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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Alcanena

Ambiente, economia e fixação da população foram os três temas dominantes do debate entre os candidatos à Câmara Municipal de Alcanena nas Eleições Autárquicas, que se realizou na segunda-feira, 13 de setembro. Nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes estiveram Hugo Santarém (PS), Ivo Santos (CDU) e Rui Anastácio (Coligação PSD/CDS/MPT – Cidadãos por Alcanena). Nuno Santos, candidato do Chega, declinou o convite para participar no debate.

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Hugo Santarém (PS) Atual vice-presidente da Câmara Municipal de Alcanena, encontra-se no executivo municipal desde 2009. Tem 43 anos e é licenciado em Geografia, Planeamento e Gestão do Território, sendo um dos responsáveis municipais pela revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), aprovado recentemente. Na apresentação da sua candidatura assumiu ser um candidato de continuidade ao trabalho desenvolvido por Fernanda Asseiceira.

Rui Anastácio (PSD/CDS/MPT – Cidadãos por Alcanena) Atual deputado municipal pelos Cidadãos por Alcanena, tem 50 anos, é licenciado em engenharia florestal, trabalhando como empresário hoteleiro. Entre 1997 e 2001, numa gestão PS, foi vereador do executivo. Entre 2013 e 2017 esteve novamente no município, mas na oposição pelo PSD-CDS. Apresenta-se às autárquicas de 2021 com vários projetos ambiciosos, querendo apostar na promoção da Serra de Aire como produto turístico e transformar o Espinheiro num “Green Lab”.

Ivo Santos (CDU) Deputado municipal, tem 47 anos, é licenciado em engenharia da energia e do ambiente, trabalhando como operador da Brisa. Com militância no PCP, é coordenador para os distritos de Leiria e Santarém, do CESP – Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal. Nesta corrida eleitoral, o objetivo passa por eleger novamente um elemento para a vereação municipal. O seu programa olha para a necessidade de dinamizar economicamente o concelho, mas também proteger o ambiente e trazer mais coesão social e territorial.

Nuno Santos (Chega) Desconhecido na vida autárquica, é delegado comercial e o seu programa eleitoral apresenta propostas nos diversos setores da gestão territorial e desenvolvimento económico, sugerindo a criação de uma plataforma onde seja possível consultar em tempo real a contratação pública.

Debate com os candidatos à Câmara Municipal de Alcanena. Créditos: mediotejo.net

A resolução do problema da poluição e dos maus cheiros causados pela indústria de curtumes em Alcanena foi o ponto central do debate, um assunto que todos os candidatos consideraram ser “uma das fragilidades” do concelho e um assunto fulcral para a qualidade de vida dos seus habitantes. É um tema recorrentemente em cima da mesa em todas as eleições, apesar dos muitos investimentos em infraestruturas de tratamentos de águas e de resíduos, e que se liga de forma crucial também à questão da economia.

Hugo Santarém, que se candidata pelo PS, garantiu que, caso seja eleito, o seu projeto prioritário será o parque empresarial de Alcanena, numa conjugação com a preocupação ambiental: “Não há efetivamente um crescimento económico em Alcanena se a questão ambiental não acompanhar essa necessidade. E por isso um dos projetos fundamentais que temos é resolver a questão ambiental e paralelamente concretizar efetivamente o parque industrial de Alcanena usufruindo da potencialidade da localização do nó da A1 com a A23. Teremos 140 hectares disponíveis para acolher economia, indústria, serviços e que permitirão que se inverta a tendência demográfica e que se crie emprego e riqueza”, disse o candidato socialista.

Ivo Santos, candidato da CDU, considerou também que esses são os dois problemas estruturais do concelho, e que pioraram ao longo dos anos com as decisões políticas tomadas: o da indústria – onde, segundo o candidato houve um privilegiar de uma monoindústria (curtumes) que agravou o problema dos baixos salários e diversidade de emprego – e o do mau ambiente, que conduziu ao afastamento de muitos cidadãos do concelho. Afirmou ainda que a sua candidatura pretende “transformar Alcanena” com um “programa centrado nas pessoas e para as pessoas”.

Rui Anastácio, da coligação PSD/CDS/MPT, disse que a questão do parque empresarial tem sido adiada porque “nunca se percebeu que a vitalidade dos territórios tem a ver com a sua vitalidade económica”, além de que se acreditou “que a indústria de curtumes de um lado e têxtil do outro era suficiente para o concelho viver, mas não é suficiente”. Houve “uma grande falta de visão estratégica”, considerou, referindo ainda que “não são cabazes de apoio à natalidade que resolvem o problema” do concelho: “O dinheiro que é de todos nós devia servir para definir uma estratégia séria de incentivo à natalidade, de fixação dos jovens.”

Hugo Santarém defendeu o atual executivo do Partido Socialista, que integra como vereador, dizendo que não houve uma inércia por parte da Câmara Municipal, uma vez que o executivo suspendeu 36 hectares junto ao nó das autoestradas para que as atividades económicas se lá instalassem. Além disso, “a Câmara em 2009 não tinha dinheiro para comprar um pneu, quanto mais para adquirir lotes para expansão industrial”. O primeiro trabalho que o executivo teve de fazer, lembrou, foi o de sanear as contas da autarquia, que tinha um passivo de 20 milhões de euros, dizendo ainda que “desse mesmo passivo já foram pagos 14 milhões de euros, ou seja, 70 por cento”.

A perda e envelhecimento da população foi também uma preocupação comum entre os três candidatos, bem como a necessidade de reforçar o investimento na área da Cultura, nomeadamente em Minde, onde a Fábrica da Cultura continua sem funcionar em pleno.

O debate aqueceu entre Rui Anastácio e Hugo Santarém sobretudo quando o primeiro referiu “um clima de medo” instalado no concelho e afirmou que o candidato socialista, numa passagem pela freguesia de Moitas Venda, terá prometido a uma senhora idosa que arranjava emprego ao seu neto.

Hugo Santarém desmentiu veementemente as acusações feitas, dizendo que o candidato pela coligação PSD/CDS/MPT estava a mentir e que nem percebia de que “clima de medo” falava, acusando-o de usar “chavões” e uma estratégia política “lamentável”.

Rui Anastácio também não gostou de ouvir Hugo Santarém referir o facto de já ter sido vereador do PS no passado e de ter criado a sua empresa no concelho de Porto de Mós, e não em Alcanena, considerando que lhe estava a ser feito um ataque “à vida pessoal”.

Pode ver o debate na íntegra no nosso canal de YouTube:

ALCANENA

Fonte: Pordata

O concelho de Alcanena tem atualmente 12.478 habitantes e 11.710 eleitores, distribuídos por 7 freguesias. Na última década sofreu uma significativa diminuição da sua população, perdendo 10% dos seus habitantes. Com uma economia fortemente marcada pela indústria dos curtumes, tem uma taxa de desemprego de 3,2%, abaixo da média nacional.

Desde as primeiras eleições, em 1976, as eleições autárquicas foram maioritariamente ganhas pelo Partido Socialista, com a exceção das eleições de 1979, em que venceu a AD, e em 2001 e 2005, em que venceu o movimento ICA – Independentes pelo Concelho de Alcanena. Nos últimos 12 anos o município foi governado pelo partido socialista, sob a presidência de Fernanda Asseiceira, que não pode voltar este ano a candidatar-se por já ter cumprido os três mandatos seguidos permitidos por lei.

Em 2017 o PS conquistou 5 dos 7 lugares do Executivo municipal, garantindo também a maioria na Assembleia Municipal. A oposição, constituída pelo grupo Cidadãos, elegeu dois vereadores para o executivo. O concelho conta ainda com a participação da CDU, que tem marcado presença na vida autárquica com eleitos na Assembleia Municipal. Nestas eleições concorre pela primeira vez em Alcanena o partido Chega.

Candidatos no concelho de Alcanena

PS

Câmara Municipal Hugo Santarém
Assembleia Municipal Silvestre Pereira
Alcanena e Vila Moreira António Frazão Silva
Bugalhos Luís Carlos Salgueiro
Malhou, Louriceira e Espinheiro Lina Louro
Minde António Santarém
Moitas Venda Álvaro Capaz Gonçalves
Monsanto Samuel Frazão
Serra de Santo António Paulo Sousa

Cidadãos por Alcanena (PSD/CDS/MPT)

Câmara Municipal Rui Anastácio
Assembleia Municipal Tereza Cadete Sampainho
Alcanena e Vila Moreira João Pinto
Bugalhos Estevão Anacleto
Malhou, Louriceira e Espinheiro Edgar Pereira
Minde Fátima Ramalho
Moitas Venda Paulo Gonçalves
Monsanto Abílio Henriques
Serra de Santo António Eurico Justo

CDU

Câmara Municipal Ivo Santos
Assembleia Municipal Carla Pereira
Alcanena e Vila Moreira Maria Abreu
Minde Francisco Fernandes
Malhou, Louriceira, Espinheiro Joaquim Almeida
Bugalhos Marta Carreira

CHEGA 

Câmara Municipal Nuno Santos

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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3 COMENTÁRIOS

  1. O CANDIDATO RUI ANASTÁCIO SÓ NÃO ESTÁ NO PS PELO MOTIVO DE TER PERDIDO AS ELEIÇÕES PARA A CONCELHIA DE ALCANENA PARA A FERNANDA ASSEICEIRA POR NÃO TER TRABALHADO POR ANDAR A VENDER PELES NO ESTRANGEIRO PARA A IRMÃ A VENDER PELES.

  2. Da noticia…”2001 e 2005, em que venceu o movimento Cidadãos” Mais exactamente foram os ICA – Independentes pelo Concelho de Alcanena.

  3. Em Alcanena o PS-B ACABOU O SEU PÉSSIMO REINADO COM TANTA DIVIDA QUE O POVO CORREU COM ELES E DEU A VITÓRIA Á FERNANDA ASSEICEIRA DO PS-A ATÉ HOJE COM MAIORIAS BASTANTE LARGAS.
    J.RITA

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