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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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“As felicidades e os incómodos causados pelo novo Governo”, por Hália Santos

Ocupar um qualquer lugar de destaque simplesmente porque se é de um género minoritariamente representado não tem necessariamente que ser visto como uma boa notícia. Assumir uma qualquer responsabilidade porque fica bem colorir um certo naipe de pessoas com outras cores não tem necessariamente que ser considerado como algo positivo. Incluir numa equipa alguém com uma determinada deficiência porque poderá perceber melhor as dificuldades de um conjunto de pessoas não é necessariamente o melhor caminho para mudar mentalidades. Porque tudo isto deveria ser normal e nem se deveria falar do assunto!

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Mesmo assim, eu, mulher com muito orgulho, mãe de uma das 30 primeiras meninas que ingressaram numa instituição de ensino que, até há três anos, só aceitava rapazes, irmã de alguém com deficiência mental profunda, tia de um menino que cruza sangue de duas raças, amiga de várias pessoas de todas as cores e feitios, fico naturalmente feliz por saber que temos uma ministra negra e uma secretária de Estado cega. Mas não devia ficar feliz.

Devia simplesmente ficar feliz depois de analisar o percurso profissional, político e, até, pessoal, de todos aqueles que agora assumem pastas de governação. Devia ser simplesmente isso. Como não deveria ter ficado incomodada quando soube que apenas há apenas quatro mulheres em 17 ministros. Mas fiquei. Simplesmente porque tenho dificuldade em acreditar que não haja mais mulheres capazes e disponíveis para o fazer.

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Não me interessam as quotas; interessam-me as competências. E continuo com dúvidas. Porque certamente haveria mais.

Conheço bem demais o discurso daqueles que defendem que só impondo a diferença se poderá atingir a paridade. Mas tenho tantas dúvidas… A igualdade de oportunidades – sendo uma das ideias que mais prezo e defendo – terá que se construir de muitas formas ao mesmo tempo.

Percebo que estas nomeações e todas as leituras políticas e sociais que se possam fazer são certamente importantes. Muitas dessas leituras vêm de pessoas com as melhores das intenções. Mas tenho tantas dúvidas… E gostava de não ter de escrever sobre estas coisas. Mas foi mais forte.

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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