“As aldrabices do BE sobre a Ponte da Chamusca”, por Duarte Marques

Ponte da Chamusca. Foto: DR

Na semana passada, o Bloco de Esquerda voltou a inventar um protesto que teve como objetivo enganar os cidadãos e denegrir os restantes partidos. Objetivo conseguido, no meio de tanto lixo político obriga-me a perder tempo com coisas reais e importantes para sujar as páginas do mediotejo.net com este texto.

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A propósito dos problemas de trânsito na Chamusca, e cuja resolução passa pela conclusão do IC3, apesar de não constar na proposta inicial nem final do OE2020 não impediu o Bloco de aprovar o Orçamento.

O BE resolveu incluir como alteração ao OE uma “proposta de construção de uma nova ponte na Chamusca” esquecendo o mais relevante: a conclusão do IC3. Sem mais, uma proposta tecnicamente mal feita, desadequada, que aprovada poderia nem ter qualquer validade prática, redundante e submetida apenas e só para poder dizer que os outros partidos votaram contra. Se dúvidas houvesse sobre esse propósito, basta ver os comunicados e reações que se seguiram a esse chumbo.

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Há aqui vários pontos que importa relembrar:

1º o problema do trânsito na Chamusca não se resolve com uma nova ponte colocada no mesmo sítio, como se pode ver pelas queixas de maus cheiros que hoje fazem as manchetes dos jornais regionais. O que faz falta é concluir o IC3 e desviar assim o trânsito do interior da Chamusca. Mudar só a ponte era uma tontice, um disparate e uma inutilidade.

2º O que o Parlamento aprovou na legislatura passada não foi apenas um consenso sobre a substituição da atual ponte da Chamusca, mas sim algo mais abrangente que incluísse não só uma nova ponte mas sobretudo “soluções de financiamento para a conclusão da construção dos troços em falta no Itinerário Complementar 3 (IC3).”

3º Se há obra e investimento que é prioritário nesta região é a conclusão do IC3, não só por uma questão ambiental, mas também de mobilidade e sobretudo de justiça para com uma população que aceitou o lixo mais perigoso de todo o país sem protesto e sem pestanejar. A única coisa estranha em todo este processo é a ausência desta obra que todos os autarcas e partidos assumem como prioritária. Apesar disso, e passado o período de austeridade, continua a ficar fora das ações do Governo e dos partidos que lhe aprovam orçamentos.

A pergunta que o Bloco de Esquerda e os seus Deputados têm que responder é que se esta ponte é tão importante, porque continuam a aprovar orçamentos sem essa medida incluída? Ou, tal como o fim das portagens na A23, só é prioritário desde que não impeça a aprovação de Orçamentos?

Mas o que é ainda mais estranho é o silencio cúmplice da autarquia da Chamusca e do próprio Partido Socialista. Apesar das “falinhas” mansas dos diferentes dirigentes socialistas não compreendo a apatia perante este verdadeiro escândalo público. Enquanto a autarquia e a população não derem um murro na mesa este assunto não se resolve.

Recordo que até o líder do PSD se deslocou já à ponte numa visita que fez ao distrito para assinalar a conclusão do IC3 como investimento prioritário. Se o PSD considerasse esse investimento uma perfeita tolice teria votado contra a proposta do BE, mas não, absteve-se e não votou contra.

A solução apontada pelo BE é errada e podia até comprometer o Governo a fazer algo que era um disparate: apenas uma nova ponte e não a conclusão do IC3 cuja colocação da respetiva nova ponte poderá nem ser naquela zona ou mesmo no concelho da Chamusca. O problema, repito, não é a ponte, é a conclusão do IC3. Espero que o Governo se deixe de adiamentos e concretize o que tem no seu plano de investimentos (PNI).

Ao contrário do que sucedeu com o caso da residência de estudantes de Rio Maior, cuja cabimentação em OE2020 foi proposta pelo PCP e aprovada também pelo PSD, foi incluir no planeamento do Governo algo que estava fora. Por isso em 2019 aprovámos essa inclusão e agora em 2020 a obrigação de cabimentar.

A ponte da Chamusca é algo diferente, faz parte dos diferentes planos aprovados e só não avança porque o Governo teima em adiar a conclusão do IC3. Recordo que o próprio Primeiro-Ministro foi ao Entroncamento anunciar as ligações das áreas de Valorização Empresarial (em 2017) e nem as ligações de Rio Maior nem as de Torres Novas – Golegã – Entroncamento tiveram sequer início.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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