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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Autárquicas/Abrantes | Cine-teatro São Pedro recebeu debate autárquico na corrida a Abrantes (C/VIDEO)

No dia 13 de setembro houve debate autárquico no cine-teatro São Pedro com os cinco candidatos à Câmara Municipal de Abrantes. A excessiva construção de museus na cidade, o desinvestimento nas freguesias rurais, o ordenamento do território, a coordenação (ou a falta dela) durante os incêndios que devastaram parte da zona norte do concelho marcaram a discussão. Mas outros temas estiveram em cima da mesa como demografia, descentralização, investimento, emprego, saúde, educação, cultura, turismo, acessibilidades e, como não podia deixar de ser, a questão da poluição do rio Tejo.

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O desinvestimento nas freguesias rurais do concelho de Abrantes foi o tema que mais ocupou os cinco candidatos à Câmara Municipal de Abrantes, durante o primeiro debate entre todos, promovido pelo mediotejo.net em parceria com a rádio Antena Livre. Entre a socialista Maria do Céu Albuquerque, o bloquista Armindo Silveira, o comunista Luís Lourenço, o centrista José Vasco Matafome e o social-democrata Rui Mesquita, também o nome de Charters de Almeida foi pronunciado a propósito do museu em Abrantes com o nome do artista plástico, em alerta para o “número excessivo de museus” na cidade.

“Obras como o edifício Carneiro para pôr lá mais um museu ainda por cima com o nome Charters de Almeida, com pouca identidade no concelho… não percebo qual é o fetiche com uma pessoa que já nos levou muito dinheiro”, acusou o candidato do Partido Social Democrata (PSD) Rui Mesquita, com o candidato pelo CDS-PP, José Matafome, a defender que este é um momento de fecho de ciclo de “30 anos de governação socialista”.

Debate em Abrantes.
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No mesmo sentido, o candidato da Coligação Democrática Unitária (CDU), Luís Lourenço, considerou “demasiado” o investimento. “Não somos contra museus” mas devem ser “pequenos museus com baixos custos” lembrando o recente encerramento por dívidas do Museu da Vida de Cristo em Fátima, onde existe “um número de turistas” muito superior a Abrantes. “Criar muitos museus na cidade podem ser elefantes brancos que não têm rentabilidade”, alertou.

“Antes de fazer museus há que preservar” o património existente. O candidato comunista referiu o castelo e o jardim “que era lindíssimo e agora praticamente abandonado”. Lembrou a existência de um circuito de manutenção “que está degradado” com bancos por pintar, muretes de proteção derrubados e candeeiros partidos.

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Maria do Céu Albuquerque contrapôs com a proposta socialista de dividir a cultura em duas áreas, uma para consumo interno com o objetivo de “formar públicos para ajudar os cidadãos a crescerem do ponto de vista social”, salientando que a Câmara Municipal (CM) não quer substituir as entidades privadas. “O FinAbrantes entregou nestes últimos oito anos às associações cinco milhões de euros” para promoverem a cultura.

A candidata socialista justificou o investimento nos museus com o desejo de “alicerçar o turismo cultural no Médio Tejo”. Recordando que Abrantes não tem “a janela do Convento de Cristo” mas terá “equipamentos que reforçam a rede regional” capazes de tornar pouco provável que encerrem museus, como aconteceu com o exemplo citado de Fátima.

Sob o tema da cultura, Rui Mesquita ainda referiu a necessidade de revitalizar a identidade abrantina com “a cultura da palha de Abrantes, da tigelada, do desporto motorizado e da cidade florida” no sentido de trazer turismo, melhorar a economia e o movimento comercial, especialmente no centro histórico da cidade.

Nesse sentido, o candidato do CDS considera “fundamental o turismo” para o concelho. Mencionou o Alojamento local, o Turismo Rural. “Este ano vi em Abrantes vários turistas que não sabiam para onde ir. Chegavam aqui no sábado à tarde e estava tudo fechado”. Importante para o candidato centrista “não é só fazer é dinamizar o que há. Os caminhos pedestres ao lado da cidade estão cheios de balsas”, sustentou.

O investimento na reabilitação urbana, nomeadamente no centro histórico, também esteve em debate com o candidato do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, a chamar a atenção para “o grau de volatilidade da dívida” do município que “é total e elevado e são grandes as limitações do município no seu controlo”. Disse o candidato bloquista, relacionando a questão com entidades em que a “dívida é de 100%” assumida pelo município, referindo-se a titulo de exemplo ao TagusValley.

Armindo Silveira manifestou-se preocupado com a receita designadamente quando “daqui a 5 ou 6 anos encerrar a central a carvão” existente no Pego. Recorda que “muitas da obras realizadas, contaram com fundos comunitários. Criaram-se infraestruturas que precisam de manutenção” não prevista nos fundos da União Europeia. O candidato considerou a questão da manutenção dos equipamentos “o grande desafio” do Bloco de Esquerda e de qualquer executivo.

Debate autárquico em Abrantes.

O aparecimento “das grandes empresas já passou. É uma ilusão agora querer trazer para cá empresas que possam criar 300 ou 150 postos de trabalho. Aguentar as que já estão será muito bom”, disse o bloquista. “A questão do emprego é uma questão estrutural do país e não conjuntural”. A aposta do BE é na criação de emprego, nomeadamente na questão do turismo, com a “criação de percursos que possam ser concelhios e interconcelhios” exemplificou. Para o desenvolvimento do concelho, Armindo Silveira considerou urgente a criação do IC9, acrescentando que “as grandes superfícies continuam a dominar o comércio” em prejuízo dos pequenos comerciantes e da dinamização do centro histórico. Defendeu também que a ESTA deve permanecer onde está.

Agradado com as contas do município, Luís Lourenço sublinhou o que separa a CDU da gestão socialista: “A forma como são utilizadas as verbas”. O candidato comunista referiu os gastos na saúde que embora não sejam “incorretos” são “competências do Estado central”. “Gastar verbas em áreas que não são da competência da CM, depois falta dinheiro para outras coisas” como arruamentos, saneamento básico, água. Luís Lourenço frisou o “assustador estado dos arruamentos nas freguesias rurais”, defendendo uma pressão efetiva junto do governo central.

Falando sobre a desertificação do concelho, recordou a abolição de portagens na A23, uma medida que a CDU apresentou na Assembleia Municipal e que foi chumbada pelo Partido Socialista (PS). “Qualquer empresa que queira implementar-se no concelho tem esse custo acrescido”. Para o candidato comunista “sem emprego não há fixação de população”. Luís Lourenço aproveitou a oportunidade para lembrar “um primeiro-ministro que aconselhou as pessoas a emigrarem”.

O público no cine teatro São Pedro em Abrantes.

Quanto às zonas problemáticas de Abrantes como Vale de Rãs ou São Macário, Luís Lourenço defendeu “apoios às camadas da população mais carenciadas” mas numa lógica de direitos e deveres. “É importante que as pessoas sejam ouvidas, que existam pontos de ligação entre o município, o Estado, e perceber quais as suas necessidades” considerando que muitos dos problemas de segurança “têm origem na educação”.

Nesta questão o candidato do Bloco de Esquerda quis interpelar “a presidente”. Tal expressão causou alguma agitação no público levando Armindo Silveira a retificar: “candidata, desculpe não a vejo como outra pessoa”, dirigindo-se a Maria do Céu Albuquerque com algumas questões, e exibindo o programa eleitoral do PS no sentido “de avaliar a governação” do executivo socialista.

Maria do Céu Albuquerque manifestou-se disponível para abrir o dossier do Antigo Mercado da cidade e discutir novamente a matéria. “Assim faremos, com novos protagonistas” após as eleições autárquicas do dia 1 de outubro.

Abordando o tema da saúde o candidato do PSD indicou o número de 12 585 cidadãos no concelho de Abrantes “sem médico de família” garantindo a inexistência de “qualquer transporte público que lhe facilite o direito” de acesso à saúde. Admitindo que o tema “não é bem da nossa lavra. Mas estamos aqui para defender o bem estar das populações e não do governo central”. Sobre a segurança prometeu a criação de “um corpo municipal de guardas noturnos”.

E deu ênfase “às freguesias” enquanto Maria do Céu Albuquerque apontava o dedo ao PSD pela falta de propostas concretas em relação à saúde. A candidata socialista enumerava a UFS construída em Abrantes e a UFS em construção no Rossio ao Sul do Tejo.

Debatendo o mesmo tema, José Vasco Matafome expôs que na cidade e em Alferrarede não há carências nos cuidados de saúde uma vez que “têm médicos que chegam, o resto é que não”. Para o candidato centrista não existe equidade. “O sistema redistributivo, que é tão caro à ala esquerda, não é exercido com as pessoas”. José Matafome dá exemplos de má gestão de dinheiros públicos em “obras que não funcionam” como o açude insuflável. Para a segurança das pessoas sugere a colocação de “câmaras de vídeovigilância na cidade”.

Armindo Silveira, uma vez mais, defende as “freguesias” sem médicos de família e sugere que seja explicado “às universidades que existe um país real que não conhecem e a formatação que é feita não vai no sentido de defender as populações do mundo rural”. Enquanto José Vasco Matafome defendia as USF “porque os médicos ganham à tarefa e quanto mais trabalharem mais ganham”, Armindo Silveira alvitrou que o candidato centrista explicasse essa visão a um cidadão “idoso da Lampreia para vir a São Facundo à USF”.

Por seu lado, Luís Lourenço defendeu que os médicos “têm de se formatar de acordo com as necessidades das populações” e lembrou que “qualquer dia temos o país reduzido entre a A1 e o mar, opinando que a Autoestrada do Norte é a nova fronteira substituindo Espanha.

“Somos nós que mudamos o sistema e a candidata do PS faz parte de um partido que juntamente com o PSD instalou os numerus clausus” afirmou Armindo Silveira em resposta a Maria do Céu Albuquerque que justificava a falta de médicos nas freguesias rurais com “o sistema”.

Por seu lado, Rui Mesquita defende uma “igualdade e equidade” entre a cidade e as freguesias rurais. E é nesse sentido que o PSD propõe “um programa de presidência aberta” em que o presidente da Câmara tenha um dia por semana para “se deslocar às freguesias no sentido de se inteirar das necessidades da população”. Será ainda criada, se o PSD for governo, uma “vereação própria para as freguesias, da competência do presidente da Câmara”.

Ia o debate a meio quando chegou a vez de discutir o ambiente, a poluição no rio Tejo e a Albufeira de Castelo de Bode.

A candidata socialista relembrou os dois ativos que são o rio Tejo e o rio Zêzere. Disse que o PS quer levar a água a partir da Albufeira de Castelo de Bode ao sul do concelho, manifestando-se preocupada com a qualidade da água após os incêndios de agosto e recordou, em resposta às críticas dos candidatos adversários, que o espelho de água em Abrantes já fez uma atleta olímpica.

O candidato social-democrata considerou que a praia fluvial de Fontes deveria ter sido feita nos Remendos e não onde está construída. Refere que em semelhança a Aldeia do Mato as acessibilidades à praia fluvial são estreitas e sem condições em dias de grande fluxo de visitantes. Falando do Tejo, garante que o PSD vai aproveitar os recursos naturais do concelho.

José Matafome manifestou-se preocupado com “a pouca água do rio” Tejo, mas justifica tal caudal com “negócio” de um ministro do PS. “O rio deve ter lugares onde possamos usufruir dele. As estruturas quando são rentáveis, as pessoas tomam conta delas”, frisou, acreditando ser “possível trazer investimento” para Abrantes.

O candidato Armindo Silveira manifestou concordância do BE com investimento na Albufeira de Castelo de Bode desde que “seja amigo do ambiente”. Quanto à poluição no rio Tejo apontou o dedo ao PS por “ter andado arredado” destas questões. “O BE tem na sua génese defender o ambiente. Sabemos que a central nuclear é um perigo constante, lutaremos para que seja encerrada. Queremos transformar o concelho numa referência a nível ambiental. Também um concelho livre de transgénicos”, sustentou, prometendo “solucionar o problema no aterro sanitário” de Abrantes.

A CDU vê o problema da poluição do rio Tejo mas entende “ser demagógico dizer que a CM pode solucionar os problemas de poluição no rio”. No entanto, entende que o executivo deve pressionar o governo central a tomar medidas. Preocupa também Luís Lourenço o “cada vez mais pequeno caudal do rio Tejo e “a qualidade da água” na Albufeira de Castelo de Bode.

Quase no final do debate José Vasco Matafome defende a “descentralização” e traz a polémica da coordenação (ou a falta dela) durante os incêndios no concelho em agosto. Declarou não existir ordenamento da floresta mas sim “fogo-posto”. Opinou sobre a “descoordenação” dos bombeiros no terreno. “As chefias não sabiam o que estavam a fazer e como resultado ardeu o país inteiro”. E deu conta da necessidade de “pontos de água para que os auto tanques possam abastecer em minutos”.

Para Rui Mesquita já não é “hora de definir soluções”. O candidato do PSD garantiu que se for governo vai reflorestar e comprar mais máquinas de rasto. Assegurou a verificação “das bocas de incêndio que não funcionam”. Acima de tudo, sublinhou, o PSD irá “trabalhar com empresas de recolha de resíduos, no contacto com os particulares para que todos lucrem”.

Com os operacionais no terreno “estavam reunidas as condições para o combate aos incêndios ser eficaz”, disse Armindo Silveira. Contudo, “o combate aos incêndios começa na escolha das espécies que são plantadas, no ordenamento da floresta, e não na escolha de árvores de crescimento rápido”. Propõe novas zonas de proteção da natureza.

Luís Lourenço explicou que a CDU não é contra a plantação de eucaliptos mas sublinha a obrigatoriedade de critérios. “Neste momento planta-se única e exclusivamente eucaliptos. Não pode existir eucaliptais contínuos sem espaços para outras espécies”. Acrescenta que as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) são uma “boa aposta” mas, no entender dos comunistas, estão a servir as celuloses. “Não aceitamos que as ZIF usem as suas bases de dados para servir as celuloses”.

Opinião diferente manifestou Armindo Silveira: “Defender a ZIF dentro do atual ordenamento jurídico não é solução”.

Maria do Céu Albuquerque indicou um PS disponível “para trabalhar com todos os parceiros públicos e privados” com potencial produtivo e económico da florestal. Lembrou que o concelho possui quatro ZIF e prometeu apoio à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes “dentro das suas reais necessidades”.

O debate terminou após três horas, com a sala do Cine-Teatro São Pedro a apresentar 50% de ocupação.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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