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Terça-feira, Janeiro 18, 2022
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Análise Autárquicas 2017 | E o povo é quem mais ordena!

Estas eleições autárquicas, as 12ª após o 25 de abril, vieram demonstrar que a “geringonça” é conduzida pelo Partido Socialista. Dos 308 concelhos que compõem o país, 157 ficaram pintados de cor-de-rosa. O Médio Tejo manteve o equilíbrio: sete concelhos para o PS e seis para o PSD. O PS perdeu Ourém para o PSD mas ganhou Constância. A derrota maior foi da CDU (coligação liderada pelo PCP) que perdeu o seu bastião há 32 anos, permitindo que Constância passasse para desígnios socialistas, para além de vereadores em vários municípios.

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Mas não foi só nesta zona centro do país que a CDU assistiu à sua queda. Nunca o PCP teve tão poucas Câmaras como agora. Talvez sejam os reflexos de terem entrado na “geringonça” e que isso esteja a gerar alguns arrependimentos. Agora é tarde para voltar atrás e o PCP terá de rever os seus parâmetros para recuperar o que já foi seu.

Este ano as eleições evidenciaram também um Portugal a sair da dicotomia PS/PSD, outrora chegando mesmo a assumir-se como força conjunta no IX governo constitucional. Dois anos (1983-1985) foram suficientes para os portugueses perceberem que o “bloco” não tinha futuro, mas com o passar dos anos o país continuou imbuído nesta amálgama rosa laranja. O conceito de Oposição esbatia-se nos diversos órgãos do poder central e local.

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Aos poucos, no país, foram nascendo novos contornos: “pasito a pasito, suave, suavecito”, o Bloco de Esquerda tem vindo a conquistar o seu lugar no espectro político português. Embora não tendo conseguido nenhuma Câmara Municipal, tem conquistado, aqui e acolá, presenças de destaque. Neste sufrágio conseguiu eleger 12 mandatos a nível nacional, dos quais três no Médio Tejo.

Mas as revelações continuam: CDS-PP e os grupos de cidadãos independentes ajudaram a marcar a diferença neste sufrágio autárquico. O CDS atinge a sua maior vitória de sempre ao conseguir eleger 169 mandatos em todo o país. Houve uma mudança de paradigma nos centristas quando deixaram que a força feminina liderasse um partido conservador e que, para surpresa dos próprios, lhes traz agora mais responsabilidade.

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Os movimentos independentes de cidadãos materializaram aquilo que há muito alguns defendiam: os eleitores escolhem pessoas e não partidos para o poder local. Um facto é que nesta eleições, os independentes que foram a votos conseguiram fixar-se em quinto lugar, elegendo 130 mandatos em todo o país. Quer nas Câmaras, quer nas Juntas de Freguesia, o voto foi para os movimentos de cidadãos.

Sinais de novos tempos democráticos, onde a vontade do povo é soberana. Um povo que deixou o PSD com um travo amargo na boca. Se olharmos as cores de Portugal desde 1976 verificamos que os social-democratas têm vindo a perder de eleição para eleição. O PSD mostrou-se um partido em busca de uma glória perdida. Este ano obteve o pior resultado de sempre deixando os seus “históricos” em “estado de choque”. Perdeu 38 mandatos e algumas Câmaras, comparativamente com 2013. Umas passaram para governação socialista, outras para os independentes, como o caso de Oeiras, com o regresso apoteótico de Isaltino Morais.

Portugal acordou com estas eleições e o eleitorado percebeu que, afinal, o seu voto não é causa perdida. É possível virar a página num país onde tudo parecia estar acomodado. Há uma brecha de luz que incita cada cidadão a fazer História.

E os partidos… ou aprendem a fazer política de proximidade, ou enfrentam a crescente vontade de independentes em fazer política.

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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