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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Vila de Rei

Criar emprego, reforçar o papel da zona industrial e fixar empresas, vincar a identidade turística, modificar a paisagem florestal e incrementar a cultura e os cuidados de saúde no concelho. Foi a partir destas bases que o futuro do concelho de Vila de Rei esteve em cima da mesa no debate que juntou à mesa a 17 de setembro os candidatos à Câmara Municipal de Vila de Rei nas eleições autárquicas. Num debate que teve lugar nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, estiveram frente a frente os candidatos Isilda da Silva (CDU), Luís Santos (PS) e Ricardo Aires (PSD).

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Isilda da Silva (CDU) Enfermeira, 47 anos. Trabalha no Centro Hospitalar do Médio Tejo. É natural de Fundada, onde reside. Militante do PCP, tem concorrido às eleições autárquicas desde 2001. Licenciada em Enfermagem, tem pós graduação em Dor/Cuidados Paliativos e mestrado em Gestão e Economia da Saúde. A candidata fez parte, entre os anos 2002 e 2018, dos órgãos sociais da Liga Cultural Amigos do Vilar do Ruivo. Candidata-se com o lema ‘Desenvolvimento sustentável e compromisso com as pessoas’.

Luís Santos (PS)  Professor de Matemática, 60 anos. Licenciado em Engenharia. É natural de Angola, reside na Sertã e é docente do ensino básico e secundário em Vila de Rei. Militante socialista, é vereador na autarquia vilarregense, tendo sido eleito em 2017 pelo PS. Exerceu funções como a de Comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila de Rei entre 2002 e 2006.

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Ricardo Aires (PSD) Professor de Educação física, 49 anos. Casado, tem dois filhos. É o atual presidente da Câmara de Vila de Rei, eleito em 2013, e recandidata-se a um terceiro mandato. Foi vereador e vice-presidente na autarquia vilarregense entre 2003 e 2013. Sempre esteve ligado ao PSD desde jovem. Integra a direção da Pinhal Maior – Associação de Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul. Esteve ligado a coletividades, tendo integrado órgãos sociais, caso do Vilarregense Futebol Clube e a Casa do Benfica de Vila de Rei. Recandidata-se com o lema “Futuro no Centro”.

Mais qualidade de vida e dinamismo em Vila de Rei. São os motivos que sustentam as candidaturas dos três candidatos à Câmara Municipal nestas eleições autárquicas. “Resolvi recandidatar-te (…) como imperativo de cidadania e queria aumentar a participação dos vilarregenses na vida do seu concelho”, começou por expor Luís Santos (PS). Já Ricardo Aires (PSD) recandidata-se para um último mandato sob a bandeira da qualidade de vida e de trazer “novas empresas para o nosso concelho”. Estreante nesta corrida às autárquicas, Isilda da Silva (CDU) candidata-se para combater o despovoamento e “a falta de dinamismo” de Vila de Rei. “Pretendemos para Vila de Rei um desenvolvimento sustentável, integrado e que respeite as pessoas e natureza, que respeite desde os jovens até às pessoas no seu fim de vida”, disse.

E nestas propostas há denominadores comuns que marcaram presença no debate entre os candidatos vilarregenses, nomeadamente, a criação de emprego – intimamente ligada com a atração de novas empresas. “O caminho vai-se caminhando. O concelho de Vila de Rei tem estado nos últimos anos a apostar fortemente na Zona Industrial do Souto e neste momento temos boas condições para fazer a atração das empresas para o concelho”, afirmou Ricardo Aires (PSD), referindo que o Município está “a comprar terrenos para expandir a zona industrial“.

Já Isilda da Silva (CDU) diz que “não podemos ter um concelho desenvolvido economicamente se não tivermos emprego. Mesmo para as pessoas voltarem, só voltam se tiverem emprego, habitação, qualidade de vida”, referiu, defendendo que aquele que existe no concelho é precário. “O salário médio em Vila de Rei são 850,00€, quase menos 300,00€ que o salário médio do país”, acrescentou.

Defendendo a criação de mais indústrias – não poluentes – Luís Santos (PS) reforça a temática da empregabilidade com a necessidade de “diversificar o tipo de emprego que existe em Vila de Rei, aumentar o número de emprego para jovens qualificados. O índice do poder de compra é bastante baixo no concelho. Temos de incrementar o emprego jovem e qualificado de forma a aumentar o rendimento”, assumiu, propondo a criação de uma incubadora de empresas.

E por falar em empresas, veio à mesa o esperado investimento da farmacêutica Cann 10, que pretende instalar uma unidade de transformação de canábis no concelho. “A Cann 10 há-de ser uma realidade no concelho”, admitiu Ricardo Aires (PSD), dando conta de que se aguarda luz verde por parte do Governo para a candidatura de 10 milhões de euros apresentada pela empresa. A este respeito, Isilda da Silva (CDU) exalta a extrema importância de empresas como esta para “alavancar a economia”. 

Depois da economia, é tempo de falar de demografia. Como combater a perda de população? A resposta é consensual entre os candidatos no que respeita à toma de medidas: não bastam medidas locais, são precisas soluções por parte do Governo central. “Tem que haver mais interesse dos Governos, porque isto não é de agora. Vila de Rei não perdeu assim tanta gente porque também somos poucos. É obrigatório que o Governo central olhe para o interior”, assumiu Isilda da Silva (CDU), defendendo uma regionalização como resposta para “dar às regiões a importância que merecem e alavancar o interior do país”.

Já para Luís Santos (PS), uma das respostas passa pelo incentivo do emprego jovem. “Porque é através dos jovens que nós fomentamos a natalidade, e seria uma forma de estancar a diminuição de população”. Por sua vez, Ricardo Aires (PSD) admite que apesar de Vila de Rei ser “o concelho do Médio Tejo e do distrito de Castelo Branco que temos mais apoios para as pessoas se fixarem no nosso concelho”, só se vai conseguir estancar esta situação com “forte discriminação positiva para empresas” do interior. No entanto, expõe os dados do concelho com uma pequena conta de matemática: “Fomos o concelho do distrito de Castelo Branco que descemos menos. Em 10 anos morreram 800 pessoas, nasceram 200 pessoas, perdemos 176 pessoas, por isso, houve um acréscimo de 424 pessoas, o que quer dizer que nós ainda conseguimos captar 424 pessoas -e são casais jovens”.

Floresta. Numa altura em que já avançou o processo de cadastro simplificado no concelho, e em que está em curso o projeto piloto das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), Ricardo Aires (PSD) diz que é para “agarrar com unhas e dentes” esta iniciativa do Governo central. “Temos que modificar a paisagem – ter agricultura, ter cada vez mais apicultores. É a última oportunidade destes territórios”, disse, aludindo aos 200 milhões de euros aprovados em Conselho de Ministros para a modificação das paisagens nos territórios afetados por incêndios.

“A modificação da paisagem é extremamente importante e isto influencia o ambiente, o turismo. É extremamente importante termos uma agricultura de subsistência porque há 50 anos a propagação dos fogos não era tão grande como é agora”, assumiu Luís Santos (PS), enquanto Isilda da Silva (CDU) elencou algumas das medidas a tomar nesta área da floresta como a restrição à expansão da área de eucalipto, a valorização dos subprodutos da floresta e a criação de uma equipa de sapadores florestais por freguesia.

Ainda nesta área, o candidato do PSD anunciou a intenção de criar uma biorefinaria no concelho. “Nós vamos fazer uma biorefinaria para tirar os escombros [florestais] que estão há anos e utilizar essa biomassa para energia e também fazer paralelamente óleos essenciais”, disse.

O debate prosseguiu com a cultura e o turismo a sentarem-se à mesa. No primeiro tema, um dos que a candidata da CDU considera ser dos mais pobres do concelho – o desenvolvimento cultural – foram apontadas por Isilda da Silva medidas como a criação de residências artísticas, encontros literários, ciclos de cinema e até uma oficina de teatro. “O que nós pretendemos é que as pessoas tenham eventos culturais de toda a área, que haja uma cultura diversificada. O nosso objetivo é colocarmos Vila de Rei na rota da cultura portuguesa”, assumiu, indo mais além ao afirmar que “a cultura pode vir a ser em Vila de Rei uma maneira de atrair emprego e de atrair empresas”.

Já no turismo, as propostas são diversas. Ricardo Aires (PSD) assume que quer que o concelho seja conhecido como “turismo inclusivo”. “Queremos ser reconhecidos a nível nacional e internacional por sermos um turismo inclusivo. Vai ser um dos aspetos que vai conseguir que haja mais pessoas a investir no nosso concelho. Quando formos uma marca nacional no turismo, tenho a certeza que iremos receber muitas pessoas e isso vai tornar o nosso concelho economicamente melhor. Com esta marca vamos desenvolver o nosso concelho para gerar mais riqueza para o concelho”, admitiu, deixando claro: “Queremos que o nosso turismo continue a ser uma pérola para nós”.

Outra marca a aproveitar, defende Luís Santos (PS), é a do centro de Portugal. “Propomos melhorar os acessos às praias fluviais, preservar e melhorar os trilhos existentes e procurar implementar novos, apostar na criação de mais infraestruturas de alojamento turístico sustentável, realização de sunset no centro geodésico e criar baloiços paisagísticos em pontos estratégicos, fomentar a rota das paisagens”, disse.

Para Isilda da Silva (CDU), é essencial sinalizar o património natural e arquitetónico, bem como integrar os turistas nas aldeias, num turismo de proximidade em que assistam àquilo que se faz em cada lugar.

Mas sem saúde nada se faz e neste tema a candidata comunista vincou a necessidade de aproximar os cuidados primários das pessoas. “Tem de haver uma maior interligação entre o Centro de Saúde e os vilarregenses. A Câmara pode participar ativamente como representante dos utentes na gestão dos interesses da comunidade junto da direção do Centro de Saúde”, referiu, apontando de seguida uma das principais medidas a tomar nesta área: a criação de uma unidade de cuidados paliativos.

Já o candidato Luís Santos (PS) quer “diligenciar no sentido de os idosos do nosso concelho terem prioridade no internamento nos lares mais próximos da sua área de residência”, enquanto Ricardo Aires (PSD) anunciou a aposta na saúde mental, num projeto em curso que envolve IPSSs.

Recorde o debate na íntegra entre os candidatos à Câmara Municipal de Vila de Rei no nosso canal de Youtube:

VILA DE REI

O concelho de Vila de Rei tem hoje 3276 habitantes, metade dos que tinha há 100 anos. É ali que se ergue o Centro Geodésico de Portugal Continental, marcando o Centro do país.

O concelho tem vários pontos de interesse turístico, com as cascatas do Penedo Furado, e o facto de ser atravessado pela Estrada Nacional 2 também despertou nos últimos anos o interesse de muitos visitantes.

O setor de atividade que emprega mais pessoas é o das indústrias transformadoras, seguindo-se o da construção. Tem 2740 eleitores distribuídos por três freguesias. Uma delas, São João do Peso, é a freguesia mais pequena de Portugal Continental, possuindo um plenário de cidadãos eleitores por ter menos de 150 pessoas recenseadas.

É também a freguesia na região do Médio Tejo que mais população perdeu na última década: 35,5%. O concelho de Vila de Rei é, desde 1976, governado à direita.

Nas primeiras eleições autárquicas em democracia, o PSD conseguiu alcançar 74% dos votos. Seguiram-se maiorias da Aliança Democrática (AD) e depois do CDS, em 1985. O PSD voltou a conquistar o poder autárquico em 1989, mantendo-se sempre vencedor até às últimas eleições, ocorridas em 2017.

Candidatos no concelho de Vila de Rei

PSD

Câmara Municipal  Ricardo Aires
Assembleia Municipal  Paulo Brito
Vila de Rei  Sérgio Francisco
Fundada  Manuel Mendes
São João do Peso *  Rita Cavalheiro

PS

Câmara Municipal  Luís Santos
Assembleia Municipal  António Domingos
Vila de Rei  Luís Branco
Fundada  São Jorge Crisóstomo

CDU

Câmara Municipal  Isilda da Silva
Assembleia Municipal  Carlos Almeida
Vila de Rei  Alfredo Gaspar
Fundada  Horácio Mendes

* NOTA sobre a freguesia de São João do Peso – a eleição decorre em plenário de cidadãos eleitores, por estarem menos de 150 pessoas recenseadas na freguesia. No dia do plenário poderão apresentar-se à mesa candidatos a presidente de junta, bastando entregar a lista para entrar na votação. Até ao momento apenas Rita Cavalheiro (PSD) assumiu a candidatura antecipadamente, pois no plenário os candidatos podem aguardar até à data da sessão para se apresentarem.

 

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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