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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Autárquicas 2021 | Resumo do debate entre os candidatos de Abrantes

Quebra da população e economia foram os dois temas centrais no debate que juntou os candidatos à Câmara Municipal de Abrantes nas Eleições Autárquicas, na segunda-feira, 13 de setembro. Nos estúdios de televisão da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes estiveram Armindo Silveira (BE), João Chaleira Damas (CDU), Manuel Jorge Valamatos (PS), Mário Lucas (CHEGA), Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) e Vítor Moura (PSD).

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Armindo Silveira (BE) Atual vereador da Câmara Municipal de Abrantes eleito pelo Bloco de Esquerda, tem 56 anos de idade, é licenciado em Ciência Política e Administrativa pela Universidade Aberta. Membro da Assembleia Municipal de Abrantes entre 2013-2017, pelo Bloco de Esquerda, é porta-voz da Comissão Coordenadora Concelhia e presta apoio ao Grupo Parlamentar e às estruturas regionais.

João Chaleira Damas (CDU) O candidato tem 70 anos, é engenheiro, natural de Rio de Moinhos. Foi Chefe de Divisão nos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Setúbal, tendo exercido funções enquanto vereador da CDU na Câmara Municipal de Setúbal e de eleito na Assembleia Municipal de Setúbal. Esteve envolvido na criação da Zona de Intervenção Florestal (ZIF) de Aldeia do Mato, Rio de Moinhos e Martinchel, onde ainda participa.

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Manuel Valamatos (PS) Atual presidente da Câmara Municipal de Abrantes, encontra-se no executivo municipal desde 2004. Ao longo dos anos assumiu as pastas do Desporto, Juventude e Tempos Livres, Manutenção, Transportes e Serviços Urbanos, Planeamento Estratégico, Gestão do Capital Humano, Manutenção e Gestão Logística, Ambiente e Sustentabilidade, bem como a Coordenação direta das Freguesias. Tem 55 anos, natural de Tramagal, assumiu a presidência da Câmara Municipal de Abrantes em fevereiro de 2019, rendendo no cargo Maria do Céu Antunes, atual ministra da Agricultura. Militante do Partido Socialista desde 2003, começou o seu percurso autárquico em 2002, como adjunto do presidente da Câmara.

Mário Lucas (Chega) Natural de Ferreira do Zêzere e residente na cidade de Tomar é militante do Chega, é vice-presidente da Comissão Política Distrital do partido e membro do Conselho Nacional do mesmo, foi candidato pelo Chega às eleições legislativas de 2019 pelo círculo eleitoral de Santarém.

Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) Tem 51 anos, licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade Internacional, apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal de Abrantes, a sua cidade natal, em 2019. Afirma não ter qualquer filiação política. Não é o primeiro a abraçar um movimento independente em Abrantes, mas diz que o concelho é o seu partido, com o slogan de ‘Missão Possível’. Vive atualmente em Tramagal. 

Vitor Moura (PSD) Tem 68 anos, é empresário, sendo membro da comissão política concelhia do PSD e concorrendo a eleições pela primeira vez. Nascido e criado em Chainça, localidade onde atualmente reside, foi o escolhido por unanimidade pela Comissão Política de Secção do PSD de Abrantes às eleições autárquicas do presente ano.

O impasse que marca a situação da Central Termoelétrica do Pego, que terá um novo concurso público para a sua exploração ainda este mês, foi um dos pontos quentes no debate, assim como as questões relacionadas com a perda de população, uma vez que este foi o concelho do Médio Tejo, a par de Mação, com o maior decréscimo populacional (12,6%). O futuro do antigo Mercado Diário de Abrantes e o preço da água foram também temas quentes já perto do final da sessão.

Armindo Silveira referiu que o Bloco de Esquerda se apresenta com um projeto a 12 anos, muito baseado no desenvolvimento sustentável. O bloquista acusou o PS de conduzir Abrantes “ao estado em que está”, tornando-o num “concelho cinzento”, onde as pessoas que não são simpatizantes do PS “são colocadas de parte”. O candidato desafiou constantemente Manuel Jorge Valamatos, atual presidente do município e (re)candidato pelo PS, a ser mais claro e a explicar bem a situação da Central Termoelétrica do Pego. O candidato do BE, que é atualmente vereador de oposição, disse ter percebido ao longo do último mandato que o executivo do PS não está a proteger aquilo que é património histórico, concretizando a sua afirmação com exemplos como o da Ermida de Santo Amaro e a casa de Maria Lurdes Pintassilgo.

O candidato João Chaleira Damas apresentou-se dizendo que a CDU vem otimista para a campanha, até porque já fez parte das vereações anteriores (em 12, a CDU esteve presente em 8), mas acusou a candidatura do Partido Socialista de utilizar “meios da câmara” e “apoios do governo” na campanha. Considerando que “o grande problema de Abrantes é a redução da sua população”, Chaleira Damas focou também a necessidade das autoridades abrantinas se baterem pela regularização dos caudais do rio Tejo, elemento fundamental da cidade e permanentemente esquecido, segundo as palavras do candidato da Coligação Democrática Unitária.

“Este é um tempo de grande exigência” mas também de “grande oportunidade”, disse Manuel Jorge Valamatos (PS), candidato que considera essencial “estancar” a questão da demografia no concelho. Economicamente, Valamatos referiu a compra de mais quatro lotes na zona industrial, por 400 mil euros, dizendo que se tem de fazer crescer as zonas industriais, tanto de Abrantes, como do Pego e de Tramagal, ao mesmo tempo que pretenderá “criar um conselho estratégico empresarial para Abrantes”. O candidato socialista disse considerar que quando o Governo decidiu encerrar a Central Termoelétrica do Pego devia ter desenvolvido logo de imediato mecanismos para a reconversão desta central a carvão e, segundo o candidato, se tivesse logo havido concurso público (como vai agora acontecer) “as coisas já estariam a andar”.

Para Mário Lucas e a sua candidatura pelo Chega é necessário dar-se um privilégio às acessibilidades no sentido de melhor servir os munícipes e de desviar o trânsito do interior da cidade. Referindo que o seu partido é liberal na economia, o candidato defendeu a necessidade de criar condições para o desenvolvimento do setor primário e secundário, uma vez que, segundo o candidato, o setor terciário – onde Abrantes mais tem atividade – não produz riqueza, apenas a transaciona.

Dizendo que a marca distintiva da sua candidatura é a de fazer parte da solução e ajudar na construção sempre com elevação, “nos modos e profundidade das ideias”, Vasco Damas, candidato do movimento independente ALTERNATIVAcom, definiu como prioridades a recuperação da identidade de Abrantes e o combate ao desemprego, componentes que em conjunto terão uma indução positiva na quebra demográfica e na fixação da juventude. O candidato do ALTERNATIVAcom abordou a questão da necessidade de uma ponte no Tramagal, dizendo que se a “bazuca europeia” não resolver este problema, talvez se deva pensar numa resolução através de investimento privado, algo que, nas palavras do candidato, se calhar nunca foi pensado, complementando que por vezes é necessário pensar “fora da caixa”.

Vítor Moura (PSD), começou por considerar que “o debate é deficitário em Abrantes” e referir que a prioridade “é desde logo impedir que o Partido Socialista continue a governar tão mal o concelho de Abrantes como faz há 28 anos, gastando onde não é necessário, deixando de gastar onde faz tanta falta”. Vítor Moura entende que “os abrantinos precisam de um PSD forte, que desta vez venha para governar, e se assim não acontecer, para fazer uma oposição determinada, séria e competente”. O candidato social democrata, que considera fundamental o papel da iniciativa privada e o aportar de investimento nacional ou estrangeiro, tem assim como primeira medida a de ampliar a zona industrial norte, em Alferrarede – para a instalação de pequenas e médias empresas – e ampliar a zona industrial do Pego, aproveitando desde logo o ramal ferroviário que vai ficar desativado pela Central Termoelétrica desta freguesia.

O preço da água em Abrantes, que segundo um estudo da DECO divulgado em março é o mais elevado na região do Médio Tejo, voltou a ser levantado pelo ALTERNATIVAcom. Vasco Damas confrontou Manuel Jorge Valamatos, lembrando que o autarca então classificou este estudo como não sendo “muito aceitável” e afirmado que o município havia manifestado o seu “desagrado” junto da DECO, e que iriam ser corrigidas “algumas situações às quais não esteve atenta”. Vasco Damas perguntou, então, se o estudo da DECO já tinha sido “corrigido”, como foi exigido pelo município de Abrantes. O candidato socialista vinha preparado para o tema, mostrando gráficos onde se comprovaria que o preço da água não é o mais caro (mostrando preços domésticos e não domésticos), tendo admitido contudo que o problema está nos custos do saneamento e resíduos sólidos. “Aí sim, podemos falar de outra forma”, considerou, justificando que esses custos estão relacionados com os investimentos ambientais efetuados no Município através da entidade gestora, a Abrantáqua. “Sempre me bati contra essa decisão” de integrar a Tejo Ambiente, reforçou, de modo a garantir a sustentabilidade do sistema e não aumentar as tarifas nos próximos anos, assegurou.

O candidato do movimento ALTERNATIVAcom revelou então que tinha pedido esclarecimentos à DECO, entregando aos jornalistas um documento com as respostas enviadas. Aí pode ler-se que a DECO realizou os seus cálculos com base nos dados fornecidos pelos próprios serviços dos SMA e que “os resultados foram posteriormente enviados aos SMA, que confirmaram a informação”. Já depois da publicação e divulgação do artigo sobre as tarifas da água, refere-se, “os SMA contactaram a DECO, pedindo a alteração dos valores referentes ao serviço de saneamento naquele município. Em causa estaria a aplicação de um tarifário diferente do que nos tinha sido confirmado pelos mesmos serviços”. Assim, a DECO “procedeu à atualização dos valores do serviço de saneamento de 107,30€ para 103,51€ (para 120 m3 anuais) e de 144,60€ para 138,91€ (para 180 m3 anuais)”, passando os valores da “fatura da água” (Ambiente) de 327,33€ para 323,54€ e de 437,46€ para 431,77€, respetivamente”.

Mesmo com esta atualização, os valores de Abrantes continuam a ser os mais elevados do Médio Tejo (excluindo Ourém, não incluído no estudo).

Também o candidato da CDU pediu para intervir brevemente, dizendo que comparou os preços das faturas da água, saneamento e resíduos sólidos dos diferentes municípios do Médio Tejo, concluindo que “o preço em Abrantes é 12,6% superior”.

Pode ver o debate na íntegra no nosso canal de YouTube:

ABRANTES

Fonte: Pordata

O Município de Abrantes, com 13 freguesias, conta com 31.614 eleitores. Com 714 km2, tem atualmente 34.351 habitantes, dos quais cerca de 18 mil residem na cidade. Sendo um dos concelhos mais populosos do Médio Tejo, Abrantes foi também o concelho que registou a maior perda populacional na última década na região, ex aequo com Mação: 12,6%. Um terço da população tem hoje mais de 65 anos e 10% da população ativa está desempregada. Abrantes tem, aliás, a mais alta taxa de desemprego da região do Médio Tejo. Cerca de 25% da população ativa trabalha na área das indústrias transformadoras e os três principais empregadores do concelho são o Hospital, a indústria automóvel e as cadeias de supermercados.

São seis os candidatos à Câmara Municipal nestas eleições Autárquicas. Só um é “repetente” na corrida (Armindo Silveira, do Bloco de Esquerda). O candidato do PS é o atual presidente da Câmara mas não foi o cabeça de lista dos socialistas nas eleições autárquicas de 2017, tendo ocupado o cargo há dois anos, quando a então presidente, Maria do Céu Antunes, foi nomeada para o Governo.

O Partido Socialista governa o município há 41 anos, tendo vencido todas as eleições desde 1976, com uma única exceção: nas eleições de 1989 ganhou o PSD, com 35,1% dos votos. Há quatro anos o PS obteve 56% dos votos expressos, conquistando 5 dos 7 lugares no Executivo municipal. O PSD elegeu um vereador e o Bloco de Esquerda outro.

Nestas autárquicas concorre pela primeira vez o partido Chega e o movimento independente ALTERNATIVAcom.

Candidatos no concelho de Abrantes

ALTERNATIVAcom

Câmara Municipal Vasco Damas
Assembleia Municipal José Rafael Nascimento
Abrantes e Alferrarede Sónia Pedro
São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo Clara Almeida
São Facundo e Vale das Mós José Rafael Nascimento
Martinchel Maurícia Rei

Bloco de Esquerda

Câmara Municipal Armindo Silveira
Assembleia Municipal Pedro Grave
Abrantes e Alferrarede Marisa Grácio
Alvega e Concavada Eduardo Jorge
São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo Vasco Catroga
Tramagal João Carlos Pio

CDU

Câmara Municipal João Chaleira Damas
Assembleia Municipal Luís Lourenço
Abrantes e Alferrarede Ana Paula Cruz
Bemposta Laurindo Cruz
São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo Anabela Martins
Mouriscas António Louro

Alvega e Concavada João Madrinha

Tramagal Dário Lima

São Facundo e Vale das Mós Manuel Tomás
Pego Carlos Falcão
Rio de Moinhos Jesuíno Pereira Marques

Chega

Câmara Municipal Mário Lucas
Assembleia Municipal Luís Carloto

PS

Câmara Municipal Manuel Jorge Valamatos
Assembleia Municipal António Gomes Mor
Abrantes e Alferrarede Bruno Tomás
Aldeia do Mato e Souto Helder Quintas
Alvega e Concavada José Felício
Bemposta Manuel João Alves
Carvalhal Luís Vermelho
Fontes Sónia Alagoa
Martinchel Teresinha Barreiro
Mouriscas Pedro Matos
Pego Maria Florinda Salgueiro
Rio de Moinhos Liliana Carvalho
São Facundo e Vale das Mós Amílcar Alves
São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo Luís Valamatos
Tramagal Pedro Rodrigues

PSD

Câmara Municipal Vítor Moura
Assembleia Municipal José Moreno
Abrantes e Alferrarede João Salvador
Aldeia do Mato e Souto
Álvaro Paulino
Alvega e Concavada 
António Moutinho
Carvalhal 
Filipe André
Fontes 
Marina Alagoa
Martinchel 
José Freitas
Mouriscas 
José Rocha
São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo
João Morgado
Tramagal 
João Miguel Cravo

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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