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Sábado, Maio 8, 2021

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“As primeiras provas de corrida ecologistas no concelho de Torres Novas”, por José Trincão Marques

Iniciei ligações ao movimento ecologista por volta de 1980, quando me fiz sócio da LPN – Liga para a Proteção da Natureza (LPN).  Porém, essa adesão era praticamente limitada ao recebimento de algumas publicações, ao acompanhamento à distância do trabalho que ia sendo desenvolvido por esta associação em Lisboa, bem como de algumas campanhas que ficaram para a História do movimento ecologista português como a denominada “Salvemos o lince e a serra da Malcata”.

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Foram tempos de grandes e intensas divulgações dos valores do movimento ecologista na RTP – Rádio Televisão Portuguesa (único canal televisivo existente naquela época) de programas como “O Homem e a Terra” de Félix Rodriguez de la Fuente (sobre a fauna ibérica, disponível hoje na internet e que aconselho a revisitação), “A Vida na Terra” de David Attenborough e “O Mundo Submarino” de Jacques Cousteau.

Cartaz da Campanha Nacional da Liga para a Proteção da Natureza “SALVEMOS O LINCE E A SERRA DA MALCATA”, de 1979. (Foto de José Trincão Marques)

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A primeira participação ativa, séria e consequente que tive com um movimento ecologista (ainda que de âmbito local) ocorreu em 1983, através de um desafio do amigo e colega de turma Paulo Jesus (Paulo Jorge Pereira de Jesus), no 11º ano da Escola Secundária de Torres Novas, que me convidou para aderir ao ELP – Ecologistas Livre Pensamento, do qual ele era um dos principais fundadores e dinamizadores.

O ELP – Ecologistas Livre Pensamento integrava predominantemente alguns jovens de Riachos, onde nos juntávamos para discutirmos ecologismo, ouvir e fazer música, praticar desporto e falar de outros assuntos dos nossos interesses, na maioria das vezes, em Riachos, na Rua dos Cingeleiros, em casa do Paulo Jesus.

Autocolante do ELP – ECOLOGISTAS LIVRE PENSAMENTO. (Foto de José Trincão Marques)

Como quase todos nós praticávamos desporto e em Riachos nesse tempo existia um grupo razoável de corredores (onde se incluíam entre outros o Alexandre Maniés, o Fernando Triguinho, o João Gonçalves, o Paulo Jesus e eu próprio), surgiu a ideia do ELP – Ecologistas Livre Pensamento organizar uma prova de atletismo em Riachos que chamasse a atenção para a necessidade da defesa do ambiente e dos valores ecologistas, convidando atletas de todo o país interessados nesta causa.

Estávamos habituados a participar em provas de corrida noutras regiões, mas geralmente essas provas eram feitas em estrada (de alcatrão), sendo nossa ideia fazer uma prova mais ligada à natureza, naquele tempo o que se chamava “corta-mato” (hoje com o nome mais moderno de “trail”).

Pusemos mãos à obra e organizámos a prova que viemos a chamar “Dupla Légua da Ecologia”, com 10 quilómetros de distância, integrando-a nas comemorações do centenário da Sociedade Velha Filarmónica Riachense.

Cartaz da Dupla Légua da Ecologia – 1984. (Foto de José Trincão Marques)

Tivemos o cuidado de escolher um percurso naquela altura por locais ainda bem preservados ambientalmente na zona de Riachos, com paisagens deslumbrantes e quase paradisíacas.

Por razões logísticas a partida e a chegada localizou-se no Campo de Futebol, em Riachos, tendo a prova um percurso circular que saía da povoação em direção à zona da Fonte do Sobreirinho, onde pelos caminhos e carreiros de terra batida se observavam ninhos de águias e cegonhas e uma grande variedade de espécies de animais e vegetais, incluindo a passagem a vau por uma ribeira, com água quase pelo joelho.

A “Dupla Légua da Ecologia” realizou-se no dia 27 de Maio de 1984, pelas 10,30 horas.

A “Dupla Légua da Ecologia” foi a primeira prova de corrida ecologista de que tenho conhecimento ter sido realizada no concelho de Torres Novas.

O sucesso e êxito da organização desta prova foi muito positivo, com várias dezenas de atletas provenientes de vários locais do país, tendo todos nós nela também participado como corredores.

Fotografia da chegada na prova “Dupla Légua da Ecologia” – 1984. (Foto de José Trincão Marques)

2- Dois ou três meses depois, no mês de Setembro de 1984, o então Presidente da Associação de Defesa do Património de Torres Novas (ADPTN), José Ribeiro Sineiro, amigo de longa data da minha família, tendo tido conhecimento da nossa participação na organização da “Dupla Légua da Ecologia” em Riachos e da recente criação da Secção de Atletismo do Clube Desportivo de Torres Novas (CDTN), de que fazia parte, entrou em contacto comigo propondo-me a ideia de conjuntamente com a ADPTN organizarmos uma outra corrida ecologista denominada “I Corrida do Rio Almonda”, integrada nas Jornadas do Ambiente de 1984 da ADPTN, com o objetivo de alertar para os problemas de poluição do Rio Almonda.

A ideia inicial proposta pelo José Ribeiro Sineiro era fazer uma prova de corrida por estafetas, com partida na nascente do rio Almonda, na base do Arrife da Serra de Aire, sempre com percurso o mais próximo possível das margens do rio e com chegada à Praça 5 de Outubro em Torres Novas, o que se traduzia numa distância de cerca de 11.300 metros (eventualmente pensando ser uma distância longa para uma prova de corrida contínua).

Esta sua proposta incluía a sugestão do testemunho da estafeta a passar de mão em mão pelos atletas participantes ser uma pequena escultura de madeira representando uma árvore (José Ribeiro Sineiro era um excelente escultor de madeira).

Posteriormente falei com os meus companheiros de corrida da Secção de Atletismo do CDTN sobre a proposta do José Ribeiro Sineiro e chegámos à conclusão que a distância de 11.300 metros era demasiado curta para se fazer uma prova de corrida de estafetas, sendo preferível fazer essa mesma prova de forma contínua e ininterrupta, com a vantagem de poderem participar muito mais atletas corredores individualmente.

E assim aconteceu. A nossa contraproposta foi aceite e participámos ativamente no planeamento e realização da “I Corrida do Rio Almonda”, organizada pela ADPTN, pela Secção de Atletismo do Clube Desportivo de Torres Novas e pela União da Zona Alta, que foi convidada a participar e que naquela altura também tinha uma boa equipa de atletismo (onde se destacava o corredor Mário Abegão).

A “I Corrida do Rio Almonda” realizou-se no dia 24 de Novembro de 1984, pelas 11 horas, com partida na nascente do rio Almonda e chegada à Praça 5 de Outubro em Torres Novas, com passagem pelos Casais Martanes, Ribeira Ruiva, Ribeira Branca e Lapas.

Cartaz da “I Corrida do Rio Almonda” – 1984. (Foto de José Trincão Marques)

Participámos também nesta corrida como atletas representando a Secção de Atletismo do CDTN numa prova de corrida ecologista que contou com a presença de mais de uma centena de atletas, cumprindo os objetivos propostos de chamar a atenção para a poluição do rio Almonda.

Medalha da “I Corrida do Rio Almonda” – 1984. (Foto de José Trincão Marques)

Mais uma vez realço aqui a profunda relação que existe entre a prática desportiva, os valores ecologistas e o papel que estas provas desportivas podem ter na sensibilização e alerta para a necessidade da defesa do ambiente e da conservação da natureza.

Presidente da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Assembleia Municipal de Torres Novas. Mestre em Gestão e Conservação da Natureza e Doutorando em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Lisboa. Foi assessor jurídico do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e da Reserva Natural do Paul do Boquilobo durante cerca de quinze anos. Advogado há mais de 25 anos, participa ativamente em vários
órgãos e institutos da Ordem dos Advogados Portugueses.

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