Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Quarta-feira, Outubro 20, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“As minidemocracias”, por João Morgado

Este mês de novembro foi marcado por um ato eleitoral na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, na qual fui aluno e, por esse facto, prestei-lhe especial atenção. Classifico-o como um Ato Eleitoral Juvenil, que tem como característica principal o facto de que os recenseados a votar são jovens, o que a meu ver pode ser chamado de uma minidemocracia ou microdemocracia, não só pela idade dos votantes, mas também pelo seu carácter micro, representando uma pequena comunidade dentro de uma comunidade maior, que será a Polis. Também o são aliás as eleições para os corpos diretivos associativos, etc.

- Publicidade -

Infelizmente, dada a distância geográfica que me separa do local da eleição tive que a acompanhar pelas redes sociais e pelo contacto com vários colegas, dada a proximidade com os ainda estudantes da E.S.M.F.. Ali, duas listas concorriam e representam, em ponto pequeno, um núcleo de estudo, que me atrevo a dizer poder ser considerado como uma representação do futuro da democracia e dos atos eleitorais no município de Abrantes.

Nesta minidemocracia identifiquei, primeiramente, os críticos ou céticos a qualquer ato eleitoral, aqueles para quem tudo está mal. Muito célebres são as suas sentenças como “Eles são todos iguais”, “nunca fazem nada do que promete”, “as listas são isto e aquilo”. Muitas das suas críticas são fundamentadas e acabam por se tornar naquilo a que nas ciências sociais se chama o conhecimento popular ou dito senso comum. Para estas pessoas está sempre tudo mal. Não são, no entanto, capazes de apresentar propostas melhores. Tudo igual à democracia “em ponto grande”, portanto.

- Publicidade -

De seguida identifico que os alunos com menos escolarização ou os mais novos são os mais influenciáveis, pois ainda não exercitaram o poder crítico, salvo algumas exceções está claro, e são crentes na teoria de Rousseau e Hobbes que o homem é puramente bom, a sociedade é que o corrompe. Depois acabam por descobrir que a sociedade é composta por homens e que talvez seja antes uma tábua rasa que se vai moldando ao contexto social e geográfico.

Voltando à questão, os mais novos acabam por facilmente ser vítimas de promessas, muitas delas inexequíveis e que muitas das vezes levam a que, com o exercício da razão, se tornem os céticos desiludidos e que chamem aos políticos, ou aos membros das listas, de mentirosos. Identifico também esses que prometem, na sua maioria meros apoiantes ferrenhos da lista X ou Y, que juram e apregoam mundos e fundos, caindo em dogmatismos para aliciar ao voto, comparando essa sua crença politizada a uma crença religiosa.

Depois há um género de eleitores filiados, que por amizade vão votar naquela lista, não sabendo dizer mais que não seja “Porque está lá o Manel ou o João” ou simplesmente porque “Vão ganhar”. Também no mundo dos adultos se verifica isso. Quando questiono alguém porque vota PS, em Abrantes, ou PSD, em Sardoal, a resposta, muita das vezes, é “porque ganham sempre”. A natureza humana explica isto e os estudos académicos também. O homem gosta de se sentir parte no grupo dos vencedores. Muitos defendem até que as sondagens influenciam bastante o voto.

Um exemplo simples: se as sondagens indicam o PS como vencedor, aqueles eleitores indecisos que muitas das vezes decidem o voto na hora da verdade irão votar nesse partido pois querem sentir que o seu voto faz parte do grupo dos vencedores colocando-se desse lado.

Também averiguo aqueles eleitores, que são cada vez mais, que se alheiam do ato eleitoral e simplesmente não votam, muitos deles céticos, mas outros completamente desinteressados e “Não me traz nada de novo nem melhor”. É nesses que tem incidido as campanhas políticas e para as associações de estudantes, numa forma de trazer para dentro do jogo democrático esses que por escolha própria ou por desilusão, não pela experiência, mas pelo simples facto de ser um dado adquirido.

Claro que também há os eleitores indecisos cujo voto é decidido no momento do voto, mas representam, pelo menos nas minidemocracias, uma pequena percentagem. O problema vem na pouca representatividade que essas pessoas vêm numa lista ou num partido. O que, em conjunto com a desilusão com a sociedade explica o surgimento de extremismos, mas deixarei esse tema para outra crónica.

Apenas terminar dizendo que, e em números arredondados, a abstenção nestas eleições ficou entre os 45% e os 50%, números não muito diferentes dos atuais registados, portanto numa perspetiva otimista, daqui a uma geração, possivelmente manter-se-ão as mesmas percentagens, relativamente a Abrantes.

Mesmo para concluir, numa aula veio a debate a legitimidade de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Alguém dizia que ganhou com 50% dos votos numas eleições participadas a 50%, ou seja, Marcelo teve 25% dos votos dos portugueses, isto em números arredondados. Há quem diga que é legítimo, há quem diga que não.

O que é facto é que foi eleito e que dentro da população que votou, representou mais de metade, o que significa que numa proporcionalidade direta, aumentando o número de votantes também aumentaria o número de votos. A dúvida aqui é porque é que não votam os portugueses.

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome