Atentado/Testemunho: Marta Rosa tem família em Tomar “Todos sabíamos que, mais cedo ou mais tarde haveria uma desgraça destas em Bruxelas”

Marta Rosa, 36 anos, está em Bruxelas há seis anos e trabalha como “policy advisor” na Copa-Cogeca, a maior organização de agricultores a nível europeu, num escritório ao lado da estação de metro onde ocorreu a explosão. O seu pai e família são de Tomar. Falou com o jornal mediotejo.net já na sua casa, na capital belga.
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Marta Rosa, 36 anos, de Tomar, está em Bruxelas há seis anos.

“Tive que vir a pé. Os transportes estão encerrados. Começaram agora a permitir o acesso ao comboio para as pessoas retornarem a casa mas apenas permitem a entrada na gare a 10 pessoas de cada vez”, contou.

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Rue Belliard que passa pelo Parlamento Europeu no sentido da Comissão Europeia e do Conselho Europeu está deserta
Marta tinha acabado de chegar ao gabinete que se situa a cerca de 20 metros da estação de metro de Maelbeck quando tudo aconteceu. “Ficamos todos muito confusos porque ouvimos a explosäo e começámos a ouvir muitas sirenes e os helicópteros mas näo associamos logo a um segundo atentado, depois do que tinha acontecido há pouco no aeroporto”, começa por recordar.
A equipa de trabalho foi toda reunida e foi-lhes dada a liberdade de regressar a casa mas aconselharam-nos a evitar a Rue de La Loi, pois é a rua da saída do metro. “Já havia feridos nos passeios”, indica.
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Rue Belliard que passa pelo Parlamento Europeu no sentido da Comissao Europeia e do Conselho Europeu
 “Pessoalmente a sensação é de insegurança total. Estamos rodeados pelas instituições europeias e não sabíamos se haveriam mais bombas na nossa rua… se haveriam disparos de algum radical louco. Naquele momento pensei que tinha que sobreviver!”, confessa.
Marta Rosa conta que deixou as “coisas acalmarem” e quatro horas depois do sucedido acabou por resolver regressar pelo próprio  pé para casa. “Independentemente da quantidade de policia e de militares que já,  infelizmente, são constantes nas nossas vidas, nunca sabemos quando seremos nós a próxima vitima. Por isso foi com espanto que ouvi as noticias. Mas, todos sabíamos, que mais cedo ou mais tarde haveria uma desgraça destas em Bruxelas”, considera.
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Rue Belliard que passa pelo Parlamento Europeu no sentido da Comissao Europeia e do Conselho Europeu
Marta conta que as autoridades emitiram um pedido para que as pessoas não fizessem chamadas telefónicas “porque a rede estava saturada” e que, em contrapartida, usassem o serviço de mensagens. Liberta a rede, começou logo a ficar disponível para as chamadas de emergência. “O desastre na estação de metro não foi maior porque há muita gente a gozar as férias de Páscoa. Normalmente, entre as 08:30 e as 09:00 o metro vem apinhado de gente. A tragédia podia ter sido muito maior!”, refere.
A resposta dos meios de socorro às vítimas do atentado foi rápida, segundo o seu testemunho, pois desde logo começou a ouvir as sirenes. A portuguesa refere que está a acompanhar o evoluir da situação principalmente pela internet e pelos medias belgas: Le Soir, La Libre e rtbf.
 
Após os atentados ligou logo aos seus familiares para que não pensassem que estaria entre as vítimas. “Estão preocupados mas mais descansados por saberem que já estou em casa e em segurança. Mas tristes pois provavelmente não conseguirei ir a Portugal na Páscoa, como tinha previsto pois o aeroporto está fechado e não se sabe quando voltara’ à normalidade”, refere.
À hora a que está  a dar este testemunho, cerca das 16:15, diz que “as pessoas estão aparentemente calmas”, atentas e vão saindo, aos poucos, para a rua. “Mas sempre nos passeios pois no quarteirão europeu a policia e os bombeiros andam a grande velocidade. Em Bruxelas, continuam ainda a ouvir-se sirenes.
“Amanhã vai ser difícil voltar à vida normal. E certo é que tão cedo não conseguirei entrar no metro bruxelense ….”, confessa.
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Foto tirada a partir do escritório de Marta Rosa que mostra o frenesim na Rue de la Loi, na saída do metro de Maelbeck
 *Testemunho exclusivo de Marta Rosa ao jornal digital www.mediotejo.net

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