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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Ourém

As assimetrias dentro do concelho de Ourém e o preço da água – uma das mais caras do país – foram os dois temas centrais discutidos entre os candidatos à Câmara Municipal de Ourém nas Eleições Autárquicas, num debate que se realizou no dia 16 de setembro. Nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes estiveram Anabela Pereira (MOVE), Cília Seixo (PS), Élio Paulo (Chega), o atual presidente da Câmara, Luís Albuquerque (PSD-CDS) e Marco Jacinto (CDU).

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Luís Albuquerque (PSD-CDS) Depois de dois mandatos na oposição, o discreto Luís Albuquerque, 54 anos, viu a saída súbita do adversário socialista, já na reta final da campanha, por inelegibilidade, como um trunfo para arrecadar o município em 2017 com uma significativa vitória nas urnas. Em quatro anos, este contabilista avançou e concretizou um pacote vasto de obras há muito aguardadas. Com um mandato tranquilo e as contas equilibradas, apresenta-se numa perspetiva de continuidade ao trabalho desenvolvido. 

Cília Seixo (PS) Com vários mandatos como deputada municipal, a professora e psicóloga Cília Seixo, 59 anos, assumiu-se como cabeça de lista pelo PS em 2017 já na reta final da campanha, por inelegibilidade do candidato inicial e então presidente da Câmara. Este ano voltou a ter que assumir a candidatura, depois dos socialistas já terem anunciado um candidato que, poucos dias depois, se viu envolvido num processo judicial. Ainda que em ambas as ocasiões não tenha sido a primeira opção, Cília Seixo tem sido um elemento ativo na oposição municipal e uma voz questionadora das opções do executivo.

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Anabela Pereira (MOVE) Engenheira química de 47 anos, Anabela Pereira é uma figura desconhecida da vida pública, surgindo da escola autárquica de Vítor Frazão, o ex-presidente da Câmara de Ourém, que fundou o MOVE em 2013. Afirma que aceitou o desafio sob o compromisso de não se fazerem coligações com outros partidos, colocando a fixação de jovens no concelho e a criação de um plano para o turismo entre as prioridades do seu programa eleitoral. 

Marco Jacinto (CDU) Outro desconhecido da política municipal, Marco Jacinto surge como cabeça de lista à Câmara de Ourém, mas na CDU ouriense os olhos voltam-se para Sérgio Ribeiro, o histórico militante comunista que quer recuperar o assento que perdeu em 2017 na Assembleia Municipal. Na apresentação da candidatura Marco Jacinto expôs algumas das linhas orientadores da sua candidatura, nomeadamente o combate à “municipalização dos serviços”.

Élio Paulo (Chega) Figura desconhecida da vida autárquica, o comercial de turismo de 45 anos apresenta-se como candidato do Chega à Câmara de Ourém. Afirma-se como o candidato da mudança, que quer ser uma alternativa sólida e honesta que quer responder às reais necessidades da população.

Um concelho movido a duas velocidades – onde Fátima cresce ao contrário do resto do concelho oureense – a questão do turismo e do saneamento básico, que tem uma taxa de cobertura de 50 a 60%, e a água distribuída no concelho, que apresenta um dos preços mais elevados do país, foram pontos centrais no debate entre os cinco candidatos à Câmara de Ourém, passando ainda a discussão pela questão da empresa intermunicipal Tejo Ambiente. O debate aqueceu por alguns momentos relativamente à questão da água e saneamento, principalmente entre os candidatos do PS e PSD, onde ambos reivindicaram obra feita nesta matéria.

Cabeça de lista do MOVE, Anabela Pereira sublinhou a competência dos elementos que integram o movimento independente à Câmara de Ourém, cujo projeto pretende “edificar melhor o concelho”, referindo que a primeira medida, caso seja eleita, passa pela verificação do custo da água no concelho. A candidata ressalvou a possibilidade de outros turismos além do religioso, como o patrimonial e rural, fazendo referência a diversos elementos que são atualmente descurados, como vias e pontes romanas e medievais, assim como ligações a outros territórios através de rotas como a militar e medieval, que “são circuitos que captam gente de todo o mundo”. Afirmou já perto do final a vontade de investir no Pias Longas Aeroclube: “Uma coisa que o MOVE vai apoiar é a transformação do Pias Longas num aeródromo onde possam baixar aeronaves com mais pessoas, e haver saltos de paraquedas e outras operadoras a funcionar lá, que vai ser um incremento enorme para o turismo”.

A candidata do Partido Socialista, Cília Seixo, começou por dizer que o objetivo é apresentar “um projeto de desenvolvimento integrado do concelho”. Referindo que “é muito importante percebermos que o concelho tem duas realidades, Fátima e o resto”, Cília Seixo propõem-se a desenvolver um projeto que tenha como finalidade o desenvolvimento de todas as freguesias e o combate às assimetrias do concelho. A candidata disse ainda que os problemas demográficos não se resolvem só com a natalidade, falando também no “fundamental” que é desenvolver o turismo no interior do concelho que tem um “potencial único”, referindo ainda que é preciso um emprego qualificado (e não qualquer tipo de emprego), e sublinhou o problema de habitação, fazendo menção a políticas de arrendamento e construção acessível. Enalteceu o papel das juntas de freguesia no poder autárquico e ligação aos cidadãos, pelo que “Não podemos continuar a achar que o trabalho das juntas é alcatroar e limpar bermas e valetas, tem de ser mais”.

“Uma alternativa sólida e honesta” que valoriza bastante a transparência, apontando para “a quantidade de suspeitas de corrupção que estão a pairar sobre os autarcas do concelho”, foi assim que Élio Paulo, candidato do partido Chega, se apresentou no debate. Élio Paulo afirmou que o turismo está muito mal explorado no concelho, criticando os acessos ao Castelo de Ourém e a falta de uma ligação “turística” entre Fátima e o concelho oureense, mencionando a necessidade de criar roteiros e formas de expandir o turismo de todo o município.

Com a pretensão de continuar o trabalho que iniciado em 2017, e de “continuar esta autentica revolução que temos vindo a desenvolver no concelho de Ourém”, Luís Albuquerque, atual presidente da autarquia e candidato pela coligação (PSD-CDS), falou sobre o problema da natalidade mas salientou o valor positivo da baixa taxa de desemprego no concelho (2,9%), algo “fundamental para atrair gente” e que para isso acontecer é preciso haver empresas, mencionando a criação de novas zonas industriais no norte do concelho para que aí mais pessoas possam viver. Relativamente à temática do turismo, Luís Albuquerque disse que está previsto já em outubro o lançamento de uma grande campanha nacional com outdoors nas principais vias de comunicação no país, de modo a divulgar o que o concelho de Ourém tem para oferecer. Sobre o tema da Tejo Ambiente, o (re)candidato e atual autarca disse que este “é um projeto que é fundamental para o futuro do nosso território” e que a adesão a esta empresa intermunicipal sucedeu uma vez que existia (e existe) um problema gravíssimo em termos de redes de saneamento básico, acusando os anteriores executivos socialistas de em oito anos terem não terem feito nem um metro de saneamento no concelho, quando houve inclusivamente fundos comunitários para que isso pudesse ser feito.

Por parte da Coligação Democrática Unitária (CDU), Marco Jacinto começou por falar na questão da mobilidade no concelho, tanto em termos de vias rodoviárias, como em “deficiências em mobilidade pedonal”. Relacionou a quebra de natalidade, especialmente no norte do concelho, com o encerramento de serviços, dizendo que é importante manter o foco na qualidade de vida das pessoas que habitam essas zonas, onde o investimento tem sido mais diminuto. O candidato focou-se também na preservação ambiental, nomeadamente em matéria florestal, de água (de elevada qualidade) e a preservação de habitats prioritários. Dentro da temática relacionada com a floresta, Marco Jacinto enalteceu o ordenamento do setor florestal, apelando a uma diversificação dos produtos florestais contrária à monocultura do eucalipto, nomeadamente através da implantação de sobreiros, algo que tornaria também a floresta mais resiliente a incêndios. 

Relativamente ao preço da água no município, que é a mais cara da região do Médio Tejo, tema que aqueceu o debate já a caminhar para perto do seu final, Luís Albuquerque disse que relativamente à média das três componentes que compõem a fatura da água (água, resíduos e saneamento), o concelho “está na média dos concelhos de igual dimensão”, acrescentando que o concelho paga mais do que os outros concelhos da Tejo Ambiente porque existe uma concessão da água que tem de ser respeitada, acusando o antigo executivo socialista em 2014, de perder a oportunidade de ouro de renegociar o contrato ou até rescindi-lo, pois “foi aí que foi negociado um aumento de 60% dos valores que hoje pagamos de água no concelho de Ourém”, dizendo ainda que em vez de “água de ouro em Ourém”, que diria “se calhar foi ouro para alguém”, acusou.

Cília Seixo respondeu dizendo que é preciso ter cuidado com o que se diz, pois no momento em que as pessoas estavam todas a reclamar com as faturas da água e havia filas por causa das mesmas, “o nosso executivo andou a distribuir doseadores de gel e garrafinha de água patrocinadas pela Be Water em todos os estabelecimentos de ensino do concelho e não me parece que isso lhe tenha ficado nada bem (…) e portanto não vamos falar aqui de quem ganhou com o quê, eu considero que seria melhor não falarmos”.

Pode ver o debate na íntegra no nosso canal de YouTube:

OURÉM

Fonte: Pordata

O concelho que tem Fátima como joia da coroa perdeu na última década 3% da população geral, em contraste à próprio freguesia de Fátima, que cresceu no mesmo período 14%. Os empresários locais e observadores acreditam que a cidade religiosa vai aumentar ainda mais de população nos próximos anos, devido a um misto de dinâmica turística e ambiente zen, conjugado com características rústicas, que se vive no território.

Mais de 50% dos 44.576 habitantes do concelho trabalha ou no comércio a grosso e retalho (20,6%), nas indústrias transformadoras (17,7%) ou no alojamento, restauração e similares (13,1%). O desemprego situa-se nos 2,9%.

Ourém é um município com tradição centro direita, com alterações entre CDS e PSD desde 1976 e um período PS entre 2009 e 2017. Atualmente a gestão pertence a uma coligação PSD-CDS, que venceu com 47,24% dos votos nas últimas eleições, e repete a candidatura. Há ainda uma dinâmica independente no concelho que tem apresentado sucessivas candidatos nos últimos anos e que, juntamente com a entrada do Chega, podem trazer novidades nos resultados eleitorais.

Candidatos no concelho de Ourém

Coligação Ourém Sempre / PSD-CDS

Câmara Municipal Luís Albuquerque
Assembleia Municipal João Moura
Atouguia Luís Pinto
Alburitel Engrácia Carriço
Caxarias Filipe Graça
Espite Dulce Mateus
Fátima Humberto Silva
Urqueira Orlando Cavaco
Matas – Cercal Virgílio Dias
Gondemaria – Olival António Silva
Nossa Senhora da Piedade Luís Sousa
Nossa Senhora das Misericórdias Luís Oliveira
Rio de Couros e Casal dos Bernardos Jorge Lopes
Seiça Ângela Marques
Freixianda, Formigais e Ribeira do Fárrio Paulo Nunues

MOVE – Movimento Independente

Câmara Municipal Anabela Pereira
Assembleia Municipal João Pereira
Atouguia Orlanda Sá
Caxarias Paulo Sousa
Fátima Tierry Pereira
Urqueira Erico Valente
Matas – Cercal Rodrigo Belo
Gondemaria – Olival Ricardo Ribeiro
Nossa Senhora da Piedade Marta Faustino
Nossa Senhora das Misericórdias Aurélio Vieira
Rio de Couros e Casal dos Bernardos Manuel Simão
Seiça Sandra Vieira
Freixianda, Formigais e Ribeira do Fárrio André Lourenço

PS

Câmara Municipal Cília Seixo
Assembleia Municipal Nuno Batista
Atouguia Carlos Silva
Alburitel Elias Silva
Caxarias Nelson Antunes
Espite Paulino Marques
Fátima Rui Torrão
Urqueira Jorge Gonçalves
Gondemaria – Olival Fernando Ferreira
Nossa Senhora da Piedade Gonçalo Cardoso
Nossa Senhora das Misericórdias Gabriel Santos
Seiça Leonor Rodrigues

CDU

Câmara Municipal Marco Jacinto
Assembleia de Freguesia Sérgio Ribeiro

CHEGA

Câmara Municipal Élio Paulo

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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