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Domingo, Janeiro 23, 2022
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“ATENÇÃO! CUIDADO COM A LAGARTA!”, por Rui Calado

Não, não é cuidado com o cão. Nem sequer com o lagarto. Não iremos falar de futebol. Trata-se de saúde…

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Se ainda não o fez, por favor chame o seu filho e mostre-lhe estas imagens. Ele precisa de saber que a lagarta que lhe está a mostrar é perigosa, de a conhecer muito bem, para poder evitar os problemas de saúde que ela lhe pode causar. Diga-lhe que se trata da lagarta-do-pinheiro, que o contacto com os seus pelos provocam alergias que se manifestam como manchas avermelhadas, muito ardor e comichão na pele e nos olhos, ou até “falta de ar”. São situações muito desagradáveis, que podem ter consequências graves e que acontecem no final do Inverno e durante a Primavera porque estas lagartas, tão vistosas, descem dos pinheiros onde se desenvolvem e permanecem no solo durante algum tempo, antes de nele se enterrarem para continuarem o seu ciclo de vida.

Trata-se de um inseto endémico em Portugal, a que também se dá o nome de processionária, porque quando descem dos seus casulos brancos e sedosos construídos nos ramos dos pinheiros, fazem-no ligadas umas às outras em “procissão”, isto é, deslocam-se numa longa fila, muitas vezes constituída por centenas de lagartas.

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Quando desce do pinheiro, em consequência do estádio de desenvolvimento da lagarta, ela apresenta um elevado número de pelos urticantes (mais de 100 mil), com grande potencial alérgico, qua a lagarta pode libertar com o vento ou projetar como reação defensiva e provocar problemas de saúde aos homens e aos animais. Isto porque os pelos urticantes da lagarta-do-pinheiro, atuam como agulhas quando entram em contacto com a pele ou as mucosas do animal ou pessoa, inoculando substâncias tóxicas no organismo. Os animais e em especial as crianças, movidas pela sua curiosidade natural ou por brincadeira, mexem ou aproximam-se demasiado destas lagartas e tornam-se as suas principais vítimas.

É por isso que, nas escolas é muito importante a aprendizagem pelas crianças dos perigos do contacto com estes insetos, sendo desejável e prudente impedir o seu acesso a zonas de árvores atacadas, sobretudo na altura em que as lagartas descem para o solo (final do Inverno e Primavera).

chenilles processionnaires
chenilles processionnaires

Assim sendo, pensamos ser indispensável que se criem condições para a realização de trabalho de cooperação entre os atores que podem, de forma complementar, interferir na resolução / minimização deste problema, isto é, os proprietários dos pinheiros afetados, os municípios, as escolas, as associações de pais, os serviços de saúde…

O controlo e monitorização da processionária exige uma rigorosa avaliação das necessidades de intervenção, o seu tipo e localização, bem como a definição de um cronograma das atividades a desenvolver. A eficácia do combate depende da adequação do tratamento ao estádio de desenvolvimento em que a praga que queremos controlar se encontra. A luta contra a processionária poderá incluir ações como a captura de borboletas através de armadilhas com feromonas sexuais, a destruição das lagartas com tratamentos químicos, a remoção dos casulos do pinheiro, a utilização de obstáculos à descida da “procissão”, a introdução de predadores.

Mas enquanto não se verificam os benefícios dessa desejável intervenção multisetorial, o melhor mesmo será prepararmos as vítimas mais frequentes da processionária, as crianças, para a identificação destes riscos, a prevenção destes acidentes e a sua capacitação para o auto-cuidado.

Cuidado com as lagartas…

Rui Calado é médico epidemiologista e especialista em Saúde Pública. Foi coordenador da USP (Unidade de Saúde Pública) do ACES Zêzere e do Médio Tejo.

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