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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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“As compras de quem não tem espírito natalício”, por Hália Santos

Então já aproveitaste os descontos da Black Friday?

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Já andei a espreitar na net, mas fiquei com um certo receio… Sabes, uma espécie de réplica da ideia daqueles saldos em que vês tudo na loja menos o que vias nas semanas anteriores? Ficas com a sensação de que só estão a querer despachar o que têm nos armazéns e já não vendem.

Sim, sei bem qual é a sensação. Com tanta campanha e com tantos avisos sobre consumo responsável, acabamos por ter mais medo de comprar do que tendência para aproveitar pechinchas… Por acaso, até tenho uma certa curiosidade para saber qual é a efetiva adesão das pessoas a estas promoções em massa…

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A verdade é que já surgiram notícias de enchentes das pessoas a certas lojas. Talvez isso signifique que as pessoas estão desejosas de comprar!

Também significa que muitos funcionários públicos recebem ao dia 23 e que este ano acabaram de receber metade do subsídio de Natal. Imagina aquela sensação de sufoco que dura há anos e que, de repente, tens uma folga que, imagine-se, coincide com os dias da louca sexta-feira negra…

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E será que as pessoas sabem o que é a Black Friday?

Provavelmente, não. Eu também não sabia… Maravilhoso Google que orienta as nossas vidas!

Não me digas que foste à Wikipédia?!?

Por acaso, sim. Dou a mão à palmatória: agora até já a consulto, mas houve tempos em que era assustador. A falta de rigor era impressionante. Felizmente que foram melhorando, até porque há imensa gente, sobretudo estudantes, a recorrer a esta enciclopédia digital para pesquisarem informações sobre tudo.

E não tens saudades da Enciclopédia da Verbo?

Claro que sim! Aqueles calhamaços que nos safavam quando tínhamos que fazer trabalhos no ensino secundário. Era maravilhosa. Eu até tenho volumes de atualização de informações. Eram uma espécie de ‘upgrade’ da informação dos tempos antigos. Tão antigos que hoje ninguém lhes pega, embora pôr os miúdos a folheá-los seja uma excelente ideia para passar memórias.

Verdade! Mas voltemos à sexta-feira negra, o momento que marca as compras natalícias com descontos, certo?

Certo! Mas não podemos esquecer que se trata de uma coisa dos Estados Unidos, que tem a ver com o Dia de Ação de Graças. É mais uma importação, como o dia das bruxas ou o dia dos namorados. Pela minha parte, vejo isto mais como uma forma de comprar aquilo que se precisa poupando algum dinheiro. O problema é aquele de que falávamos no início: ter a certeza de que as compras nestes dias valem mesmo a pena e que não estamos a ser vítimas de estratégias de vendas.

Podes sempre recorrer às associações e até aplicações que ajudam a comparar preços. Sobretudo, aquelas que te dizem quanto custava o que queres comprar há seis meses. Quem faz estas coisas é que está a fazer verdadeiro serviço público. Sim, porque o comum mortal perde-se no meio de tanta informação. Já agora, o que é que estavas a pensar comprar, agora que recebeste metade do subsídio de Natal?

Ah, ah! Prendas de Natal é que não será, até porque não dou prendas de Natal. Só dou aos miúdos, que preferem dinheiro para comprar o que eles querem. O que me facilita imenso a vida, claro! Mas queria aproveitar para comprar um ‘bicho’.

Um ‘bicho’? Vais comprar um animal? Vai mas é ao canil!!

Não! O bicho que eu quero é um daqueles aspiradores que parecem naves espaciais que andam a rastejar pela casa toda, sozinhos, programados como o dono entender. Deixas de ter que andar a apanhar cabelos e migalhas a toda a hora. E é um bicho que não te incomoda. Dizes-lhe para trabalhar quando não estás em casa e pronto! Tens um dos teus problemas domésticos resolvidos. Vais gastar mais eletricidade, mas enfim, será um mal menor.

Mas o subsídio de Natal não deveria ser utilizado para celebrar o espírito da época?

Talvez, mas eu prefiro ter um ano inteiro sem pegar em vassouras e evitando o aspirador gigante boa parte do tempo… Coisas de quem não tem espírito natalício…

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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