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Domingo, Dezembro 5, 2021
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Atlético Ouriense | O futebol feminino “enche cada vez mais as bancadas” (c/vídeo)

São jovens mulheres dos 13 (júniores) aos 35 anos, algumas com filhos, que abdicam de noites e fins de semana para se dedicarem a uma paixão comum: o futebol. Entre os anos 2012 e 2014, a equipa feminina sénior do Clube Atlético Ouriense fez história, repetindo a vitória no Campeonato Nacional de Futebol Feminino e competindo na Liga dos Campeões feminina da UEFA. Atualmente a equipa continua a trabalhar para alcançar o topo, tornando-se uma das referências nacionais ao nível da formação, com várias jogadoras a integrarem equipas de maior dimensão, como o Sporting. Este ano o campeonato afigura-se difícil, com o Atlético Ouriense a regressar à primeira Liga de Futebol numa Liga cada vez mais competitiva. Este domingo, às 15:00, as mulheres do Ouriense disputam a 1ª jornada no campo do Vilaverdense, recebendo o Boavista na semana seguinte

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Há estudantes, assistentes sociais, técnicas desportivas e de saúde, operárias fabris. A grande maioria está na universidade e faz o penoso percurso de regressar a Ourém no fim de um dia de aulas para treinar, voltando depois para as cidades onde estão a estudar. Os companheiros assistem aos treinos e acompanham a equipa nos jogos ao fim de semana. Tendo características diferentes do futebol masculino, o futebol feminino tem conseguido conquistar cada vez mais público, acompanhando o crescimento do número de atletas e, por tal, da competição.

Assim o constata ao mediotejo.net a diretora desportiva do feminino e vice-presidente do Atlético Ouriense, Conceição Pereira. As equipas femininas de futebol têm crescido a nível nacional, com cada vez mais interesse a despertar junto do público e da própria comunicação social. “A bancada está cada vez mais cheia”, afirma, acreditando que dentro de poucos anos a modalidade terá conquistado um espaço próprio significativo dentro do desporto.

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Este processo não se fez sem uma mudança de mentalidades, com a abertura do futebol às raparigas e deixando de ser encarado como um desporto masculino. “Antigamente até havia muitas meninas a quererem jogar futebol, mas era só para rapazes”, lembra. Conceição Pereira é um exemplo destas alterações sociais, uma vez que a própria filha começou a jogar em pequena no Atlético, acabando por trazer a mãe para os quadros dirigentes da associação. “Vinha para me divertir, até que me convidaram para a direção”, recorda.

A maioria das jogadoras são estudantes universitárias, que depois das aulas vêm até Ourém treinar Foto: mediotejo.net

A responsável admite que, para quem gosta de futebol, o futebol feminino se revista de particularidades não tão emocionantes como o masculino, como um remate menos forte e menos velocidade em campo. “Não que as meninas não tenham qualidade”, frisa, apenas tem que se entender que a competição possui outras características.

Com o crescimento do interesse e cada vez mais atletas, o Atlético Ouriense tem-se afirmado como escola de formação, tendo já contribuído com várias jogadoras para as grandes equipas nacionais. Com excelentes condições de campo e equipamentos, Conceição Pereira reconhece que neste momento o grande problema da associação é mesmo a falta de espaço.

Uma equipa de sub-15 feminina está fora de questão neste momento porque não há mais espaço para treinos (na noite em que o mediotejo.net acompanhou o treino, o campo de futebol da Caridade, em Ourém, encontrava-se a ser dividido por várias equipas femininas e masculinas da associação). “Somos um dos clubes com melhores condições, o problema é mesmo o espaço”, afirmou.

As equipas feminina do Atlético Ouriense contam com 22 jovens nos júniores e 25 nos séniores. Pode-se entrar a partir dos 13 anos, mediante exame de subqualificação. O clube de Ourém tem neste momento atletas de toda a região, inclusive de Castelo Branco, Sertã, Almeirim ou Castro Verde. Estas últimas acabam por se instalar pelo concelho, afirmando o clube como um ponto de referência para a prática de futebol feminino.

O Estádio da Caridade, à entrada de Ourém, é atualmente dos mais bem equipados no país, comenta Conceição Pereira Foto: mediotejo.net

Para Conceição Pereira, assim como para o treinador da equipa sénior feminina, André Pereira, a grande fragilidade destas jovens mulheres acaba por passar pelo amadorismo. Ninguém joga a nível profissional, tendo que conjugar com a rotina profissional, o que condiciona os treinos e os níveis de cansaço. Ser mãe representa frequentemente o fim da competição, uma vez que implica uma paragem prolongada e torna-se difícil regressar, embora haja uma atleta com filhos. A maioria adia.

“Quem joga à bola tem que gostar muito” da modalidade, comenta Conceição Pereira, não só pelos fins de semana perdidos, mas para enfrentar treinos até horas tardias, mesmo ao frio e ao gelo.

Regresso à primeira divisão

Com a desistência do União Ferreirense, o Atlético Ouriense regressa esta época à primeira divisão. A ambição passa sempre por voltar ao topo. “As expetativas são fazermos um campeonato tranquilo, estando sempre a lutar pelos lugares cimeiros da tabela”, referiu ao mediotejo.net André Pereira. “Foi por isso que o clube fez um esforço para reforçar a equipa em relação à época passada”, afirmou, relativamente a um clube que quer começar por assegurar a manutenção.

A equipa foi formada um pouco mais tarde dada a entrada tardia na primeira divisão, mas o treinador garante que o plantel “está equilibrado”. O primeiro jogo decorre a 16 de setembro em Vila Verde, recebendo Ourém o Boavista na semana seguinte. “Temos dois candidatos crónicos” nesta divisão, reconhece, o Sporting e o Sporting de Braga, que investem muito no futebol feminino, possuem outros meios financeiros e têm inclusive ido buscar várias jogadoras ao Atlético nos últimos anos.

“O Atlético sempre foi uma equipa que formou muito bem as jogadoras”, frisou o treinador, recordando que esta foi bicampeã nacional. “Foi sempre uma equipa muito respeitada a nível nacional”, acabando também por ser muito observada uma vez que não há na região muitas equipas de topo. “Os resultados estão à vista”.

Anita Santos, 25 anos, é a capitã da equipa e um dos rostos do clube Foto: mediotejo.net

Daniela Pereira, 23 anos, quer fazer carreira desportiva, mas reconhece que terá que conjugar com outra profissão Foto: mediotejo.net

Para Anita Santos, capitã da equipa feminina do Atlético Ouriense, e Daniela Pereira, jogadora, o futebol sempre fez parte das suas vidas, sendo a carreira desportiva uma ambição para ambas. Anita é atualmente personal trainer em Fátima, Daniela é recém-licenciada em Treino Desportivo, estando a aguardar o estágio profissional. Hesitantes, reconhecem que a primeira liga traz outros desafios, mas a “responsabilidade é sempre a mesma”.

“Aquele nervoso miudinho por os jogos serem mais competitivos e muito mais equilibrados é muito diferente de estar a jogar na segunda divisão”, admite Anita. Já Daniela salienta que “jogar a este nível é estar entre as melhores, as melhores de Portugal. Vamos querer sempre dar o nosso melhor porque aqui é onde estão os máximos do futebol feminino”.

Para já, Anita ainda não sabe bem como olhar o futuro, aproveitando as oportunidades que o futebol lhe tem trazido. Daniela quer continuar no desporto, mas sabe que o caminho terá as suas dificuldades. “Claro que gostava de seguir, mas não é uma tarefa fácil. Para seguir esta área vou com certeza ter que conjugar com outra qualquer. Mas esta é a minha paixão”, rematou, de forma categórica.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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1 COMENTÁRIO

  1. Espectacular desempenho da Equipa feminina de futebol do Atlético de Ourem . Os meus parabens às atletas , ao treinador e aos dirigentes do Clube . Votos de continuação de êxitos e Felicidades .

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