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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Autárquicas/Sertã | Candidatos propõem um novo rumo para o Município (c/video)

A ausência do candidato do PSD e atual Presidente da Câmara da Sertã, José Farinha Nunes, marcou o debate realizado no dia 22, na capela do hotel do Convento, entre os candidatos às eleições autárquicas naquele concelho.

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Apesar de todas as diligências realizadas pela equipa do jornal digital mediotejo.net, que promoveu o debate, o candidato Farinha Nunes declinou o convite. Por coincidência, na mesma noite, decorria o jantar de apresentação de candidatos do PSD na Quinta de Santa Teresinha.

Mesmo assim, o debate realizou-se com a participação dos candidatos Maria João Mota Torres (CDS-PP), José Luís Jacinto (PS) e Ema Gomes (CDU) e com moderação dos jornalistas Mário Rui Fonseca e Elsa Ribeiro Gonçalves.

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A candidata do CDS-PP é Maria João Mota Torres, 50 anos, professora de biologia no Agrupamento de Escolas da Sertã, a cujo Conselho Geral preside. Foi deputada municipal nos mandatos autárquicos de 2005 a 2013, sendo militante do CDS-PP desde 2001. Diz que aceitou o convite do seu partido por considerar que, “neste momento, o concelho precisa do CDS na Câmara Municipal”. Terceiro partido mais votado no concelho em 2013, quando obteve 4,1% dos votos, o CDS-PP não elege um vereador desde 1989, último mandato em que teve um representante no executivo municipal.

A candidata do CDS-PP (Foto: mediotejo.net)

O candidato do Partido Socialista é José Luís de Moura Jacinto, 54 anos. Formado em Direito e professor Universitário, foi colaborador direto de Cavaco Silva quando este foi primeiro-ministro e Presidente da República, e presidente da Assembleia Municipal da Sertã entre 2009 e 2013. No atual mandato, José Luís Jacinto é deputado deste mesmo órgão e foi sempre eleito nas listas do PSD como independente. Candidata-se, como independente pelo PS, uma vez que foi desafiado por muitos sertaginenses preocupados com a situação do concelho e por considerar que a sua terra “merece muito melhor e que seja agora”.

O candidato do PS (Foto: mediotejo.net)
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A candidata da Coligação Democrática Unitária (CDU) é Ema Gomes, 24 anos. Reside na vila de Cernache do Bonjardim, onde exerce a profissão de bombeira, foi coordenadora do Núcleo de Proteção Civil da Escola Superior Agrária de Castelo Branco (2012 a 2013), candidata a deputada à Assembleia da República, pelo círculo de Castelo Branco nas eleições legislativas de 2015, e é membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista Os Verdes. Diz que se apresenta com um projeto de honestidade, trabalho e competência, profundamente ligado aos interesses dos trabalhadores, do ambiente, e das pessoas do concelho da Sertã. Esta é a segunda vez que se candidata à Presidência da Câmara da Sertã.

A candidata da CDU (Foto: mediotejo.net)

Os três candidatos lamentaram a ausência do candidato José Farinha Nunes (PSD) uma vez que, se estivesse presente, poderia ser confrontado com as críticas e as questões apresentadas pelos seus adversários políticos, tendo oportunidade de esclarecer os eleitores acerca das suas prioridades, obras e projetos.

Num concelho fortemente fustigado pelos incêndios no último verão e em que 75 por cento do território é ocupado por floresta, era inevitável a abordagem do tema relacionando-se com a questão do ordenamento do território.

Neste ponto José Luís Jacinto (PS) realça a importância económica da floresta e critica quem desvaloriza a importância da floresta como mais-valia do concelho. É de opinião que os incêndios deste ano provocaram uma mudança de mentalidades. “As pessoas sentem mais insegurança”, afirma o candidato. Para enfrentar o problema propõe um programa para potenciar a floresta envolvendo todos os protagonistas a pensar num horizonte de uma década e não com medidas avulsas.

Em relação ao mesmo assunto, Maria João Torres (CDS-PP) depois de relatar a sua experiência pessoal perante as chamas confessa que sentiu medo. A candidata centrista defende que se deve cuidar da floresta no inverno e que as estradas têm estar preparadas para o combate aos incêndios no verão, não depois dos incêndios, numa crítica implícita à Câmara.

O candidato do PSD declinou o convite para participar no debate (Foto: mediotejo.net)

Como bombeira que é, Ema Gomes (CDU) tem um conhecimento muito próximo sobre a realidade da floresta e dos bombeiros. Defende o ordenamento da floresta com as necessárias faixas de proteção e um reforço de meios para o combate aos incêndios.

Em relação à situação financeira do Município, os três candidatos questionaram as prioridades do atual Executivo PSD bem como alguns investimentos de milhões em ano de eleições. Ema Gomes (CDU) defende a implementação do orçamento participativo. “Quando lá chegarmos faremos as contas como deve ser”, anuncia José Luís Jacinto (PS).

Mais promoção turística procurando captar públicos de fora e novas empresas foi uma proposta transversal aos três candidatos.

A candidata da CDU complementa com a valorização do associativismo e das coletividades, enquanto a candidata centrista propõe-se valorizar as tradições, os saberes e sabores de outrora sempre numa perspetiva de captação de públicos de fora. Já o candidato socialista destaca a frente ribeirinha e as potencialidades “maravilhosas” que apresentam as margens da albufeira do Castelo do Bode e outros cursos de água. “Sertã precisa de pelo menos quatro grandes eventos ao longo do ano”, defende, lamentando com ironia que o concelho seja apenas conhecido pelo maranho e pelos incêndios.

O debate durou cerca de duas horas (Foto: mediotejo.net)

Uma preocupação transversal aos três candidatos foi a situação do Instituto Vaz Serra, uma instituição de ensino privada que funciona com cerca de 400 alunos em Cernache do Bonjardim.

Outro problema que preocupa os candidatos é a crescente desertificação do concelho, questão que afeta com maior ou menor acuidade todos os concelhos do interior mas que é mais grave em Municípios como a Sertã. A falta de emprego, o fecho de algumas empresas e os deficientes serviços de saúde foram alguns dos aspetos focados pelos candidatos como fatores que contribuem para a desertificação.

Já na reta final do debate, os três candidatos tiveram oportunidade de expor as últimas propostas e fazer um apelo ao voto.

Maria João Torres (CDS-PP) promete que vai “fazer diferente” como o prova a ação do seu partido na gestão autárquica noutros concelhos.

Prioridade para Ema Gomes (CDU) é a requalificação na EN 238 e uma nova dinâmica de que o concelho precisa. “Trabalho, transparência, honestidade e competência” foram os motes da sua mensagem final.

José Luís Jacinto (PS) assegura que tem a melhor equipa, o melhor projeto, as melhoras ideias para mudar o concelho. Na sua opinião, o que está em causa nestas eleições é manter tudo como está ou mudar, manter o ciclo de passividade ou aceitar o desafio de uma nova geração.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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