Sábado, Fevereiro 27, 2021
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“Autárquicas por aí… e aqui”, por Nelson de Carvalho

Começam a desenhar-se algumas coisas pelo distrito (todavia os distritos já só existem nas nossas cabeças …).

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Ouço que o PSD não está de grande saúde e as coisas não prometem, a começar por cá, por Abrantes …

Ouço e leio que o PS carrega uma série de dificuldades e algumas também já se lêem por aí.

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Da CDU e do BE mal se fala.

Por partes.

Os problemas públicos do PS:

– Uma decisão centralizada do Largo do Rato que define como candidatos todos os presidentes de câmara em exercício. Assume decisões que seriam das concelhias, tornando o papel destas nulo. Mal estar? Talvez em diversos lugares…

– Um líder distrital e deputado que vê sentença judicial de condenação por ato no exercício da atividade profissional confirmada na relação. Contestação interna? Silêncios? Má imagem pública …

– Uma câmara importante onde publicamente a presidente e o seu ex companheiro se acusam alegadamente tendo na base violência doméstica e algumas demissões e mexidas talvez pouco compreensíveis (ou não).

– Um concelho onde o ex vai dizendo que contem com ele mesmo que possa ser como independente.

– Um concelho onde um histórico que teve responsabilidades aparece na candidatura do CDS.

– Um concelho a sul onde o atual presidente e candidato por definição se vê contestado com outra eventual candidatura …

Anunciam-se perdas sem ganhos à vista.

Vê-se um PSD forte e capaz? Hmmm …

Se olharmos para Abrantes:

– Um trio do passado a impor o comando das operações, ao que vamos ouvindo por aí de tristes queixas.

– Um candidato a presidente da Câmara reciclado do CDS e de uma candidatura passada mal sucedida.

– Um presidente de junta (o mais conhecido e reputado, julgo eu) a pôr-se de fora, não da candidatura mas do partido.

– A atual cabeça de lista da Assembleia Municipal a ter de escrever uma longa resposta às críticas de um do trio do passado e a sair da candidatura.

– Uma atual vereadora e vir a público demarcar-se inteiramente.

– Ex candidatos e responsáveis a vir a terreiro demolir o partido e a sua estratégia, ação e opções.

– e o que se diz que está para vir …

Quer dizer: de muito mal a bem pior. O PSD local não atina consigo próprio quanto mais com a Câmara …

Ah! Sim, faltam o CDS, a CDU/PCP e o Bloco.

Seguem silenciosos. Espera-se prova de vida a curto prazo.

O CDS tem uma oportunidade, à direita. Perante a fragilidade do PSD, e em Abrantes o caos desenhado, o CDS sente que tem terreno livre à sua frente. A estratégia só pode ser o avanço generalizado em forma e em força. Candidaturas em todo o lado e a todos os órgãos. Encostar o PSD, ganhar votos e eleitos, reforçar-se. Estão no terreno a preparar a invasão.

A CDU e o BE permanecem invisíveis. Em Abrantes não se vê nada a mexer. Preparam coisas novas discretamente? Ou a anemia já vai avançada? De qualquer modo terão de aparecer nem que seja numa operação de contenção de danos e de evitar o óbito.

Questão sobrante. E importante. Motivação para a campanha, dos militantes, motivação para o voto, dos eleitores. Adivinha-se pouca. Com o plano inclinado da “crise da representação” a crescer …

Pode ser que ainda haja surpresas. Desejáveis.

 

Ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes e ex-presidente da Assembleia Municipal de Abrantes, é o atual presidente da direção do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA).
Escreve no mediotejo.net às sextas-feiras

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