Atentado/Bruxelas: Pedro Carreira é de Fátima: “É terrível pensar em voltar para casa e sentir que algo pode acontecer”

foto D.R.

Duas explosões com origem terrorista no aeroporto e no metro de Bruxelas, Bélgica, perto das instituições europeias, têm estado a marcar a ordem do dia. O jovem Pedro Carreira, natural de Fátima, vive na capital belga e falou ao mediotejo.net sobre a dor e o medo que se vive em Bruxelas. Com viagem marcada para Portugal no sexta-feira, dia 25, confessa que o seu maior “receio é entrar no hall das partidas/check-in do aeroporto”.

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Pedro Carreira, foto facebook Pedro Carreira
Pedro Carreira, foto facebook Pedro Carreira

Pedro Carreira trabalha fora da área metropolitana de Bruxelas, na empresa Siemens, pelo que não viveu de perto o que se passou no centro da cidade. “Apenas tenho o conhecimento generalizado do que ocorreu. Mais logo quando voltar a casa é que vou ver as diferenças”, referiu em conversa via facebook.

“É um clima de terror, de medo e pânico que as pessoas sentem”, comentou, quando questionado sobre o ambiente que se vive atualmente na cidade. “Sítios que todos conhecem e inclusive por lá passam várias vezes, ver completamente destruído, (as pessoas) ficam aterrorizadas por verem que podia ter sido a qualquer um de nós”. “Escolas fechadas, miúdos aos gritos, inclusive alguns pais proibidos de entrar não é algo fácil de viver e sentir. As rotinas todas alteradas por situações que põem a nu fragilidades da sociedade em que vivemos. É terrível pensar em voltar para casa e sentir que algo pode acontecer”.

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O mediotejo.net perguntou a Pedro Carreira se pensa neste momento em voltar para Portugal. O jovem tem viagem marcada para passar a Páscoa com a família e reconhece que “é óbvio que em situações destas questionamo-nos sempre”. “Mas neste momento, o meu maior receio é entrar no hall das partidas/check-in do aeroporto, olhar para aquele espaço e pensar em tudo o que aconteceu. Inclusive poder-me-ia ter acontecido a mim… pensar em todas as pessoas que ali circulavam, famílias, crianças bebés. É algo que por certo ficará guardado na memória”.

Na sua página de facebook, o fatimense de 27 anos tranquiliza família e amigos, referindo que está a trabalhar como normalmente.

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Ameaça terrorista também preocupa Fátima

Num simpósio realizado a 14 de novembro de 2015, em Fátima, sobre Gestão de Multidões em Grandes Eventos, o tema do dia foi o terrorismo. As opiniões dos especialistas convidados a intervir divergiram, com alguns a admitirem uma possibilidade real de atentado e outros a referirem ser pouco provável.

Esta última foi a opinião de Felipe Pathé Duarte, do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, que defendeu haver pouca probabilidade de um ataque terrorista em Fátima, como os do dia anterior em Paris (atentados de Paris de 13 de novembro). “O culto em Fátima não será necessariamente um óbice para um atentado terrorista”, comentou. Isto porque “o jihadismo é uma forma política de tomada de poder”, assente em princípios islâmicos. Valores que servem para recrutar membros e impelir à ação, mas cuja essência do movimento tem mais proximidades com o controlo do Estado, numa perspetiva secular ocidental, que com a religiosidade do islão.

O Estado Islâmico “é uma cambada de loucos com objetivos políticos específicos”, comentou. “Isto não é uma guerra religiosa”, sublinhou, razão pela qual um ataque a Fátima, com toda a sua carga simbólica cristã, é pouco provável. “É importante separar as águas, para não estimular a islamofobia”, defendeu.

Na opinião de Felipe Pathé Duarte colidiu no entanto com a de outros convidados, que argumentaram a tese contrária. Na ocasião o mediotejo.net falou com o Comandante dos Bombeiros de Fátima, Gaspar Reis, que salientou a imprevisibilidade deste tipo de acontecimentos. As equipas que protegem Fátima estão preparadas “dentro das nossas capacidades de intervenção rápida”, constatou.

Já o Reitor do Santuário, Padre Carlos Cabecinhas, referiu recentemente que “Fátima é um lugar seguro”. “A ameaça terrorista preocupa-nos a todos”, mas não podemos deixar-nos cair numa “linguagem alarmista” ou estaremos a “fazer o jogo dos terroristas”, comentou em Fevereiro, numa conferência de imprensa sobre o Centenário das Aparições em 2017.

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