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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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“Associativismo e voluntariado”, por Sérgio Ribeiro

O ser humano é um animal social.

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Dir-me-ão que todos os animais o são. Que todos os animais são sociais, no sentido lato do termo. Porque se associam, e viriam, em abono da resposta, as formigas, as abelhas, todos os exemplos que esgotariam os caracteres da crónica e que ilustrariam um certo tipo de sociabilidade, de partilha e associação (ou agrupamento).

Mas escrevi social no sentido restrito. Humano, para ser redundante ou circular (tipo pescadinha de rabo na boca): o ser humano é um animal social no sentido humano.

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Ora este sentido restrito é, também, diferente. Não é só grupal e de sobrevivência, é (ou vem sendo, ao longo dos séculos) de progresso social, de divisão do/cooperação no trabalho, de constante libertação das contingências do meio ambiente de que o ser humano faz parte (libertação que, tantas vezes, se transforma em agressão a esse meio).

Esse sentido restrito de social apreende-se na relação com a natureza, transmite-se geracionalmente, cria valores humanos como solidariedade, entre-ajuda, sociabilidade cada vez (cada século ou milénio) mais humana. Também, no decurso do tempo, com períodos de sentido inverso. De “homem lobo do homem”, isto é, de passos atrás no caminho da humanização por via, ou em resultado, de perversas relações entre os humanos.

Preparo-me para, este sábado, participar no Congresso Nacional das Colectividades, cabendo-me intervir sobre dirigentes associativos e voluntariado. E, nessa preparação, vou insistir (se os moderadores permitirem) em quatro pontos:

  • não há incompatibilidade entre profissão e voluntariado, há sim entre voluntariado e emprego de força de trabalho como mercadoria;
  • há que ocupar o tempo que vá ficando livre do trabalho necessário para a comunidade existir em tempo de trabalho voluntário para melhorar a sociabilidade;
  • o associativismo é progressivamente natural ao ser humano, como actividade humana – cultura, recreio, desporto;
  • ao prolongar a vida humana, o ser humano tem de encontrar formas de continuar a sua humanização – associativismo sénior (universidades, por exemplo) não como “dádiva” de outros mas como iniciativa e responsabilidade dos próprios, dos… reformados.

Que tem isto a ver com o Médio-Tejo? Tudo. Não me vou alongar, mas lembro (-me) que, no Parlamento Europeu, há mais de duas décadas, fui autor, na comissão regional, de um relatório sobre o associativismo como via de fixação de populações em zonas de risco ou em vias de desertificação. Desertificação que toma várias faces (ou caras… nenhuma bonita): envelhecimento, desculturação, abandono de áreas férteis, apagar de tradições e esquecimento da/na História.

Bom…por hoje chega. Vamos a ver como corre o Congresso. De que (parece) ninguém fala.

 

Doutor em Economia e ex-membro do Comité Central do PCP, é membro da Assembleia Municipal de Ourém. Foi deputado à Assembleia da República em 1986 e de 1989 a 1990. Foi também consultor Chefe de Missão BIT/OIT em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, Director Geral do Emprego e deputado ao Parlamento Europeu desde 1990 a 1999, onde integrou várias Comissões do Parlamento Europeu e do Inter-Grupo do PE para as Questões de Timor-Leste.
Escreve mensalmente no mediotejo.net.

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