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Domingo, Outubro 24, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Tomar

O futuro e o desenvolvimento de Tomar, enquanto cidade e concelho, esteve no centro das reflexões e propostas apresentadas pelos candidatos à Câmara Municipal de Tomar nas Eleições Autárquicas, no debate que se realizou a 17 de setembro. Nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes apresentaram-se os sete cabeças de lista àquele município: Luís Santos (BE), Paulo Macedo (CDU), Anabela Freitas (PS), Lurdes Ferromau Fernandes (PSD), Fernando Caldas Vieira (Coligação “Tomar, Queremos Responder” – CDS-PP/MPT/PPM), Mykhaylo ‘Misha’ Shemliy (Volt) e Nuno Godinho (CHEGA).

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Luís Santos (BE) Enfermeiro a exercer funções no centro de saúde de Ferreira do Zêzere, tem 54 anos, é casado e tem três filhos. Natural de tomar. É licenciado em Medicina Tradicional Chinesa. Foi candidato nas listas do Bloco de Esquerda à Assembleia de Freguesia de Santa Maria do Olival em 2005, altura em que foi eleito. Foi também cabeça de lista à Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere em 2013 e à Câmara Municipal de Tomar em 2017.

Paulo Macedo (CDU) Professor e reconduzido diretor do Agrupamento de Escolas Templários, Paulo Macedo, 60 anos, é candidato à Câmara Municipal de Tomar, depois de nas eleições de 2017 ter concorrido à Assembleia Municipal, onde é deputado há cerca de 12 anos em representação da CDU. É também deputado na Assembleia Intermunicipal da CIM do Médio Tejo.

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Anabela Freitas (PS) Técnica de emprego, 54 anos. Foi diretora do Centro de Emprego de Tomar. Atual presidente da Câmara Municipal de Tomar foi eleita deputada à Assembleia da República em 2009 e 2011, tendo conquistado a Câmara de Tomar nas autárquicas de 2013 ao PSD. Foi deputada municipal, presidente da Comissão Política Concelhia de Tomar do PS e do Departamento Federativo Mulheres Socialistas de Santarém. Foi reeleita à Câmara de Tomar em 2017 com maioria absoluta (41,45%), passando a ter quatro vereadores socialistas no executivo. Além de presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, é atualmente presidente do conselho de administração da Tejo Ambiente – Empresa Intermunicipal, S.A., vogal do conselho executivo do Turismo do Centro de Portugal e membro do Comité Europeu das Regiões e do Conselho Económico Social.

Lurdes Ferromau Fernandes (PSD) Técnica superior no Serviço de Emprego, 55 anos. Licenciada em Economia e ex-Diretora do Centro de Emprego e Formação Profissional do Médio Tejo. É presidente da Junta de freguesia de São Pedro de Tomar, tendo já longa experiência nas lides autárquicas, que iniciou em 1988 ao ingressar na Assembleia de Freguesia de São Pedro de Tomar e na Assembleia Municipal de Tomar. É também presidente da Concelhia do PSD em Tomar.

Fernando Caldas Vieira (Coligação “Tomar, Queremos Responder” – CDS-PP/MPT/PPM) Engenheiro e consultor nas áreas de energia e ambiente, 64 anos. Nasceu em Tomar, morou no Castelo de Bode e fez o ensino secundário no Liceu Nacional de Tomar. Casado, tem uma filha, duas netas e um neto. Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrotécnica, pelo IST, é também Mestre em Política, Economia e Planeamento da Energia, pelo ISEG. Trabalhou durante 36 anos na EDP Gestão da Produção de Eletricidade. Parte da sua vida profissional foi dedicada a áreas como gestão de resíduos industriais, com participação em organizações europeias. Foi presidente da ECOBA, Associação Europeia dos Produtos da Combustão do Carvão, e do grupo de trabalho “Produtos, resíduos e lixos”, da EURELECTRIC. Foi professor voluntário na Universidade Sénior de Tomar.

Mykhaylo ‘Misha’ Shemliy (Volt) Estudante de Gestão no Instituto Politécnico de Tomar, 22 anos. Nasceu na Ucrânia mas reside em Tomar desde os sete anos. Tem nacionalidade portuguesa desde há cinco anos e assume-se um tomarense de causas e lutas pelo concelho que o viu crescer. Por residir em Tomar e por ter escolhido o concelho para prosseguir com o percurso académico, diz ser sensível às necessidades das camadas mais jovens, tendo conhecimento de causa. Integrou a distrital do 25º partido em Portugal e é o mais jovem candidato a uma Câmara Municipal na região. O Volt candidata-se sozinho às autárquicas em Lisboa, Porto e Tomar, integrando duas coligações em Coimbra e Oeiras.

Nuno Godinho (CHEGA) Bancário, 46 anos. Colaborador da OSIS (parceria entre o grupo IBM Portugal e o Millennium BCP) desde dezembro de 2005, em Tomar. Licenciado em Informática de Gestão, foi colaborador do Millennium BCP entre setembro de 1994 e dezembro de 2005. Em 2013 concorreu pelos Independentes por Tomar nas listas à Assembleia Municipal de Tomar. Militante do PSD durante cerca de 20 anos, foi eleito para a Assembleia de Freguesia da Serra e Junceira em 2017. Em fevereiro de 2019 ingressou no Partido Aliança, onde foi coordenador concelhio, mas que abandonou em novembro do mesmo ano. Em dezembro de 2019 entrou no Partido Chega, seguindo-se, em 2020, os cargos de subcoordenador e coordenador da Comissão Instaladora da Concelhia de Tomar e ainda coordenador da Instalação das Comissões Instaladoras Concelhias do Distrito de Santarém. A 23 de fevereiro de 2021 foi nomeado presidente da Comissão Política Concelhia de Tomar do Chega.

O pontapé de saída para o debate foi dado com Luís Santos (BE) a intervir sobre o que motiva a sua candidatura. Referiu que pretende o partido alcançar maior representatividade na autarquia, Assembleia Municipal e Juntas de freguesia.

O candidato acusa as políticas socialistas e social democratas pelo despovoamento, envelhecimento da população, desemprego e proliferação da pobreza, falta de habitação social e habitação a custos moderados para famílias, jovens e idosos, bem como investimento em obras de fachada estético-urbanística sem execução de obras estruturais e fundamentais. Fala em incapacidade de resolver o problema do saneamento básico do concelho, bem como da perda de controlo de gestão da água, bem essencial para todos, através da “gestão ruinosa” da empresa Tejo Ambiente.

Luís Santos, pelo Bloco de Esquerda, caso seja eleito, diz que agarrará o problema da poluição do rio Nabão para o resolver “de uma vez por todas”.

Paulo Macedo (CDU) aponta como primeira medida e matéria a tratar, caso seja eleito para liderar o município de Tomar, atuar na qualificação da prestação de serviços públicos municipais no que toca ao saneamento, recolha de resíduos, água, gestão e manutenção de cemitérios, e também nos serviços prestados que dependem do poder central, no âmbito da transferência de competências em áreas como a saúde, educação, e outros.

Candidata-se mediante estratégia definida pelo coletivo do partido, e assente no projeto nacional, de onde ramificam eixos estratégicos para resolver problemas e questões em Tomar. Disse ter aceitado este mandato para representar a CDU.

Anabela Freitas recandidata-se pela última vez à autarquia, para o seu último mandato possível, pois a ser eleita perfaz os 12 anos permitidos por lei. Mencionou que o projeto que esteve no início da candidatura em 2013 ainda não está terminado, e crê ter “muita coisa para fazer por Tomar”.

Luís Santos (BE), Paulo Macedo (CDU) e Anabela Freitas (PS). Foto: mediotejo.net

Quanto à primeira medida que tomará após as eleições, em caso de reeleição, referiu que incidirá sobre candidaturas no âmbito da mobilidade, um dos eixos do programa eleitoral do PS, bem como iniciativas para fomentar a habitação a custos controlados.

Pelo PSD, Lurdes Ferromau Fernandes, lembra a experiência de 20 anos na Assembleia de Freguesia de São Pedro de Tomar, da qual é atualmente presidente de Junta, como força motriz para ingressar nesta candidatura, com objetivo de fazer face “ao marasmo que o concelho de Tomar tem estado votado”. Diz concorrer com uma “equipa muito forte”, e quer intervir em todo o concelho na mesma medida em que o fez na freguesia que lidera.

Entre as preocupações que levariam a medidas prioritárias se for eleita presidente de Câmara, Lurdes Ferromau aponta o emprego, a fixação de investimento e a atração e fixação de pessoas.

Fernando Caldas Vieira (Coligação Tomar, Queremos Responder) referiu que, sendo eleito, tomará “uma atitude”, no sentido de “abrir a Câmara, criar canais, mais expeditos para as pessoas, para as empresas e para as freguesias”, uma medida de “reestruturação e reorganização”.

Candidata-se porque se reaproximou de Tomar, sua terra natal, e envolveu-se nos assuntos do concelho, sendo autor de artigos de opinião em órgãos de comunicação local e intervindo publicamente, situações que lhe deram “alguma visibilidade” pela forma como demonstrava não concordar com a gestão autárquica e o que poderia ser feito em alternativa. O casamento perfeito na coligação dá-se com o acolhimento de ideias do candidato, dando a “oportunidade de saltar da bancada para dentro do campo”, considerando Fernando Caldas Vieira estar à altura do desafio.

Pelo Volt, Misha Shemliy, referiu como prioritário tomar medidas, caso seja eleito, para alcançar a fixação de população, a habitação acessível para todos e criar oportunidade de emprego para todos. O jovem candidato sublinhou que o partido, apesar de ser recente por ter sido oficializado em 2019, tem mais de 20 mil membros na Europa. “Quando concorremos em Tomar, é a Europa toda que concorre em Tomar”, disse. O partido apresenta uma equipa jovem, que pretende trazer mudança ao concelho, que “tem uma grande história, mas tem uma realidade triste neste momento”, e com isso avança com um projeto de ideias “mais modernas e mais progressistas”, frisando que o marasmo do concelho se deve às gestões do PSD e PS.

Por fim, Nuno Godinho, candidato à Câmara de Tomar pelo CHEGA, ilustrou a razão da sua candidatura com a metáfora do sofá. “Muita gente está habituada a estar no sofá e a ter uma opinião política e a comentar o que acha que deve ser feito ou não. Há alturas na vida em que temos de deixar o sofá e tomar, nós, as rédeas, e decidirmos o que tem de ser feito ou não, isto em representação das outras pessoas”, justificou, referindo tratar-se de um desafio e pretendendo atuar no renascimento de um concelho que “parou no tempo” e que “está a desaparecer do mapa”.

Como medida prioritária, ao ser eleito, pretende ouvir os funcionários municipais e as suas expectativas, bem como aos munícipes através da criação de uma linha do munícipe.

Lurdes Ferromau Fernandes (PSD), Fernando Caldas Vieiras (Coligação Tomar, Queremos Responder), Misha Shemliy (Volt) e Nuno Godinho (CHEGA). Foto: mediotejo.net

Nos grandes temas que regeram o debate, esteve em cima da mesa a reflexão e apresentação de propostas para o desenvolvimento económico e a indústria no concelho, onde também se abordaram as acessibilidade e centralidade do território nabantino.

CDU defende a criação de um gabinete de apoio ao empresário e à fixação de investimentos, além da manutenção das empresas que restam no concelho

Anabela Freitas (PS) refere que o gabinete já existe, Tomar Investe, além da ligação ao AICEP e CCDR Centro. A recandidata refere que o gabinete inclusive ajuda no recrutamento de trabalhadores no concelho. Deu conta da previsão de criação de novas áreas de localização industrial, uma vez que o atual Parque Empresarial de Tomar, em Santa Cita, não pode ser ampliado segundo o instrumento de gestão do território.

Lembrou ainda os passos dados no caminho da regionalização, sendo que defende a criação de uma intervenção territorial integrada com as Comunidades Intermunicipais da Lezíria, do Oeste e do Médio Tejo, referindo que poderá ajudar a criar instrumentos territoriais de captação e retenção das empresas.

Já pelo PSD, que considera a criação de emprego a par do investimento e desenvolvimento económico como fulcral, Lurdes Ferromau referiu que “o último grande investimento” foi feito pela mão do partido na liderança da autarquia, altura em que fixou a empresa Softinsa/IBM em Tomar, que emprega mais de 300 trabalhadores qualificados, e mantém parceria com o Politécnico de Tomar.

Falou em abandono dos empresários, que saem do concelho, e na necessidade de requalificação da zona industrial de Tomar. O PSD defende a criação de um regulamento de benefícios fiscais, defende o posicionamento de Tomar como “capital de teletrabalho” e a emancipação do Politécnico de Tomar com um centro de tecnologias de informação e comunicação na região centro. Outra medida passa por criar incubadoras de empresas, evitando que os interessados optem por concelhos vizinhos.

Fernando Caldas Vieira (Coligação Tomar, Queremos Responder) notou que o crescimento das atividades económicas tem acontecido de forma desigual, e no caso da falência de grandes indústrias, refere que dado o atual panorama da economia não é expectável que haja uma reindustrialização. O candidato defende a criação de incubadora de empresas para apoiar empresários jovens.

O Volt defende que deve ser a autarquia a cativar novos empresários e mostrar as potencialidades do concelho para a fixação dos investimentos. Defende ainda a melhoria de infraestruturas e reforço da qualidade das mesmas para melhor servir a população e sendo motivo para a sua fixação.

O mesmo refere o CHEGA, que nota a perda de investimento e de população no concelho. Nota ainda assim que as acessibilidades são boas, mas que há necessidade de reforçar outras condições básicas, como a rede de saneamento, as telecomunicações, e entende que a zona industrial deve ser olhada de outro modo para atrair novos investimentos.

O Bloco de Esquerda referiu-se ao números do desemprego em Tomar como sendo “falso desemprego”, sublinhando que há uma realidade precária que influi nestes valores.

Quanto às potencialidades do concelho para atrair e fixar investimento no concelho, Luís Santos (BE) defende a criação de um conjunto de vantagens e benefícios fiscais para empresas, e uma das ideias passa por criar uma creche na zona industrial onde os pais possam deixar os filhos, julgando que seria um atrativo para os trabalhadores e empresas. Os espaços de coworking e o teletrabalho foram tema unânime entre os sete candidatos como sendo áreas de futuro.

O turismo é a atividade de peso na economia tomarense, e esta é uma premissa subjacente nos discursos de todos os candidatos, sendo que Anabela Freitas (PS) destacou a estratégia socialista no âmbito das iniciativas de atração turística e divulgação do concelho, com parcerias inclusivamente intermunicipais. A aposta passa pelo turismo de natureza, com enfoque nas freguesias rurais. Defende a socialista o trabalho em rede na dinamização de iniciativas e produtos turísticos.

Tempo também para abordar o facto de Tomar não ter praias fluviais oficiais, aproveitando a Albufeira de Castelo do Bode, ao que Anabela Freitas (PS), atual presidente de Câmara e recandidata a mais 4 anos, indicou que se está a dinamizar um projeto para Alqueidão com empreitada já adjudicada; de Vila Nova – Serra o projeto está na APA e a terceira, que estaria prevista no Plano de Albufeira, seria a de Alverangel, mas não há projeto para essa praia porque apesar de estar prevista, o acesso atravessa terrenos privados. O PSD considera o tema das praias fluviais muito negativo, pois não há “nenhuma oferta”.

O PSD defende o turismo enquanto eixo estratégico mas que precisa ser dinamizado todo o ano, crendo que há condições para planear com envolvimento das freguesias.

Foto: mediotejo.net

Já a Coligação “Tomar, Queremos Responder” criticou algumas das medidas tomadas pelo atual executivo, referindo que não é sustentável “atirar dinheiro para cima das coisas” ainda que dê “visibilidade ao concelho”. Em termos de mobilidade e acessibilidades, o candidato notou que algumas requalificações e remodelações têm posto em causa a facilitação de estacionamento e deslocação do turista que visita Tomar, nomeadamente na freguesia urbana. A coligação diz-se “sensível à exploração turística da Albufeira de Castelo do Bode”, com as praias fluviais em projeto, mas refere que de nada vale fazer essa intervenção se depois não se realizar a respetiva manutenção dos espaços, que começam a degradar-se.

O Volt defende a descentralização do turismo nas freguesias, além dos ex-libris da cidade, como o Convento de Cristo ou a Sinagoga, e propõe um roteiro turístico de Tomar, que seria uma alavanca do turismo por todo o concelho.

Nuno Godinho (CHEGA) considera que é preciso reavaliar o que é turismo em Tomar, defendendo que deve existir uma mudança da oferta existente ou reformular a que já existe, e entende que há que investir no turista que pernoita no concelho e que aproveita para praticar desporto ou atividades ao ar livre e turismo de natureza, no sentido de absorver áreas mais rurais do concelho, além do habitual modelo turístico que se pratica na cidade.

Luís Santos (BE) frisou o Convento de Cristo e a Festa dos Tabuleiros, cruzando o turismo com a cultura, e lembrando que se aguarda o museu da Festa tomarense para que se prolongue este património e a sua memória.

Já a CDU frisou que em Tomar não há estratégia para o turismo, dependendo o concelho de condições que herdou e que o posicionam neste setor a nível nacional e internacional. Defende a CDU que seja elaborado um plano estratégico. Diz que Tomar pode ter dezenas de praias fluviais, enquanto, por exemplo, o concelho vizinho de Ourém é conhecido por apenas uma.

Outro tema prende-se com a inversão da perda de população, e aqui a candidata do PSD, Lurdes Ferromau, defende medidas que venham alavancar as condições de habitação e o aumento da oferta de emprego como forma de fixar população. O partido tem uma proposta de programa de parceria para habitação a custos controlados para casais jovens ou pessoas que se pretende que retornem ao concelho, e ainda a quem queira mudar-se para Tomar pro via do teletrabalho.

No que toca à reabilitação urbana e aproveitamento de prédios e imóveis devolutos, o PSD propõe um programa para todo o concelho.

Fernando Caldas Vieira (Coligação Tomar, Queremos Responder) defende a tomada de medidas para apoio aos nascimentos, e ainda a captação de investimentos que atraiam mão de obra qualificada que opte por se fixar no concelho. Também defende medidas para apoiar o regresso de quem se viu obrigado a sair do concelho em busca de melhores condições de vida. Defende um programa de reabilitação urbana para reaproveitamento dos edifícios em prol da habitação do concelho.

O Volt apresentou propostas para habitação e criação de oportunidades de emprego, e defende a avaliação de todos os edifícios que são propriedade municipal onde se poderia avançar com remodelação e colocar sob arrendamento acessível. Também com a fixação de novas empresas, o partido entende que poderia ser firmado compromisso no sentido de as mesmas participarem no investimento para a habitação. Também pretende o Volt criar um Gabinete do Emigrante e do Imigrante.

A questão da criação de condições para fixação de novos investimentos e criação de oportunidades de emprego também esteve no centro do discurso do CHEGA. Entende que se tem de olhar para os custos de vida e de implementação de nova construção em Tomar, crendo que se deve rever as taxas, licenças e outros, e referiu que o partido é contra a aplicação do IMI, sendo uma das propostas, no que for legalmente possível ao executivo municipal acabar com a taxa de IMI. Entende que se deve apoiar a população a regressar de uma vez à sua terra natal, além do apoio à população jovem.

Luís Santos, do Bloco de Esquerda, falou na falta de condições do parque de campismo, também enquanto espaço que acolhe pessoas no concelho. Quanto ao inverter da perda de população, considera que o concelho pode olhar para os bons exemplos, onde houve aumento demográfico, e tentar implementar um modelo semelhante para o crescimento populacional. Também abordou a necessidade de resolver problemas sobre a habitação, recuperação do parque habitacional e outros.

A CDU defende que o problema da habitação é um problema nacional. Referiu-se ainda assim à dificuldade de arrendamento para estudantes que vêm estudo para o Politécnico de Tomar e não conseguem encontrar casa com facilidade para ali permanecer durante o seu ciclo de estudos, entende que o município pode aqui dinamizar uma política que responda a esta dificuldade.

Anabela Freitas (PS) lembrou que deve ser tido em conta quais as competências do município para a habitação, e que foram dinamizadas as ARUs (Áreas de Reabilitação Urbana) na cidade e nas freguesias. Refere que há medidas ao dispor dos privados para a reabilitação urbana. Quanto à habitação, assumiu que Tomar não tem oferta de habitação a custos controlados, motivo que tem levado trabalhadores de empresas do concelho a optarem por viver nos concelhos limítrofes. A recandidata socialista lembrou que existe uma Estratégia Local de Habitação, com 12 milhões de euros disponíveis para investimento e que pretende influenciar construção nova, a par de uma percentagem mais pequena de reabilitação.

Quanto à perda de população, Anabela Freitas refere que a demografia não se resolve apenas com os nacionais.

Foto: mediotejo.net

O último tema confrontou os candidatos com o problema da poluição do Rio Nabão e a necessidade da sua preservação e sustentabilidade, e também sobre a baixa taxa de saneamento do concelho, que ronda os 60% atualmente, mas que chegará aos 70% se as obras já em curso foram concluídas.

Também a empresa intermunicipal Tejo Ambiente este a escrutínio dos candidatos, que avaliaram até que ponto esta trouxe ou poderá vir a trazer mais-valias para o concelho e para os tomarenses.

Fernando Caldas Vieira (Coligação Tomar, Queremos Responder) defendeu que devem ser revistos os pressupostos pelos quais foi criada a Tejo Ambiente, e entende que as correções do que correu mal no primeiro ano de vida da empresa podem ser feitas pelas próprias Câmaras.

Quanto ao rio Nabão, deixou sugestão para que se estudem tecnologias de retenção, como já se verifica noutros países, para estancar a poluição que assola o rio há várias décadas.

Também o ruído é preocupação do candidato, referindo que a lei é clara e que não há dúvidas na sua aplicação.

Para o Volt “o futuro da Tejo Ambiente em Tomar é incerto”, mas há o compromisso de tentar alcançar a média da cobertura de saneamento nacional, 85%.

Defende que sejam identificadas as fontes de poluição do Nabão, para que sejam eliminadas ou que sejam punidas, com coimas e outras medidas.

Para Nuno Godinho a Tejo Ambiente veio agravar os problemas em Tomar, no que toca ao preço da fatura, à recolha do lixo, e entende que a empresa “não veio claramente corresponder às expetativas criadas”. Caso seja eleito, e se após análise se verificar que não há forma de solucionar a situação da Tejo Ambiente, Nuno Godinho entende que deve a empresa intermunicipal de Ambiente “desaparecer do mapa”.

Na poluição do Nabão, o CHEGA acusa antigos executivos por não olharem para o problema, e congratula-se por executivos recentes já trabalharem na sua solução e manifestarem preocupação.

O Bloco de Esquerda defende também a reavaliação da empresa intermunicipal, tendo em conta os 2.2 milhões de euros em prejuízo no primeiro ano e com comparticipações financeiras das seis Câmaras Municipais aderentes.

O BE lamentou que, “cada vez que chove, [o rio] é um esgoto é céu aberto”, devido a “anos de incúria e desleixo, incompetência técnica da ETAR de Ourém, desrespeito da APA, uma certa balda da Câmara Municipal que parece que acordou para o problema em altura de eleições”.

Já Paulo Macedo recordou que a CDU foi a única força partidária que votou contra a constituição da Tejo Ambiente em Assembleia Municipal de Tomar, referindo que o partido já temia os problemas que agora se verificaram.

Quanto à taxa de cobertura de saneamento, entende a CDU que deve existir maior investimento, porque a solução não passa pelas obras que estão a ser anunciadas.

Paulo Macedo referiu-se ainda à criação do Plano Municipal do Ruído, e o Plano de Redução da População de Pombos na cidade, referindo que nada foi feito.

Anabela Freitas (PS) disse acreditar no “projeto Tejo Ambiente” e que a atuação no abastecimento de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos tem na agregação o caminho para ganhar escala para fazer pressão sobre entidades em alta e alcançar financiamentos. A socialista reforçou ainda que o plano da empresa pretende intervir na gestão eficiente da água.

Lurdes Ferromau Fernandes (PSD) criticou a inoperância da Câmara no que toca à despoluição do Nabão, culpando por não ter concluído saneamento no centro histórico da cidade. Também criticou a não ativação do Conselho Municipal de Ambiente, proposta do PSD aprovada em Assembleia Municipal e que não foi levada por diante.

Quanto à Tejo Ambiente, a candidata do PSD disse que a empresa foi criada para conseguir fundos comunitários para corresponder ao financiamento e intervenções necessárias no concelho. Refere que é “uma alternativa viável”, porém critica a gestão que levou a “resultados desastrosos” com injeção de mais de 812 mil euros por parte do município de Tomar. Considera ser “urgente” rever a gestão da empresa intermunicipal, e sendo eleita diz que irá debruçar-se sobre este tema com “a maior das atenções”.

Também pretende trabalhar na falta da limpeza do concelho de Tomar, referindo que há demora na recolha de lixo. Considera ainda que as redes de abastecimento de água devem ser revistas nas freguesias do concelho, para solucionar roturas e perdas de água.

Pode ver o debate na íntegra no nosso canal de YouTube:

TOMAR

Numa breve caracterização do concelho, Tomar tem atualmente 36.444 habitantes, tendo perdido 10,4% dos residentes na última década. Na cidade vivem cerca de 16 mil pessoas, notando-se uma queda acentuada sobretudo nas freguesias mais rurais.

Antiga sede da Ordem dos Templários, com um património histórico e cultural ímpar, tem no turismo um dos grandes motores da sua economia. Foi no passado um grande pólo industrial, com fábricas de fiação e de papel, e ainda mantém cerca de 25% da população ativa empregada na área das indústrias transformadoras. O comércio e serviços emprega outro quarto dos trabalhadores por conta de outrem no concelho.

Com a única instituição de ensino superior na região do Médio Tejo – o Instituto Politécnico de Tomar – tem na oferta de habitação para arrendamento um dos seus grandes problemas, a par da rede de saneamento básico, uma das mais baixas do distrito de Santarém, chegando a pouco mais de 60% da população.

Com 351 km2, Tomar tem hoje 33.895 eleitores, distribuídos por 11 freguesias. Na esfera política, desde 1976 que o poder local foi sendo exercido de forma alternada entre o PS e o PSD, com exceção das eleições realizadas em 1979 e 1982, em que venceu a Aliança Democrática. O PSD governou a câmara entre 1997 e 2013, ano em que o PS reconquistou o município, com Anabela Freitas a ser a presidente de Camara nos últimos oito anos.

Este ano concorrem pela primeira vez à Câmara de Tomar o Chega e também o Volt, partido europeísta que se candidata apenas em Lisboa, Porto e Tomar. O Partido Trabalhista Português desta vez não vai a votos, mas o cabeça-de-lista à Câmara em 2017 é agora cabeça-de-lista do Chega à Assembleia Municipal.
Há ainda movimentos independentes nas candidaturas às Assembleias de Freguesia de Olalhas e na União de Freguesias de Serra e Junceira.

Resultados de 2017

Candidatos no concelho de Tomar

PS

Câmara Municipal  Anabela Freitas
Assembleia Municipal  Hugo Costa
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  Augusto Barros
Asseiceira  Carlos Rodrigues
Sabacheira  António Graça
Paialvo  Amâncio Ribeiro 
UF Madalena-Beselga Luísa Henriques
Carregueiros José Carlos Godinho
São Pedro de Tomar Vítor Ferreira
UF Casais-Alviobeira José Brito
UF Além da Ribeira – Pedreira Gonçalo Henriques

PSD

Câmara Municipal  Lurdes Ferromau Fernandes
Assembleia Municipal  João Tenreiro
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  Alexandre Horta
Asseiceira  José Constantino
Sabacheira  Susana Alves
Paialvo  Ana Marília Elias
UF Madalena-Beselga Carlos Rafael Pereira
Carregueiros Susana Henriques
São Pedro de Tomar António Vicente
UF Casais-Alviobeira João Alves
UF Além da Ribeira – Pedreira Jorge Graça
Serra e Junceira Fernando Pereira
Olalhas Rui Lopes

CDU

Câmara Municipal  Paulo Macedo
Assembleia Municipal  Bruno Graça
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  Anabela Mota
Asseiceira  Hermenegildo Sirgado
Sabacheira  Luís Neves
Paialvo  Rita Silva
UF Madalena-Beselga António Silva
Carregueiros Francisco Santos
São Pedro de Tomar Carlos Gonçalves
UF Casais-Alviobeira Rui Duarte
UF Além da Ribeira – Pedreira António José Dias

BE

Câmara Municipal  Luís Santos
Assembleia Municipal  Paulo Mendes
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  Paulo Reis
UF Madalena-Beselga Helena Calado
São Pedro de Tomar Rosa Silva
UF Casais-Alviobeira Leonel Nunes

Coligação Tomar, Queremos Responder – CDS-PP, MPT e PPM

Câmara Municipal  Fernando Caldas Vieira
Assembleia Municipal  Francisco Tavares
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  João Martins
Sabacheira  Frederico Alves
Paialvo  Luís Agostinho
UF Madalena-Beselga  Sandra Raposo
UF Casais-Alviobeira  Jorge Farinha

CHEGA

Câmara Municipal  Nuno Godinho
Assembleia Municipal  Américo Costa
UF São João Batista e Santa Maria dos Olivais  Jorge Lopes
UF Casais-Alviobeira Manuel Raul Alcobia

VOLT

Câmara Municipal Mykhaylo (Misha) Shemliy
Assembleia Municipal  Gonçalo Venâncio

MOVIMENTOS INDEPENDENTES

Olalhas – Movimento Independente Pensar Olalhas – Pedro Almeida

UF Serra e Junceira – Movimento de Cidadãos “Independentes do Nordeste” – Américo Pereira

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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