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Terça-feira, Setembro 28, 2021

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“As “Baleias” da moda”, por Vânia Grácio

O jogo da “Baleia Azul” é o assunto do momento. Trata-se de instigar jovens a automutilarem-se, a causar dor ou sofrimento noutros jovens/ crianças, a isolar-se do mundo e de qualquer tipo de apoio e, culmina com o suicídio. Se os jovens apanhados na teia deste jogo não cumprirem algum dos 50 desafios a que são sujeitos, sofrem ameaças contra si ou contra a sua família e pressões psicológicas. As mais recentes notícias que chegam do outro lado do Atlântico falam de jovens que foram obrigados a dar doces envenenados à porta das escolas a outras crianças, por exemplo. O jogo já chegou a Portugal e já existem casos de jovens envolvidos neste jogo. Existem portanto já algumas orientações de profissionais de saúde mental e das forças de segurança para que os pais possam ajudar os filhos a sair deste esquema, ou antes, evitar que entrem.

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Esta situação é muito semelhante a outros tipos de pressão exercida sobre os jovens por outros, nomeadamente o bullying, neste caso o ciberbullying. Usam-se as redes sociais ou qualquer outro tipo de tecnologia de informação e comunicação para “atormentar” outras pessoas. Fazem-se ameaças, tecem-se comentários menos positivos, goza-se e envergonha-se o outro de uma forma deliberada, ameaçando-o caso conte a alguém que é vitima. O terror com que vivem é de tal ordem, que muitas vezes acabam por ceder e por fazer tudo o que é pedido, com receio de que as ameaças sejam cumpridas.

É por isso muito importante que os pais estejam atentos, sempre. Não só agora que existe este jogo, mas sempre. Compreende-se que seja extremamente difícil nos dias de hoje e com as rotinas que todos temos, controlar todos os comportamentos e os consumos de tecnologia dos nossos adolescentes, mas há que fazer um esforço. Supervisionar o que veem na Internet, com quem falam, sobre o que falam, quanto tempo estão no computador ou no telemóvel, evitar que esteja em locais da casa isolados com estes meios de comunicação ou que tenham acesso durante a noite, etc. Acabamos por roçar na “invasão da privacidade” dos nossos filhos, mas com limites e proximidade tudo pode ser resolvido.

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É igualmente importante criar/manter uma boa relação pais-filhos. Muitas vezes os pais, pelo desgaste emocional diário do seu dia-a-dia, acabam por não escutar os filhos, por os repreenderem quando fazem algo menos positivo, sem conversarem, sem perceberem o que os levou a ter determinado comportamento. Muitas vezes são chamadas de atenção, outras vezes é mesmo falta de orientação/ supervisão. É portanto fundamental que os pais façam com que os filhos sintam que podem conversar com eles, que estas situações podem acontecer a qualquer um de nós, independentemente da idade, género, condição social, e que estarão ali para os ajudar. Caso não consigam ou não saibam como resolver a situação, procurarão ajuda para isso.

Não adianta esperar que os jovens consigam resolver todos os seus problemas, ou que tenham capacidades para sair de situações complicadas em que se envolveram sem terem consciência disso. Os pais estão cá para os orientar, supervisionar, apoiar, mimar.

Entretanto já surgiu, também no Brasil, o jogo da “Baleia Rosa” em que o objetivo é realizarem-se coisas boas. Vamos então todos torcer para que a moda pegue.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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