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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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Associação de apoio a peregrinos acaba após novos caminhos de Fátima terem “atropelado” projeto

A Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima terminou a sua atividade de apoio aos peregrinos por considerar que os novos projetos, criados por municípios e outras entidades públicas, vieram “atropelar” os caminhos antigos.

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“Nos últimos 13 anos, a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima levou a cabo a missão de ajudar milhares de peregrinos a fazerem o caminho rumo a Fátima e Santiago pelos campos, de forma segura e com tranquilidade. [..] Devido à proliferação de caminhos turísticos (Caminho do Centenário, Rota Carmelita e outros projetos em desenvolvimento) que atropelaram os nossos caminhos, a nossa missão deixou de ser possível realizar”, afirma a entidade, no seu ‘site’.

Em causa, está, acima de tudo, o projeto criado em 2016, antes da ida do papa Francisco à Cova da Iria, por vários municípios portugueses, que se juntaram e criaram a Associação Caminhos de Fátima para desenvolver novos caminhos.

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“Passou a ser uma competição contra entidades públicas que, devido à obtenção de fundos europeus, desenvolveram um súbito interesse peregrino. Apesar da nossa boa vontade ser ilimitada, os nossos recursos não o são”, comunica a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima (AACF).

O problema, nota o presidente da AACF, Rodrigo Cerqueira, é que os novos caminhos criados por essa associação de municípios chocam com o antigo caminho de Fátima, com mais de 700 quilómetros sinalizados, e que utiliza grande parte do percurso em sentido inverso do caminho de Santiago de Compostela, todo ele feito pelo campo.

Os “atropelos” com esse caminho foram feitos quer com a Rota Carmelita quer com o Caminho do Centenário, projetos da associação de municípios, criando confusão e revolta junto dos peregrinos, disse à agência Lusa Rodrigo Cerqueira.

“Recebemos tantas centenas de chamadas de peregrinos perdidos, desorientados e percebemos que algo de errado tinha acontecido. Andámos à procura de perceber por onde esses caminhos passavam, mapeámo-lo e comparámos com os caminhos existentes [o trabalho está disponível no ‘site’ da associação caminho.com.pt]”, notou.

Segundo Rodrigo Cerqueira, a confusão instalou-se de forma mais vincada a partir de abril.

Sem contactos, os peregrinos ligavam para a sua associação a protestar, recordou, frisando que o Caminho do Centenário acaba por “ser imposto” ao peregrino, por causa da sinalética.

Paulo Santos, um dos responsáveis de um albergue para peregrinos, contou à Lusa que “as confusões têm surgido”.

“É muito difícil estar no caminho certo e toda a gente anda meio perdida. Há dispersão e há insatisfação, porque estes peregrinos entendem que o caminho é que é importante, não é chegar. E muitas delas ficam desiludidas, porque uma coisa é caminhar em sítios recatados e outra é andar maioritariamente por estrada”, afirmou.

Também o responsável de um albergue privado no concelho de Penela, Sérgio Dias, salienta que há peregrinos que não têm consciência que os caminhos se cruzam.

“100% das pessoas que me transmitiram o desagrado dizem que não conseguiram falar rigorosamente com ninguém, que não conseguiram nem GPS, nem mapas, nem informações”, frisou.

Quatro anos depois do protocolo assinado entre as diversas entidades em 2017, no ‘site’ da associação dos municípios (caminhosdefatima.com) não é possível encontrar qualquer contacto telefónico de apoio, nem está disponibilizada qualquer aplicação para ajudar no caminho.

Se no caso da Rota Carmelita (Coimbra a Fátima), é possível encontrar os ficheiros GPS, já no Caminho do Centenário não surge qualquer ficheiro de apoio, apenas um mapa, que a Lusa não conseguiu exportar e onde são indicados mais de mil pontos de interesse gastronómico, cultural e hoteleiro.

Questionado pela agência Lusa, o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, que preside à Associação Caminhos de Fátima, escusou-se a “comentar as opiniões de uma associação”, salientando que há “a maior liberdade do peregrino de escolher o caminho que bem entenda”.

O autarca frisou que os caminhos traçados foram criados para serem uma alternativa “mais segura” que a rota mais usada (pela estrada nacional número 1) e realçou que a associação a que preside “não é de apoio específico ao peregrino”.

“Sempre estivemos de braços abertos para receber essa associação”, acrescentou.

Segundo Diogo Mateus, as aplicações relacionadas com as rotas criadas deverão estar prontas antes de outubro.

Agência de Notícias de Portugal

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