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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Torres Novas

O passivo ambiental da Fabrióleo, a necessidade de voltar a atrair indústria e o desenvolvimento cultural do concelho foram os principais temas em cima da mesa no debate que juntou à mesa a 21 de setembro os candidatos à Câmara Municipal de Torres Novas nas eleições autárquicas. Num debate que teve lugar nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, estiveram frente a frente os candidatos Nuno Guedelha (CDU), Helena Pinto (BE), Pedro Ferreira (PS), Tiago Ferreira (PSD/CDS), António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra), Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal) e José Correia (Chega).

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BE – Helena Pinto, 62 anos. Conta com oito anos e dois mandatos enquanto oposição no executivo camarário.

CDU – Nuno Guedelha, 45 anos. Presidente do Cineclube de Torres Novas, passou o último mandato como deputado na assembleia municipal. É diretor de segurança no setor privado. 

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PS – Pedro Ferreira, 69 anos. Na gestão do município desde 1993, assumindo durante 20 anos a vice-presidência e nos últimos oito anos a presidência. Antes da vida autárquica, trabalhou como técnico oficial de contas e inspetor de seguros, sendo mais conhecida a sua participação na fundação do CRIT – Centro de Reabilitação e Integração Torrejano.

Movimento P’la Nossa Terra – António Rodrigues, 66 anos. Saiu das lides municipais em 2013, após 20 anos a liderar o Município pelo Partido Socialista. Concorre agora como independente.

Iniciativa Liberal – Cristina Rodrigues, 54 anos. Desempenha a atividade profissional de advogada.

PSD-CDS – Tiago Ferreira, 45 anos. Perito avaliador de profissão, esteve no último mandato como vogal da assembleia de freguesia de Santa Maria, Salvador e Santiago. Conta ainda com atividade como dirigente associativo, nomeadamente no Clube de Judo de Torres Novas, onde foi presidente.

Chega – José Correia,52 anos. Desempenha a atividade profissional de gestor.

São sete os candidatos à Câmara Municipal de Torres Novas nas eleições autárquicas do próximo dia 26 de setembro e as motivações, embora distintas, tem em comum a vontade de mudança. Para o atual presidente do Município e recandidato do PS, Pedro Ferreira, a necessidade de “lutar pelos novos desafios” que se avizinham, depois de um mandato “cortado a meio pela pandemia”, é a sua principal motivação para avançar novamente à Câmara Municipal, com os olhos postos “na perda da população, na importância do emprego e da habitação, na qualidade de vida”. Já António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra), antigo presidente da autarquia, a justifica a sua candidatura com “a pressão que tive de muitos torrejanos” e admite que olhar para a educação será a primeira coisa que fará caso seja eleito. “A melhor forma de fixar as pessoas é apoiar as famílias. Apoio ao cheque escolar, a Câmara pagar às famílias um valor, também um apoio à despesa com a creche”, elencou.

Por sua vez, Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal) admite concorrer para “passar da crítica à ação). “Aquilo que me motiva é fazer diferente ao pensar liberal. É trazer para a discussão pública e política um modo de estar e de gerir a causa pública diferente”, diz, apontando como urgente reabilitar o centro histórico: “A cidade de Torres Novas está muito desordenada, o centro histórico está sujo e devolver o centro às pessoas seria uma das prioridades”. Já “um sentimento genuíno” pela cidade e com a premissa de “não deixar ninguém para trás”, Tiago Ferreira candidata-se pela coligação PSD/CDS para trazer “uma nova dinâmica” ao concelho. “Queremos fazer a diferença, queremos fazer mais, queremos fazer melhor. E, principalmente, queremos acabar com os vícios instalados na autarquia, queremos acabar com esta guerra interna de egos pessoais que não prioriza Torres Novas mas sim guerras pessoais internas”, defendeu, apontando como uma das primeiras medidas a realização de uma auditoria interna aos funcionários do município.

Seguiram-se as motivações de José Correia (Chega) que, sucintamente, diz que a sua candidatura é “como a expressão de uma vaga de fundo de muitas pessoas que estavam descontentes com o atual rumo da Câmara”. A sua primeira ação, diz, será uma auditoria independente à Câmara para “saber em que pé as coisas estão” e a criação de um portal de transparência em que todas as interações da Câmara Municipal com os seus munícipes vão estar plasmadas”. Da direita para a esquerda, Helena Pinto (BE) concorre pelos resultados positivos que o partido tem obtido no concelho enquanto oposição no executivo camarário. Assume a necessidade de alterar o funcionamento da autarquia de modo a “introduzir a dimensão de igualdade” entre os munícipes, a candidata sublinha ainda a necessidade primeira de limpar a cidade e ordenar o trânsito. “É preciso que a imagem da cidade e do concelho seja diferente. Seja uma imagem que nos orgulhe e que projete o concelho, que seja agradável para quem lá vive e para quem nos visita”, referiu.

De acordo com a ordem do sorteio, o último a apresentar as suas motivações foi Nuno Guedelha (CDU), que exaltou a sua experiência de participação na sociedade torrejana e a luta por ideologias emergentes contrária à que defende como motivos para dar o passo em frente na corrida à Câmara de Torres Novas. No entanto, propõe-se a falar com “todos os adversários e vereadores que forem eleitos” para levar a bom porto a ligação do poder autárquico com os munícipes.

Depois das apresentações, o ambiente. Em específico, o tema da Fabrióleo, do seu passivo ambiental e das consequências para a população e qualidade de vida. “A Fabrióleo tem que cumprir as leis como qualquer um de nós tem que cumprir as leis. É um dos temas que me fez voltar a concorrer à Câmara”, começou por intervir António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra). Já Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal) admite que uma solução só será possível após conhecer realmente a “dimensão do estrago causado com os resíduos que foram deixados”, enquanto Tiago Ferreira (PSD-CDS) assume como “imperativo” uma resposta. “É inaceitável que as nossas populações do Carreiro da Areia não consigam dormir à noite com o cheiro”, apontou.

Com o candidato José Correia (Chega) a não tocar a fundo no assunto, Helena Pinto (BE) afirma, por outro lado, que a questão da Fabrióleo dava por si um debate. “Não podemos esperar mais tempo porque cada vez que chove, a Fabrióleo faz despejos para a ribeira, toda a gente sabe disso. (…) Aquilo que come o metal, de certeza que não faz bem aos seres humanos. E muito menos às terras em redor onde as pessoas têm as suas hortas. Aquilo tem de ser tirado dali e o Governo central tem de ser chamado. E tudo o que está ilegal ali tem de ir abaixo”, defendeu. Do lado da CDU, Nuno Guedelha, admite que o problema se resolver “com coragem política”, enquanto Pedro Ferreira (PS) admite que “nem esta Câmara nem nenhuma Câmara do país tem capacidade e meios técnicos para deitar aquilo abaixo.”

Ainda no ambiente, a questão do rio Almonda veio acima da mesa com Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal) a criticar a gestão dos últimos 30 anos que tem sido “de uma agressividade inqualificável para com o rio. (…) Mete dó o rio no centro da cidade, é inqualificável continuarmos a ter zonas da cidade a esgotar diretamente para o rio e isso acontece, sou testemunha que acontece. (…) Hoje o rio é miserável”, criticou. Em resposta, Pedro Ferreira lembrou os 30 milhões de euros investidos pela Águas do Ribatejo para despoluir o rio, não obstante a sujidade resultante de “alguma descarga feita pela calada da noite”.

Passamos para a economia e aqui, as opiniões são maioritariamente consensuais. Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal) defende que a Câmara “não pode ser o travão dos privados” enquanto António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) defende que a autarquia tem de ser “uma voz ativa” junto dos empresários e não “virar costas”. “Torres Novas perdeu dezenas de empresas nos últimos 10 anos. Mas também é verdade que não vem ninguém investir em Torres Novas enquanto o urbanismo da Câmara durante dois, três anos a responder a uma empresa. Esse é um dos grandes problemas”, apontou.

Para Tiago Ferreira (PSD-CDS) é necessário dotar o município de um departamento de urbanismo capaz de resolver os problemas das pessoas, apresentando a intenção pioneira de trazer para a Zona Industrial da Zibreira um posto de abastecimento de hidrogénio. Já José Correia (Chega) defende a desburocratização e um gabinete de apoio ao investimento, bem como a ligação entre as zonas industriais do concelho, enquanto Nuno Guedelha (CDU) reivindica pela gratuitidade do pórtico na A23 entre Zibreira e Torres Novas. Helena Pinto (BE) foca a sua atenção no comércio local como base fundamental para o concelho – que considera ter vindo a ser “destruída” –, propondo apoio nas rendas para novos comerciantes, numa intervenção que foi subscrita pelo candidato Pedro Ferreira (PS).

Passamos para a cultura, onde se destaca a proposta de Tiago Ferreira (PSD-CDS) de criar um plano de desenvolvimento cultural transversal a todo o concelho, a ideia de José Correia (Chega) de “apenas fazer o que é genuinamente torrejano”, como feiras de gado, ou ainda a intenção de Helena Pinto (BE) de criar um programa de apoio à criação artística com três vertentes: “bolsas de estudos para quem quiser desenvolver determinadas áreas, apoio a artistas profissionais e apoio a artistas amadores”. Também Nuno Guedelha (CDU) propõe a criação de um gabinete de apoio a projetos culturais e artísticos, admitindo a necessidade de “levar a cultura a todo o concelho, envolvendo as coletividades, recuperando os seus espaços (…) e dinamizando e criando condições para que os jovens participem”.

Ainda a este respeito, Pedro Ferreira (PS) admite estarem previstos investimentos culturais relacionados com os prédios Alvarenga e a Central do Alqueidão, enquanto Cristina Rodrigues (Iniciativa Liberal), diz haver “falta de transparência e falta de substância” a este nível cultural. Por seu lado, António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) defende a necessidade de se dar “oportunidade aos artistas torrejanos” e de articular a cultura com as escolas.

Pode ver o debate na íntegra no nosso Canal de YouTube:

TORRES NOVAS

Numa breve caracterização do concelho de Torres Novas, o Censos de 2021 aponta uma perda de 7% de população no concelho na última década, que regista atualmente 34 149 habitantes. O desemprego situa-se nos 3,5%, sendo um território onde o comércio por grosso e a retalho e as indústrias transformadoras absorvem 39,2% dos trabalhadores, segundo o Pordata.

Desde 1993 que o PS ganha consecutivamente neste concelho, com uma alteração em 2013 do cabeça de lista. Nestas eleições Pedro Ferreira (PS), recandidato ao terceiro mandato, defronta assim o seu antigo presidente, António Rodrigues, que se candidata pelos independentes Movimento P’la Nossa Terra.

O desfecho do ato eleitoral é um mistério, sobretudo pela ampla presença de listas opositoras, sete no total. A Iniciativa Liberal e o Chega fazem a sua estreia, tornando ainda mais imprevisíveis os resultados.

Candidatos no concelho de Torres Novas

PS

Câmara Municipal: Pedro Ferreira

Assembleia Municipal: José Trincão Marques

Freguesias

Assentis: Tiago Pereira
Chancelaria: Alfredo Antunes
Meia Via: José Couteiro
Pedrógão: Paulo Simões
Riachos: Pereira Jorge
Olaia e Paço: Nuno Godinho
Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel: Manuel Júnior
São Pedro, Lapas e Ribeira Branca: Júlio Clérigo
Santa Maria, Salvador e Santiago: Pedro Morte
Zibreira: João Cassis

Movimento P’la Nossa Terra

Câmara Municipal: António Rodrigues

Assembleia Municipal: Fernando Zuzarte Reis

Freguesias

Assentis: apoio a GIFA, candidatura independente de Leonel Santos
Chancelaria: Carlos Mendes
Meia Via: Ariana Fernandes
Pedrógão: Joana Dias
Riachos: José Ferreira
Olaia e Paço: Cláudio Nunes
Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel: Paula Bruno
São Pedro, Lapas e Ribeira Branca: Marco Sousa
Santa Maria, Salvador e Santiago: João Dias
Zibreira: Mara Nicolau

PSD-CDS
Câmara Municipal: Tiago Ferreira
Assembleia Municipal: Arnaldo Santos

Freguesias

Assentis: sem candidato
Chancelaria: João Filipe Santos
Meia Via: João Frade
Pedrógão: Paulo Faustino
Riachos: Francisco Longe
Olaia e Paço: Rui Nunes
Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel: Pedro Inverno
São Pedro, Lapas e Ribeira Branca: Ana Brites
Santa Maria, Salvador e Santiago: João Paulo Gomes
Zibreira: Ana Sofia Coutinho

BE

Câmara Municipal: Helena Pinto

Assembleia Municipal: Roberto Barata

Freguesias

Assentis: Marco Oliveira
Chancelaria: sem candidato
Meia Via: Hugo Paz
Pedrógão: sem candidato
Riachos: Luís Santos
Olaia e Paço: Leonel Pereira
Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel: José Júlio Antunes
São Pedro, Lapas e Ribeira Branca: Nelson Campos
Santa Maria, Salvador e Santiago: Pedro Triguinho
Zibreira: sem candidato

CDU

Câmara Municipal: Nuno Guedelha

Assembleia Municipal: Cristina Tomé

Freguesias

Assentis: Marco Conde
Chancelaria: sem candidato
Meia Via: Carlos Nunes
Pedrógão: João Silva
Riachos: Carlos Duarte
Olaia e Paço: Paulo Rosa
Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel: Luís Jeremias
São Pedro, Lapas e Ribeira Branca: Pedro Neves
Santa Maria, Salvador e Santiago: João Saramago
Zibreira: Rui Caetano

Iniciativa Liberal

Câmara Municipal: Cristina Rodrigues

Assembleia Municipal: Pedro Sousa

Freguesias: sem candidatos

Chega

Câmara Municipal: José Correia

Outras candidaturas às Assembleias de Freguesia

Assentis:
Leonel Santos – GIFA – Grupo de Independentes Freguesia de Assentis (presidente em exercício)

Santa Maria, Salvador e Santiago:
José Manuel Lopes – Alternativa Autárquicas 2021

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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