desertificação, afinal, apesar dos apoios municipais, o concelho continua a ser o menos povoado do distrito de Castelo Branco. A questão em torno do ordenamento do território e da floresta também esteve em cima da mesa.

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A intervenção livre dos três candidatos à Câmara Municipal de Vila de Rei, com o traçar em linhas gerais daquilo que é o programa eleitoral da Coligação Democrática Unitária (CDU), do Partido Socialista (PS) e do Partido Social Democrata (PSD), ficou para o fim, mas durante o debate promovido pelo jornal mediotejo.net em parceria com a rádio Antena Livre, que teve lugar esta segunda-feira, no Auditório Municipal Mons. Dr. José Maria Félix, foram fixados vários temas desde o ordenamento do território às finanças, da demografia ao turismo, da ação social à educação. Os tópicos foram moderados pelos jornalistas Mário Rui Fonseca e Patrícia Seixas.

Por resultado de sorteio, o primeiro a explicar as razões da sua candidatura foi Luís Santos (PS), que começou por afirmar estar preocupado com o concelho de Vila de Rei e por isso aceitou “o desafio” uma vez que é “responsabilidade da câmara municipal a criação das condições necessárias para o seu desenvolvimento económico”. Na sua vez, o candidato Ricardo Aires (PSD) respondeu que “o projeto existe e distingue-se por ser centrado nas pessoas” o próximo mandato será de consolidação. Já Carlos Almeida (CDU) aposta numa equipa “competente de indispensáveis à construção de uma vida melhor” para poder abordar os vilarregenses “no seu todo” procurando que a sociedade seja “mais solidária e participativa”.

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Sobre o tema ordenamento de território e floresta, até porque o concelho voltou a ser fustigado pelos incêndios este verão, o candidato socialista disse que “a floresta está praticamente ao abandono” e tem de “voltar a ser fonte de rendimento”. Para Luís Santos há que partir pela “elaboração do cadastro”. Defende que o projeto piloto seja estendido a todos os concelhos afetados pelos incêndios.

O candidato do PSD explicou que enquanto presidente de câmara tem feito pressão junto do governo central para que seja incluído o concelho de Vila de Rei “quer no projeto piloto de cadastro bem como ao projeto de reflorestação” destinado aos concelhos que foram fustigados pelo incêndio de Pedrogão Grande. Garante que no próximo mandato continuará a debater-se pela valorização ambiental de espaços florestais, pela recuperação do potencial produtivo. No próximo mandato quer reforçar o regulamento aprovado em outubro de 2016 no sentido de realizar uma “descontinuidade florestal”. As apostas passam pelo retorno da agricultura ao concelho, considerada “muito importante”.

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Quanto a este tema, o candidato da CDU falou numa “interação homem-espaço rural”. Referiu o abandono das zonas rurais para os centro urbanos e até para o estrangeiro e propôs alguns pontos, nomeadamente potenciar os aglomerados rurais. Relembrou o projeto que o PCP apresentou para o ordenamento do território como garante da “suficiência do solo no presente” e para as gerações vindouras. Querem apoiar as Zonas de Intervenção Florestal, apoiar os pequenos produtores florestais, fazer uma restrição à área de eucalipto como medida cautelar temporal e incentivar a agricultura que considera não poder ser dissociada da floresta.

Sobre o tópico demografia, Ricardo Aires, atual presidente da câmara de Vila de Rei, lembrou que o concelho é conhecido por ser “social”. É hoje “uma referência nacional a nível de ação social”. O candidato do PSD explicou que anualmente o município tem “cerca de um milhão de euros para apoio à população vilarregense”. Em Vila de Rei as crianças e os jovens não pagam, por exemplo, “creches, jardim de infância, livros, transportes escolares”, focando que apesar de Vila de rei ser o concelho do distrito de Castelo Branco com menos habitantes “viu aumentar a sua população” nos últimos anos. “Não é de obra física que o concelho vive”, considera.

Carlos Almeida, pela CDU, apresenta a estratégia comunista para o concelho querendo participar “na criação de uma Unidade de Cuidados Paliativos” e “criar um centro de crianças e jovens em risco”. Dentro da mobilidade, criar uma rede de transportes ecológicos. Quanto à desertificação a CDU não nega os apoios sociais da autarquia mas o candidato considera que o vilarregense tem sido um pouco esquecido dizendo que “a dinâmica a aplicar pela CDU será diferente” da atual gestão PSD. “Falta o contacto direto para saber dos anseios da população”.

Por seu lado, Luís Santos considera necessário promover mais postos de trabalho e refere “ser muito perigoso estar a apostar apenas numa área”. A ação social, a economia, a saúde e a educação devem funcionar “ligadas” para promover a fixação de pessoas. Acrescenta que a promoção do emprego tem de passar pela indústria e pelo turismo.

O candidato social democrata interrompe o socialista para, de certa forma, elogiar o atual governo quanto à medida facilitadora de ser utente de um centro de saúde que não seja o da sua área de residência. Ou seja, “quem quiser mudar a residência para Vila de Rei pode manter o seu centro de saúde”, por exemplo, em Lisboa.

Carlos Almeida afirma que os residentes em Vila de Rei “têm qualidade de vida”. E sugere o concelho como local seguro para que mais idosos possam escolher Vila de Rei para viver. No entanto, considera necessário “melhorar as condições nas aldeias”, A CDU propõe também apoiar os familiares que queiram voltar para cuidar dos seus idosos.

No tema ambiente, o candidato da CDU quer alargar a rede de esgotos a todo o concelho. “Despoluir e limpar as ribeiras, criar “depósitos para lixo em todas as aldeias”. Implementar “um ordenamento paisagístico” e criar “um clube náutico e zonas de pesca sem morte”. A ideia de Carlos Almeida passa ainda pela “substituição da frota automóvel da autarquia por veículos elétricos”. Nesse momento o candidato comunista questionou os dois candidatos se “a concessão da água é para manter dentro do serviço público”.

Luís Santos manifesta-se contra a privatização da água. Quanto aos problemas ambientais diz querer melhorar a rede de águas residuais. Prevê que daqui a 50 anos a água seja um bem gerador de conflitos, e nessa medida a “qualidade da água nos lençóis freáticos é uma das preocupações” socialistas.

O candidato do PSD garante que a água está a ser monitorizada, no sentido de manter a qualidade da água. Admite existirem “maus cheiros” na ETAR do Penedo, que não será completamente desativada mas quase “a 100%”. “De todos os municípios que integram a Valnor ,Vila de Rei permanece em lugar de destaque”, afirmou Ricardo Aires. E promete continuar a investir “na qualidade ambiental”. Reconhece existirem “várias aldeias sem saneamento básico” mas apenas aquelas com “menos de 50 habitantes”, uma vez que é permitido por legislação comunitária. Em resposta ao candidato comunista, Ricardo Aires explica que Vila de Rei “é a entidade exploradora da água no concelho”. O candidato do PSD garante que lutará sempre para que a CM de Vila de Rei seja a entidade exploradora e lembra que Vila de Rei tem “a água mais barata” dos concelhos do Médio Tejo.

Discutindo a realidade financeira do município o candidato socialista refere que para o PS a prioridade número um “são as pessoas e depois a economia”. Relativamente às pessoas há pontos que querem dar especial atenção “na saúde, na ação social e no ensino”. Na economia a aposta vai para a “floresta, agricultura e ambiente”. Refere ainda que o município de Vila de Rei é financeiramente muito dependente. “O passivo da CM em 2016 era cerca de 2 milhões de euros. É considerado um valor controlável mas que tem vindo a subir”.

Ricardo Aires desmente o candidato do PS. “Os dados estão errados”, diz. O candidato conhecedor da situação financeira do município garante que a dívida está a descer para 1 milhão e 798 mil euros. “O município de Vila de Rei é um dos 100 com melhor eficiência financeira”, diz Ricardo Aires. Por seu lado, o candidato do PS justifica os seus dados com o anuário de 2016. O candidato social democrata assegura “uma gestão rigorosa” da Câmara Municipal. E avança para um projeto em Fernandaires, uma obra no valor de dois milhões de euros. “Procuramos um investidor mas se não encontrarmos será a CM a fazer essa obra” de infraestruturas turísticas.

Carlos Almeida considera que “financeiramente o município está bem”, mas lamenta que a CDU não tenha assento na Assembleia Municipal no sentido de ter poder de decisão e ser mais interventivo.

Quanto ao turismo como alavanca financeira Ricardo Aires recorda que durante este mandato foi melhorado o acesso ao centro geodésico de Portugal e avança com a “intenção de criar um parque insuflável em Fernandaires. Criar um parque de merendas na Zaboeira. Ordenar o estacionamento do Pego das Cancelas. Internacionalizar rotas e percursos pedestres. Converter o antigo edifício dos CTT numa residência de estudantes e hostel”.

O socialista Luís Santos considera que Vila de Rei tem uma marca que pode ser mais aproveitada: o centro de Portugal. Quer cooperar a apoiar os atuais empresários. Promover eventos para mostrar os produtos regionais. Criar e melhorar trilhos e percursos. Na linha das acessibilidades melhorar o espaço público para as pessoas com mobilidade reduzida. Divulgar o património natural e histórico. “Há zonas que não estão aproveitadas como alguns miradouros” refere. O turismo sénior também pode ser uma aposta. Também o candidato da CDU vê no concelho de Vila de Rei “um grande potencial turístico”.

Relativamente à educação, o candidato da CDU lembra que quando uma nação é grande também é boa a sua escola. Defende que é essencial manter o ensino público de qualidade. Ter um rácio correto de assistentes operacionais. É igualmente urgente combater a iliteracia dos adultos. “A cultura a par da educação são necessárias ao desenvolvimento regional”, considera. Carlos Almeida quer Vila de Rei “na rota nacional de eventos culturais. Promover a intermunicipalidade da cultura. Eventos com música de câmara e música mais erudita. E ainda promover encontros literários com escritores”. Uma atenção especial para a comunicação social: “Gostava de ver incentivar uma rádio com uma dimensão própria no concelho”.

Luís Santos propõe “melhorar os museus municipais. Não deixar perder as tradições e neste caso as associações têm um papel fundamental para manter” as mesmas. Assim, apoiar financeiramente as associações é uma promessa socialista. Quanto ao desporto o candidato considera os equipamentos existentes “razoáveis”. O PS propõe ainda a criação de um grupo de teatro com pessoas do próprio concelho.

Ricardo Aires garante para o próximo mandato a consolidação dos projetos em curso. Promete a construção de uma nova creche municipal e a criação de um laboratório de línguas. Consolidar o projeto Excel na escola é outra promessa. Quer ainda classificar as Conheiras como património nacional. E assegura a realização de cinema ao ar livre também nas sedes de freguesia.

Os candidatos terminaram o debate fazendo o apelo ao voto nos partidos que representam. Sendo que Carlos Almeida aproveitou o espaço de tema livre para durante esse tempo voltar ao ordenamento do território e das medidas que a CDU propõe para combater os incêndios.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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