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Sábado, Outubro 16, 2021

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Autárquicas/Torres Novas | Candidatos às eleições debateram futuro do concelho (c/video)

O oitavo debate com os candidatos dos 13 concelhos do Médio Tejo às próximas eleições autárquicas teve lugar na noite de quarta-feira, dia 20 de setembro. Cinco forças políticas apresentaram as suas candidaturas em Torres Novas e Helena Pinto (BE), Ana Filipa Rodrigues (CDU), Pedro Ferreira (PS), João Quaresma de Oliveira (PSD) e Miguel Bento (CDS/PP) partilham as suas propostas para o futuro do concelho no auditório da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes.

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O debate durou cerca de duas horas e meia, o mais longo até à data, perante uma plateia que praticamente lotou o auditório. Entre os motivos que levaram os cinco candidatos a concorrer à presidência da câmara municipal e o apelo ao voto foram discutidas questões relacionadas com ambiente, regeneração urbana, situação financeira do município, saúde, descentralização de competências e cultura.

A primeira intervenção foi a de Helena Pinto (BE), que justificou a sua candidatura com a experiência “extraordinária” como vereadora devido à proximidade que teve com a população e os problemas, afirmando “o gosto pela continuação” do trabalho realizado nos últimos quatro anos. Para Ana Filipa Rodrigues (CDU), Torres Novas cresceu de forma assimétrica nos últimos anos e salientou o “enorme potencial” do município, que está “desaproveitado”.

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Pedro Ferreira (PS), atual presidente da autarquia, referiu que ainda tem “muito a dar aos munícipes” e pretende continuar o trabalho desenvolvido nos últimos anos. Por seu lado, João Quaresma de Oliveira (PSD) apontou como motivo o “gostar muito” da sua terra que “está parada no tempo” e Miguel Bento (CDS-PP) candidatou-se por pretender deixar “uma marca positiva para o futuro” através de uma “visão integrada”.

Helena Pinto (BE), Ana Filipa Rodrigues (CDU) e Pedro Ferreira (PS). Foto: mediotejo.net

A primeira questão colocada pelos jornalistas Mário Rui Fonseca e Cláudia Gameiro, responsáveis pela moderação do debate, focou as questões ambientais e ocupou um terço do tempo com a poluição na ribeira da Boa Água em destaque. Uma “questão importante” apontada por Helena Pinto (BE), que fez referência ao impacto na saúde pública e qualidade de vida das populações, apontando a fábrica Fabrióleo – Fábrica de Óleos Vegetais, S.A como causa do problema e defendendo a sua descentralização.

Ana Filipa Rodrigues (CDU) indicou a desatualização do PDM e apresentou o Plano Municipal do Ambiente, que “não está a ser implementado”, como proposta do partido. Segundo a candidata, o estudo autónomo indica que não existe “vontade política” na resolução dos problemas ambientais e deve ser criado um “plano de salvaguarda do rio Almonda”. Para Pedro Ferreira (PS), a “dificuldade enorme” prende-se com a intervenção do governo na questão, salientando que a ASAE foi notificada em maio e junho sem que tenha agido em conformidade e é necessária uma fiscalização desta entidade à ribeira da Boa Água.

João Quaresma de Oliveira (PSD) começou por referir o “atentado ambiental” e identificou a Fabrióleo, que diz não ter licenciamento, como foco de poluição, defendendo que o impacto no ar e na qualidade de vida das populações devem ser monitorizados. O seu partido pretende criar um “observatório local” do ambiente e implementar o “corredor verde do Almonda”. Miguel Bento (CDS-PP) fez referência à inexistência de “técnicos” capacitados para monitorizar a água e criticou a dependência de cinco entidades para poder “encerrar a fábrica”.

A segunda questão da noite esteve relacionada com a regeneração urbana, nomeadamente o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e o Plano Diretor Municipal (PDM), tendo Ana Filipa Rodrigues (CDU) sido a primeira a responder e indicando como propostas do seu partido o desenvolvimento de ações orientadas para os micro e pequenos produtores, ações de formação e estímulo à produção biológica e a recuperação do centro histórico de Lapas.

Seguiu-se Pedro Ferreira (PS), que destacou o facto do PEDU ter sido apresentado pelo executivo municipal que lidera atualmente. O candidato destacou que a maioria do investimento de “cinco milhões mais dois milhões e meio” será aplicado na recuperação de imóveis camarários, indicando como exemplos a recuperação do Convento do Carmo e inauguração da start-up. João Quaresma de Oliveira (PSD) defendeu que “nada foi feito” em relação ao PDM nos últimos 10 anos, que o centro histórico está “de costas viradas para o rio” e “sem vida”, e que fará a revisão do PEDU caso seja eleito.

João Quaresma de Oliveira (PSD) e Miguel Bento (CDS). Foto: mediotejo.net

Miguel Bento (CDS-PP) apresentou propostas como o aumento dos índices de zonas verdes e dos lugares de estacionamento, a par da revisão dos índices de construção das zonas rurais e do centro histórico. O candidato criticou a aplicação de “milhões em obras” de “embelezamento” sem uma estratégia definida e defendeu a criação de benefícios prediais e ao nível do IMI.

Helena Pinto (BE) começou por apontar a “incompetência” do executivo face ao PDM e defendeu a renegociação do PEDU, que “vai levar uma reviravolta” se for eleita, acrescentando que este é discriminatório, nomeadamente em relação a Riachos e Lapas, Segundo a candidata, é necessário “um novo conceito para o centro histórico” que integre novas pracetas e largos.

O terceiro ponto de debate entre os candidatos torrejanos às próximas eleições autárquicas foi a situação financeira da autarquia e as prioridades do investimento municipal, começando por responder Pedro Ferreira (PS). O candidato indicou a redução “significativa” da dívida na ordem dos 17 milhões de euros e da média de pagamentos. Entre os projetos apontados para o futuro encontram-se o Centro Escolar de Santa Maria, a Escola Secundária Maria Lamas, a ampliação do Centro de Saúde e o investimento na zona industrial.

A questão gerou o consenso de João Quaresma de Oliveira (PSD), Helena Pinto (BE) e Ana Filipa Rodrigues (CDU) ao defenderem que a redução da dívida foi uma consequência das medidas legais impostas pelo governo, nomeadamente o PAEL – Programa de Apoio à Economia Local, e criticaram o abandono das zonas industriais, cujo desenvolvimento apontaram como uma prioridade. O candidato do PSD acrescentou a criação do selo “made in Torres Novas” e a do BE fez referência à questão da Geriparque, defendendo benefícios para as empresas que se pretendam instalar no concelho.

Ana Filipa Rodrigues (CDU) salientou a importância de se investir num “verdadeiro serviço público”, com referência aos TUT, e que a desertificação deve ser travada. Miguel Bento (CDS-PP) começou por dizer que se “esbanjou” dinheiro “sem qualquer consequência”, defendendo que “a nossa terra carece de identidade” e se deve fugir “à obra” e concretizar sem “hipotecar” o futuro.

Nesta discussão, Helena Pinto questionou Pedro Ferreira (PS) sobre a possível instalação de uma grande superfície comercial na cidade (Minipreço), tendo o atual presidente da câmara municipal respondido mais tarde que o processo se encontra na divisão de Urbanismo em avaliação.

Os jornalistas do mediotejo.net Cláudia Gameiro e Mário Rui Fonseca moderaram o debate. Foto: mediotejo.net

O tema seguinte a ser discutido abrangeu a saúde e a descentralização de competências. João Quaresma de Oliveira (PSD) começou por responder que o município tem poucas competências nesta matéria e indicou como problema a falta de médicos em Torres Novas, defendendo a promoção da unidade hospitalar junto do público universitário e a criação de incentivos para os médicos que optem pela região.

Miguel Bento (CDS-PP) salientou que o seu partido não “anda a reboque das estratégias de Lisboa” e fez referência à competitividade existente entre as unidades hospitalares que integram o CHMT, dizendo que o sistema atual deve ser mudado e que o hospital de Torres Novas passar do CHMT – Centro Hospitalar do Médio Tejo para o Hospital Distrital de Santarém.

Por seu lado, Helena Pinto (BE) fez referência à “obrigação de defender o direito à saúde” dos cidadãos e indicou problemas que considera existirem desde a génese do CHMT, nomeadamente ao nível dos transportes que dificulta a acessibilidade dos utentes que habitam em zonas remotas do concelho.

A necessidade de aumentar o número de médicos de família foi apontada por esta candidata e por Ana Filipa Rodrigues (CDU), pretendendo a última criar bancos de medicamentos e aumentar o apoio à comunidade portadora de deficiência. Em resposta ao candidato do PSD sobre novas unidades móveis de saúde disse que estas não devem substituir a assistência de proximidade assegurada pelas extensões de saúde.

A prestação de cuidados de saúde de proximidade também foi destacada por Pedro Ferreira (PS), que começou por referir a “inter-relação” com o hospital de Santarém e as suas consequências positivas para o nível do bloco operatório em Torres Novas, propondo a criação de um Plano Municipal de Saúde e de uma Rede de Residências Assistidas que reduza o número de munícipes sem médico de família, cerca de 4500.

Quanto à descentralização de competências, João Quaresma de Oliveira (PSD) e Helena Pinto (BE) consideram que esta deve ser acompanhada pelos meios e recursos necessários. O processo é uma “má experiência” com que o executivo camarário já se deparou, disse Pedro Ferreira (PS) e ao qual Miguel Bento (CDS-PP) associou um sentimento “bairrista” que diz prejudicar o desenvolvimento.

O debate juntou as cinco forças políticas que se candidatam às eleições autárquicas em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

A noite ia longa quando se entrou no último tema, a cultura, no qual o candidato do CDS-PP defendeu o apoio “efetivo” às coletividades do concelho e a criação de um “grande evento” que projete a cidade a nível nacional. Nesta questão, Helena Pinto (BE) apontou a criação de um Plano Municipal neste âmbito “pensado por todos”, a atribuição de 500 euros mensais para as Filarmónicas e o investimento nos criativos locais.

A intervenção de Ana Filipa Rodrigues (CDU) incluiu um projeto na antiga Fábrica de Fiação e Tecidos – que Pedro Ferreira anunciou ir ser adquirida pela câmara municipal -, assim como a criação de uma Casa das Artes e ações que unam associações e escolas locais, estimulando o associativismo. Pedro Ferreira (PS) referiu alguns investimentos municipais, nomeadamente o realizado no Teatro Virgínia, na ordem de um milhão de euros anuais, e defendeu a criação de uma Bienal de Artes.

A revalorização do CIGA – Centro de Interpretação das Grutas do Almonda também foi indicada e Ana Filipa Rodrigues (CDU) acusou o candidato do PS sobre a referência à possível concessão do espaço a privados, tendo Pedro Ferreira respondido que as duas entidades concessionárias podem decidir nesse sentido. João Quaresma de Oliveira (PSD), por seu lado, defendeu a melhoria da biblioteca pública, a transformação do Museu Municipal Carlos Reis numa “referência regional” e o regresso das festas da cidade à Praça 5 de Outubro.

O Teatro Virgínia esteve presente nas intervenções de alguns candidatos, tendo o do PSD e o BE referido que a programação cultural do concelho deve ser alargada a mais espaços. João Quaresma de Oliveira (PSD) considerou que o Teatro Virgínia deve ser rentabilizado, mas que a programação deve ser “mais aberta”. A Casa do Povo dos Riachos também marcou esta questão com Helena Pinto (BE) a criticar a referência de Pedro Ferreira (PS) ao alargamento desta infraestrutura depois da proposta bloquista ter sido chumbada em reunião de câmara.

O último momento foi dedicado ao apelo ao voto dos cinco candidatos, tendo Ana Filipa Rodrigues (CDU) referido o seu partido como “uma força política presente” e com “um projeto distintivo” assente numa “política de proximidade”, sem “secretismo” nem “torres de marfim”. Pedro Ferreira (PS) destacou o trabalho “feito ao longo de vários mandatos” pelo partido socialista, destacando a “linha de proximidade” com as freguesias.

João Quaresma de Oliveira (PSD) partilhou a sua vontade em “afirmar Torres Novas como um dos concelhos com melhor qualidade de vida do país” e inverter as consequências dos 24 anos de gestão socialista. Miguel Bento (CDS-PP) salientou que “estamos cansados de promessas políticas” e pretende “governar com uma estratégia de futuro”. Helena Pinto (BE) fechou o debate ao defender que o BE apresentou o “balanço, programa e equipa” e que a “total disponibilidade para o diálogo” e os “consensos” farão os torrejanos votar no seu partido no dia 1 de outubro.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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